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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Classificação da Liga UEFA Fantasy Football EURO 2012 do Blog “A Mística Azul e Branca



Treinador da Semana: Parabéns ao Tiago Vega (Treinador da equipa Prana Team), Jorge Marques (Treinador da Equipa Reservoir_Dogs) e TiagO Sereno (Treinador da Equipa Alpha's) que foram os Treinadores cujas Equipas fizeramz mais pontos na Final do UEFA EURO 2012.

Parabéns também ao Grande Campeão Miguel Guedes (Treinador da equipa vck team) que venceu a Liga UEFA Fantasy Football EURO 2012 do Blog "A Mística Azul e Branca" tendo terminado com a pontuação total de 323 pontos.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sem Sorte não há EURO

Num jogo eléctrico houve muitos momentos de alta tensão, embora com alguns jogadores em claro curto circuito. Paulo Bento e Del Bosque trocaram de fusíveis, mas o empate durou até aos penáltis. Na noite de Donetsk a lotaria saiu para a Espanha.

A história de séculos moldou as fronteiras dos países da Península e determinou entre eles uma rivalidade ancestral. Havia uma presença na final para garantir e por isso, Portugal e Espanha tentaram resolver o jogo desde cedo.

A primeira parte não teve golos, mas foi bem jogada entre duas selecções que procuraram não errar. Portugal foi tentando, quase sempre, empurrar Espanha para longe da sua área, mas o tiki-taka lá ia aparecendo.

Aqui e ali os Espanhóis conseguiam espaço para esplanar o seu futebol, com a presença de Iniesta, embora a primeira situação de perigo da Roja fosse protagonizada pelo "patinho feio" Arbeloa. O jogador do Real Madrid CF quase inaugurava o marcador, aos nove minutos, numa jogada espectacular do ataque Espanhol: Iniesta a cruzar, Negredo a falhar o desvio e a bola a sobrar para o lateral-direito, que rematou por cima da baliza de Rui Patrício.

A resposta Lusitana, ao aviso Espanhol, não tardou num "passe de letra" de João Moutinho, em pleno ar, com Ronaldo a rematar de primeira, mas com a bola a sair acima da barra da baliza Espanhola.

Depois disso, Iniesta quase marcava aos 29 minutos. A bola circulou pelos pés de Negredo e Xavi antes de chegar ao criativo do Barcelona. O remate, em jeito, saiu por cima da barra da baliza Espanhola.

Até ao descanso, a pressão inteligente de Portugal intensificou-se e obrigou nuestros hermanos a procurar outras soluções para fazer a bola chegar ao último terço Luso, nomeadamente, jogo directo. Ainda assim o nulo manteve-se ao intervalo.

O mesmo cenário manteve-se no regresso dos balneários com a Espanha circular a bola e Portugal a tentar sair com perigo para o ataque, mas sempre a "estancar" o ADN Espanhol na relva.

O relógio, esse, avançava e a questão física começava a imperar numa partida que teve 48 mil adeptos no Donbass Arena.

A Espanha aparentou estar mais desgastada, até porque teve menos dias de recuperação do que Portugal face aos encontros dos quartos-de-final. Quem não se importou com isso foi Ronaldo que ia pedindo aos colegas para subir no terreno.

Aos 71 minutos, os corações Portugueses e espanhóis ficaram em suspense. Ronaldo sofreu falta em «carreira de tiro». O estádio fez silêncio para ver o que ia sair dos pés do Madeirense e, verdade seja dita, a bola não saiu muito longe da baliza de Casillas.

Ainda assim, é bom que se diga, a melhor ocasião de golo, durante os 90 minutos, pertenceu e Ronaldo. Os Lusitanos sairam para o ataque, numa situação de 4 para 3, com Meireles a desmarcar o capitão e CR7 a acertar mal na bola e a enviar o esférico para a bancada! Seria Português o golo aos 90 minutos.

No tempo de prolongamento o desgaste foi notório e tudo acabou por ser resolvido na lotaria dos penáltis.

No momento das grandes penalidades, foi Xabi Alonso o primeiro a falhar, mas Moutinho, do FC Porto, não fez melhor e permitiu a defesa de Casillas.

Depois foi a vez de Iniesta e Pepe que não falharam. No terceiro pontapé, Piqué focou Patricio e não falhou, tal como Nani.

Seguiu-se Sergio Ramos que não tremeu e marcou à "panenka".

Os "nervos" passaram para Bruno Alves. Ele não podia falhar, mas falhou. O antigo jogador do FC Porto partiu para a bola e atirou com estrondo na barra. Os ferros também tiveram uma palavra, neste caso a última, no derradeiro pontapé de Fàbregas. O médio do Barcelona atirou para o fundo da baliza. A Espanha levou a melhor sobre Portugal. Uma das equipas que Platini imaginou..... está na final.

Retirado de zerozero

Melhor em Casmpo: João Moutinho

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O nosso Euro.Portugal x Espanha-Antevisão(parte 2)

  • Plano de jogo para se enfrentar esta Espanha
A grande vantagem é que P. Bento não teve que pensar muito na forma como parar a Espanha. É uma equipa e um estilo por damais conhecidos e que todos sabemos que será o mesmo de sempre. O estilo nunca muda. Jogue com 9 ou sem 9. Será sempre um 4-2-3-1 no papel que na prática se transforma por vezes num 4-6-0, porque David Silva e Iniesta não buscam a faixa, antes optam pelo jogo anterior e o que se assiste é um congestionamento do jogo pelo centro do terreno. Tais movimentos poderiam ser explorados por laterais que subissem. No entanto isso nem sempre se verifica e contra Portugal significaria darem espaço aberto para Nani e CR7. Aqui reside a nossa força. Eles também se sentirão condicionados e respeitarão o facto de Portugal ter mais armas para lhes fazer dano que França não tinha.

Por isso a Espanha será obrigada a ter que gerir a posse, aborrecer e enervar os jogadores portugueses esperando por uma desatenção defensiva para poderem meter um passe de rutura, colocarem-se em vantagem para logo fazer uma posse sem progressão, simplesmente para impedir o adversário de jogar.

Acontece que com Espanha já sabemos que o perigo virá sempre pelo meio e que as faixas serão descuradas. E mais, no caso de haver a veleidade de subir com os dois laterais, Portugal tem M. Veloso para colocar passes de 30 e 40 metros nas costas da defesa espanhola obrigando S. Ramos e Piqué a terem que se confrontar com a velocidade e repentismo de Nani e CR7. A abordagem ao jogo pode ser uma de duas já tentadas contra o Barça ao longo da época por várias equipas com mais ou menos sucesso (o Real Madrid já testou ambas e com sucesso):

1 - Pressão alta, evitando que a Espanha saia confortável a jogar logo desde a sua defesa.Sabe-se que a bola sai sempre da defesa nos pontapés de baliza. Portugal pode subir o bloco, até porque tem uma defesa rápida capaz de recuperar bem atrás, e assim asfixiar a posse de bola espanhola logo no 1º momento de construção, impedindo que a bola chega aos pés mais qualificados de Xavi e Iniesta.

Tal estratégia neste momento da temporada pode ser difícil de aplicar. É uma estratégia que exige um enorme desgaste físico colectivo. Mesmo com uma equipa forte nesse aspecto é complicado manter essa pressão os 90 minutos. A única forma exequível de o fazer, nesse momento, seria apostar em 30 minutos no máximo a jogar dessa forma, esperando aproveitar esses 30 minutos para colocar Portugal em vantagem, para depois baixar as linhas e obrigar a Espanha a ter que correr atrás do resultado a sair da sua zona de conforto, e a sentir que se joga contra um muro e sem opções para variar o jogo porque não jogam directo e pouco arriscam o remate de longe.

Quem defende contra a Espanha pode saber duas coisas: as faixas não serão prioritárias e podem contar que raramente um cruzamento saírá de lá. Por outro lado, se se defender bem, e fechar os espaços no meio, até se pode deixar espaço para os jogadores espanhóis rematarem de longe. Não há necessidade de se desposicionar defensivamente e fazer um defesa sair ao portador da bola, porque já se sabe que é isso que ele espera, porque ele quer é fazer o passe. Não tentará o remate. E se tentar na maior parte das vezes não oferece perigo. A estratégia aí passa por fazer a Espanha sentir-se aprisionada no seu estilo tal como o Barça se sente quando encontra equipas que fecham bem as linhas e que não se importam de ficar praticamente o jogo todo sem a bola.

2 - Outra estratégia utilizada para este estilo de jogo, e porventura a mais segura para esta fase da época é a de baixar o bloco, admitir que não discutiremos a posse, e dar a bola aos espanhóis. Esperar por eles no nosso meio campo defensivo. Deixar que eles troquem a bola até à exaustão, basculando a equipa consoante os movimentos adversários. No entanto sem pressão nem marcações individuais.

Não resulta colocar alguém em cima de Xavi ou de Iniesta. Eles até agradecem o espaço que assim dão ao resto da equipa. O segredo passa por conhecer os caminhos que eles querem percorrer e por onde eles querem que a bola passe. Uma marcação zonal forte. Estabelecer as zonas onde a bola não pode entrar e aí sim, pedir aos jogadores para saírem forte na pressão e recuperarem a bola. Afugentar os jogadores espanhois dessas zonas. Deixar que no seu meio campo possam dar os passes que quiserem, mas sabendo que passando uma determinada linha, que aí não terão espaço sequer para respirar porque logo saírão dois jogadores para pressionar e se preciso fazer falta. Sim, porque Espanha também não faz muitos golos de falta.  Isto no momento defensivo.
  • Momento de transição
Depois, mal a bola seja recuperada, a ideia será colocar a bola no espaço, não tentar sair a jogar em posse. Isso é um erro porque nos exporá ao erro e a perder a bola em zonas proíbitivas. O segredo passará por entregar a bola o mais rápido possível a M. Veloso ou Meireles e esperar que eles façam o passe de transição que apanhe a defesa descompensada.

Espanha terá cuidados com CR7. Como já o havia afirmado, só jogos com características muito específicas como o que tivemos com a Holanda é que poderemos assistir a CR7 a jogar sem qualquer tipo de marcação especial. Mesmo o Barça tem sempre um plano para o retirar do jogo. E em termos defensivos acredito que esse será um dos vectores fundamentais da estratégia de Espanha para este jogo com Portugal. Isolar CR7 do jogo. Deixar sem ligação com a equipa obrigando-o assim a enervar-se, e a tentar resolver tudo sozinho. A marcação será feita à zona, obviamente, mas tal como com outros adversários CR7 poderá contar com a atenção de 2 e até 3 jogadores aos seus movimentos.

No caso em concreto Arbeloa não deverá arriscar subir muito, e terá o apoio de Busquets nos confrontos com CR7. Busquets participará pouco no jogo ofensivo, dando essa tarefa a Xabi Alonso, e a sua preocupação será fechar o lado direito e ter sempre um olho em CR7 mesmo quando Espanha tenha a bola.

Depois o 3º elemento para fazer coberturas no caso de CR7 se apanhar de frente para a defesa espanhola, será o central pelo lado direito, Piqué. No fundo dois jogadores que já o fazem no Barça. São jogadores habituados a várias batalhas com CR7 que não serão nada meigos nas disputas de bola.
  • Com a lesão de Postiga, pela primeira vez P. Bento terá que alterar o seu onze de eleição
A escolha recaírá em H. Almeida ou N. Oliveira. Varela numa faixa e CR7 a ponta de lança não será hipótese, pois a P. Bento não lhe dará um "ataque de treinador". P. Bento não gosta de tomar grandes opções de risco e não é difícil adivinhar as suas intenções e elas ficaram bem claras no jogo com os checos após a lesão de H. Postiga. N. Oliveira mesmo tendo sido sempre a opção para entrar, não foi o escolhido. Num jogo 0-0,a eliminar, preferiu a maior experiência de H. Almeida.

N. Oliveira é visto como opção para entrar no 2º tempo e assim continuará a ser. P. Bento não quer dar essa responsabilidade a N. Oliveira. Neste jogo em concreto, H. Almeida, mesmo sendo o avançado que menos me enche as medidas dos três e aquele que menos se enquadra no modelo de jogo português, acaba por ser a melhor opção para o jogo com a Espanha. Pelo menos de início. Não pelo seu jogo de cabeça. H. Almeida também é muito criticado porque as pessoas têm a ideia de só pelo facto dele ser alto isso significa que tem que marcar muitos golos de cabeça. Não é verdade. H. Almeida é fraco no cabeceamento. Porque não tem uma boa técnica de cabeceamento. Um dos melhores cabeceadores da história do futebol português chamava-se João Pinto e estava longe de ser alto…Para se cabecear bem é necessário ter tempo de salto, inteligência na forma como se ataca a bola e técnica de cabeceamento. H. Almeida não tem. Assim como não conseguirá fazer o que H. Postiga fazia. Não participará na construção ofensiva. No entanto ele poderá servir outros propósitos neste jogo que N. Oliveira não seria capaz de o fazer.

H. Almeida traz dimensão física ao jogo. Espanha tem no centro da defesa dois jogadores possantes fisicamente e rápidos. Será importante que H. Almeida jogue no meio dos centrais, que os prenda bem atrás e assim liberte mais CR7 e Nani. Acima de tudo CR7. Se H. Almeida fizer bem o seu trabalho, Piqué terá menos hipóteses de fazer cobertura a Arbeloa, e assim CR7 terá que se preocupar apenas com a parelha Arbeloa/Busquets. H. Almeida pelo seu físico poderá batalhar muito entre os dois centrais espanhóis e desgastá-los. Impedir que eles pensem sequer em sair a jogar ou fechar numa das laterais. H. Almeida será solicitado sempre que a equipa se sinta apertada pela pressão espanhola e aí é importante que mesmo que ele não consiga segurar a bola que batalhe entre os centrais e nos permita subir uns metros.

Aí sim, esperemos que com Portugal em vantagem ou com o jogo ainda empatado, P. Bento faça a substituição típica e lá para os 65 minutos faça entrar N. Oliveira para aproveitar o desgaste provocado por H. Almeida no centro da defesa espanhola.
  • Bolas paradas
Por outro lado, Portugal deve colocar dimensão física no jogo, principalmente nas bolas paradas. Poucas equipas o têm aproveitado. Espanha tirando a dupla de centrais tem um equipa pouco intensa nas disputas. E Portugal tem que o aproveitar. Sempre que possível passar o jogo para a dimensão física. E acima de tudo aproveitar as bolas paradas. Cada vez mais importantes no futebol moderno e que em jogos destes podem fazer a diferença. Portugal tem jogadores como Pepe, B. Alves, CR7 e H. Almeida (ainda que não seja um grande cabeceador) que podem causar mossa nas bolas paradas. Esperemos também que CR7 consiga ter a oportunidade de acertar um dos seus Tomahawkes. Outra arma que Portugal tem e Espanha não.
  • Jogo de concentração
Este será um jogo de concentração e sacrifício. Será importante não cometer deslizes defensivos. Mais do que estarmos preocupados em marcar o mais rápido possível, será fundamental defender bem, colocar a Espanha desconfortável no jogo. Porque não tenhamos dúvidas, se Portugal conseguir reduzir a possibilidade da Espanha criar oportunidades de golo, mais cedo ou mais tarde causaremos mossa na sua defesa.

Não podemos é nunca permitir que eles se coloquem em vantagem. Aí é como jogar contra a Grécia de 2004. Seria muito complicado recuperar a desvantagem. Em vantagem os espanhóis sentem-se mais confortáveis que nunca e podem passar o jogo todo a passar a bola para o lado e para trás sem a perder e a enervar o adversário. Portugal, não pode ter deslizes defensivos. Tem que jogar pelo seguro e não arriscar em zonas proibidas. O mais pequeno erro defensivo com a Espanha pode ser o fim de um sonho.
  • A vingança de Coentrão
Por outro lado tenho que deixar outro desejo pessoal… Da mesma forma que H. Postiga após uma época difícil onde foi muito criticado em Inglaterra, aproveitou o Euro 2004 para responder no campo, marcando um golo importantíssimo e tendo ainda o desplante de marcar um penalti à Panenka cotra os ingleses, também F. Coentrão pode aproveitar este jogo para responder no campo a todos os críticos espanhóis que o perseguiram ao longo do ano.

É um excelente momento para F. Coentrão ter essa pequena vingança e demonstrar aos espanhós o verdadeiro Coentrão, o Furacão das Caxinas que não teme nada nem ninguém e que é dos melhores do Mundo na sua posição.
  • CR7 e a equipa. Casamento perfeito
Este grupo convenceu-nos ao longo do percurso a acreditar que eles podem concretizar os sonhos mais audazes. Não depende de CR7, mas tem-no mais presente que nunca. Isso também tem sido importante. No jogo com a Dinamarca vimos uma equipa solidária a sair em resgaste a CR7, e também já assistimos a CR7 a resgatar a equipa. É através dessa simbiose que podemos superar qualquer adversário ou pelo menos ter a convicção que não nos roubarão o nosso sonho sem terem que suar e sofrer muito para o conseguir.

Força Portugal! O sonho está cada vez mais perto!

terça-feira, 26 de junho de 2012

O nosso Euro. Portugal x Espanha- Antevisão (parte 1)

Meia-final ibérica. Espanha campeã da Europa e do Mundo será o nosso último obstáculo até à sonhada final. A Espanha venceu a sua besta negra (nunca havia ganho a França num jogo oficial), num jogo sonolento e em que uma vez mais pudemos assistir ao futebol de posse da Espanha a neutralizar o adversário. Espanha pratica aquilo que um jornalista um dia apelidou e muito bem de catenaccio ofensivo.

Enquanto no Catenaccio se tentava neutralizar o adversário através de um sistema defensivo rigoroso e um estilo de jogo cínico e especulativo, a Espanha tenta na mesma impedir o adversário de jogar e de marcar, mas roubando-lhe a bola. A Espanha, assim como o Barcelona numa escala diferente, nestes últimos anos instalaram a ditadura da posse. O Catenaccio da posse. A ideia, e essa ficou clara no jogo com a França, não é ter muita posse para atacar muito e criar muitas oportunidades de golo porque Espanha não tem criado grandes oportunidades de golo, e já no Mundial 2010 não foi uma selecção que tivesse criado muitas oportunidades de golo.. Acima de tudo começa por ser uma estratégia defensiva, por paradoxal que possa parecer. A Espanha tem a posse para se poder defender melhor. Aproveitam a enorme qualidade técnica dos seus executantes e as rotinas que trazem do seus clubes, principalmente do Barça, para acima de tudo, impedir o adversário de jogar.

Uma posse que na selecção espanhola, ainda mais que no Barça, nem sempre tem progressão ofensiva. Uma série de passes são feitos para o lado e para trás, tentando adormecer o adversário, irritá-lo, para que no momento certo possa meter um passe de rutura que possa resultar num golo.

O jogo assim torna-se algo aborrecido. Enfadonho. Embora muitos elogiem a estética do jogo do Barça como se essa fosse a única forma de jogar. O Real Madrid com um estilo de jogo mais vertical, com menos posse, que joga e deixa jogar, derrotou este estilo, demonstrando o caminho e que a posse enquanto objectivo por si só não é obrigatoriamente sinónimo de superioridade.

No jogo com a França, a Espanha praticamente criou uma oportunidade de golo em todo o jogo. Aproveitou um deslize da defesa francesa e depois foi ver a Espanha controlar o jogo com a sua posse não deixando o adversário reagir. Uma equipa que tem muita posse, mas que já no mundial 2010 foi campeã com vitórias por 1-0. Nesse aspecto parece-se com a Grécia campeã, por motivos diferentes. A Grécia pela sua personalidade e pela forma afirmativa como defende, era uma equipa muito complicada de tornear após se colocar em vantagem no marcador. Espanha pela sua qualidade em posse, é muito complicada de contrariar quando se apanha em vantagem. Porque aí pode fazer o que mais gosta. Tocar, tocar e tocar, mesmo sem grande progressão e fazer o adversário andar a correr atrás da bola. Já vai para mais de 60 jogos. Espanha após colocar-se em vantagem já não perde um jogo há mais de 60 jogos.

Chegados a esta altura do texto, muitos devem pensar que Portugal teve azar em ter a Espanha na rifa e que é o pior adversário possível. Ora o autor deste texto discorda. Antes do jogo com a França já tinha a convicção que Espanha até poderia ser o melhor adversário para Portugal nas semi-finais, o que não quer dizer que seja fácil ou que esteja ganho. 
  • Motivos para preferir Espanha á França como rival
Primeiro de tudo há a questão psicológica/motivacional que tem sempre o seu peso nestas provas. Portugal nunca ganhou à França em jogos oficiais. Mas mais que isso, Portugal tem por hábito cair nas semi-finais destas provas com a França. Isso poderia ter algum peso se o jogo começasse a correr mal e poderia condicionar de certa forma jogadores e adeptos. Poderia haver uma certa ideia de fatalismo associado aos confrontos com os franceses. Espanha não tem esse ascendente todo. Pelo menos nos últimos anos. Portugal eliminou Espanha na fase de grupos do Euro 2004. Eles também sabem, por isso o que é serem eliminados pelos portugueses. Claro que no Mundial 2010 caímos ante a Espanha, mas até esse jogo não nos deixou convencidos. A Espanha apresentava-se mais forte do que hoje, principalmente por ter mais largura e profundidade na linha ofensiva com um jogador como David Villa.

Por outro lado Portugal estava mais fraco. Carlos Queiroz nesse Mundial não pôde contar com Nani nem com Varela que poderia ser o seu substituto. Curiosamente jogadores que têm tido papeis importantes neste Europeu. Outro jogador que não esteve nesse Mundial mas por opção e que hoje é fundamental no jogo português chama-se João Moutinho.

É importante ter isto em atenção. Tal como com a República Checa, muitos recuavam a 1996 e esqueciam-se que já em 2008 haviamos ganho à República Checa de forma clara. Agora o mesmo se verifica. Enquanto que a Espanha está menos forte e tem um jogo mais previsível, Portugal está mais forte. Colectivamente está mais forte e as suas individualidades estão também a assumir protagonismo que não assumiram nesse Mundial. Mesmo a coesão do grupo e o modelo de jogo é mais claro e consolidado. Ainda assim, a Espanha venceu esse jogo mas não convenceu de todo. Portugal perdeu apenas por 1-0 e num lance em fora de jogo. Por outro lado, Carlos Queiroz errou por completo a abordagem ao jogo, e de certa forma cometeu o mesmo erro que Laurent Blanc, alterou a identidade da equipa para defrontar os espanhóis. Colocou R. Costa como lateral direito adaptado, e foi exactamente por esse lado que Portugal sofreu o golo que nos derrotou.

Muito mudou em Portugal desde esse jogo. Desde logo o treinador. Depois o próprio onze e a forma como interage com o jogo. Espanha mudou pouco e o que mudou não foi propriamente para melhor. O treinador é o mesmo. O duplo pivô defensivo mantém-se, a cultura da posse importada do Barça igualmente. Maiores alterações verificam-se nas laterais. S. Ramos passou para o centro e deixou a lateral para Arbeloa que oferece menos garantias quer a atacar quer a defender. Do lado esquerdo Jordi Alba é um upgrade em relação a Capdevilla, mas está a disputar o seu 1º grande torneio

Convém também salientar em termos motivacionais, que esta selecção treinada já por P. Bento com este grupo, já derrotou de forma copiosa a Espanha num amigável. 4-0. Obviamente que os amigáveis têm o peso que têm, mas de certa forma este grupo percebeu que a Espanha está longe de ser invencível e que temos armas para lhes criar dissabores.

Em termos tácticos e estratégicos, é mais fácil preparar um plano de jogo para defrontar Espanha do que preparar um para enfrentar esta França. Podemos dizer que com Espanha é mais fácil delinear um plano de jogo, mas mais difícil aplicá-lo. Com a França é mais difícil delinear um plano de jogo, mas mais fácil de o aplicar. A França é uma selecção em mutação, com um técnico novo, e que não tem uma identidade ainda muito bem definida. É mais camaleónica, e seria mais difícil de prever como se apresentariam e assim saber qual a melhor estratégia para os enfrentar. Prova disso foi a forma como a França se apresentou com a Espanha. Abdicou de Nasry, colocou um lateral adaptado a extremo (Debouchy), alterou a estrutura táctica jogando quase num 4-1-4-1. O meio campo sofreu alterações também significativas.
  • Uma questão de identidade
Podemos de discordar de uma série de opções de P. Bento e até criticar a sua excessiva previsibilidade e incapacidade para inovar. Acusá-lo de ser demasiado tradicional e pouco dado a surpresas. Ora, há algo no discurso de P. Bento e na sua personalidade que poderão ser a chave para derrotar esta Espanha. Identidade. A palavra mil vezes repetida por P. Bento. Portugal não deve mudar a sua identidade por jogar com Espanha. Se o fizer estará mais próximo da derrota. Essa previsibilidade será o maior dos nossos trunfos. Não alterar aquilo que somos no jogo. Manter a estrutura táctica em que a equipa melhor se sente, o 4-3-3, não abdicando do ponta de lança nem procedendo a adaptações nas laterais.

Portugal obviamente não deve ignorar as características do adversário e deve preparar-se para elas, não pode nunca é perder identidade nesse processo. Devemos saber quem somos e o que fizemos para chegar até onde chegamos. Respeitar os nossos princípios de jogo, respeitar o nosso modelo, respeitar a nossa ambição. Talvez não tenhamos feito isso em 2010 e talvez por isso também, CR7 reagiu da forma como reagiu após o jogo com Carlos Queiroz. Os jogadores sentiram-se traídos. Sentiram que atraiçoaram a sua forma de jogar em nome do medo pelo adversário.

Del Bosque antes do jogo com a França teve uma declaração curiosa dada aos jornalistas espanhóis “Não se preocupem, não me vai dar um ataque de treinador”. Acho uma frase extremamente feliz. No fundo é isto que muitas vez condiciona as ambições das equipas, quando um treinador tende a inventar e a alterar demasiadas rotinas da equipa, tentando tirar um coelho da cartola, e de tanto se embrenhar num plano de jogo para travar o adversário se esquece da sua própria equipa e da estratégia de jogo para que a sua equipa possa também jogar.
  • Espanha- Forças e Fraquezas
Espanha apresenta algumas das qualidades do Barça, mas também tem alguns dos seus defeitos e de forma mais exponenciada pela falta de Messi.

Este debate sobre Espanha jogar com um 9 mentiroso ou não, favorece-nos. Del Bosque foi campeão mundial com Espanha mas retirando algum de perfume futebolístico mais romântico que apresentava com Aragonés em 2008. Aragonês libertou os pequeninos e operou a mudança de paradigma da selecção espanhola confiando na sua qualidade de posse. No entanto não abdicou da profundidade ofensiva. Por isso jogava apenas com um médio defensivo (Marcos Senna), para que este desse liberdade a Xavi, Iniesta e todos os outros de darem a qualidade de posse, mas uma posse com mais objectividade. Tal objectividade era concedida por uma dupla de ataque com Torres e Villa que permitia à Espanha ter posse mas também poder de definição e capacidade para dar amplitude ao seu jogo e maior imprevisibilidade.

Del Bosque fez pequenas alterações mas que alteraram em termos de estilo e de estratégia o jogo espanhol. Foram as tais goleadas por 1-0 conseguidas no Mundial. Abdicou de um avançado para ter outro médio defensivo, apostando tudo num duplo pivô defensivo, com medo das transições ofensivas rivais. Com isso retirou profundidade e poder de fogo ao ataque espanhol. No entanto tal não foi tão relevante no Mundial porque o peso do ataque recaía num Villa que percorria todo o espaço ofensivo. Ora sem Villa neste Europeu, Del Bosque deu ainda mais um passo atrás. Abdicou de uma referência ofensiva, colocando Cesc como falso 9 tentando replicar a táctica do Barça.

A enorme diferença chama-se Messi. Barcelona pode jogar com esse 9 mentiroso porque esse 9 é muitas vezes Messi, e que joga com liberdade por todo o terreno e aparece na posição 9 para finalizar, mas não só. O Barça sabe que a sua posse por vezes se chocar com um adversário capaz de jogar sem bola e baixar o bloco e não deixar espaço entre linhas, pode tornar-se pouco eficaz. Com isso o Barça combate com jogadores como Alexis e Messi ou Pedro(que tem sido suplente na Roja). Jogadores rápidos, incisivos, capazes de definir as jogadas e de romperem com a previsibilidade da posse do Barça, com uma jogada individual, dando maior imprevisibilidade ao jogo do Barça.

Espanha não tem essas soluções. Tal torna o jogo espanhol, muito previsível o que não quer dizer fácil de parar. Contudo, trata-se de um jogo que geralmente tem facilidade em controlar rivais, mas dificuldades em criar oportunidades de golo. Por vezes assiste-se à andebolização do futebol. A equipa vai circulando a bola de um lado para o outro, mas não se assiste a grande penetração.

O duplo pivô com jogadores como Busquets e Xabi Alonso que pisam os mesmos terrenos, torna o jogo espanhol ainda mais centralizado. Falta largura. Essa largura devia ser dada pelos laterais.É curioso porque no jogo com a Croácia ( se bem me recordo) uma estação televisiva espanhola acompanhou os movimentos de Xavi e o que ele dizia ao longo do jogo e notou-se que era ele o líder em campo e que a sua maior preocupação era dizer aos laterais para subirem, para não ficarem amarrados atrás. Mas até aí a Espanha não tem as soluções no Barça. No Barça há Dani Alves que joga quase como um extremo e assim abre mais a defesa adversária permitindo que se abram brechas pelo meio para que Iniesta e Xavi consigam meter o passe de rutura. Dani Alves oferece variedade ao jogo ofensivo.

Espanha conta com Arbeloa que está longe de ter a capacidade técnica de Dani Alves e a sua predisposição para apoiar o ataque. Do outro lado vemos um Jordi Alba mais afoito mas que também está longe de ser a grande solução para dar largura ao jogo principalmente se se deparar com um extremo como Nani que tenha a cultura táctica para acompanhar o lateral e que, ao mesmo tempo, é capaz de ser criativo e explosivo quando tem bola no espaço.

Por isso Espanha sofreu num jogo com uma selecção como Itália que foi altamente personalizada na abordagem ao jogo. Jogou num 3-5-2 que bloqueou o meio campo espanhol. Sabendo-se que o jogo de Espanha passa todo pelo meio campo, a Itália encheu o campo de médios, encravou a saída de bola espanhola e surpreendeu-os no ataque. Espanha esperava uma Itália mais de expectativa, mas o que assistiu foi a uma Itália que queria atacar, que não perdia tempo quando recuperava a bola e que deixava dois avançados bem abertos em cunha, para impedirem a subida dos laterais espanhóis e assim deixar a Espanha refém da sua posse e incapacidade de buscar soluções nas faixas. Balotelli e Cassano pela sua mobilidade e qualidade técnica semeavam o pânico na defesa espanhola, apanhando um dos pontos fracos da Espanha que é o espaço entre o lateral e o central. Depois os 3 centrais da Itália fechavam todas as hipóteses da Espanha tentar rendilhar aquelas jogadas na área italiana. Havia sempre um defesa para fazer as compensações. Por outro lado havia um Pirlo com liberdade para receber e lançar o ataque apanhando a Espanha no momento em que é mais fraca, o momento da organização defensiva.

Espanha tal como o Barça tem como grande força o momento da transição ataque-defesa. Mais até do que a posse, é isso que distingue o jogo espanhol e do Barça e faz com que sejam estilos tão dominadores. Porque posse, muitas equipas previligiaram esse estilo ao longo da história. Nenhuma era tão boa era no exacto momento em que a perdia. Geralmente eram equipas que sofriam muito nesse momento. Espanha e o Barça não. São muito fortes no momento em que perdem a bola. Tacticamente muito evoluídos, sabem posicionar-se bem para asfixiar desde logo a saída do adversário não o deixando ter muito tempo a bola em seu poder. Tal pressão pode perfeitamente durar o jogo todo sem desgaste, porque a Espanha como sempre tem uns 70% de posse de bola, não se cansa muito. Quem tem bola cansa-se muito menos. Tal permite a frescura física para pressionar tão alto e tão forte quando se perde a bola durante 90 minutos.

O momento do jogo em que Espanha mais sofre, é quando não tem bola. Aí pode perfeitamente passar por uma equipa quase banal. Se o adversário consegue sair do momento de transição e obriga a Espanha a ter que passar para organização defensiva( tendo que recuar o bloco e esperar pelo adversário), aí é um problema. Os jogadores espanhóis não respiram sem a bola. Sofrem muito sem ela. Obviamente é utópico esperar que uma equipa consiga colocá-los tanto tempo sem a bola. Mas é possível, tal como a Itália demonstrou através de Pirlo e companhia, recuperar a bola e ter a qualidade táctica e técnica para escapar a esse cerco espanhol de pressão, e assim colocar a bola nas costas da defesa, e criar situações de 1x1 em que os defesas espanhóis podem sofrer.

Espanha tem uma vantagem. Uma quantidade enorme de soluções de enorme qualidade e variedade no banco. Daí que quando Del Bosque sente a tal falta de largura no jogo da Espanha, e quando sente que o adversário está a bloquear o jogo espanhol, tende a colocar em campo um extremo como Navas ou Pedro. Jogadores rápidos e fortes no um para um. Tal permite a que as atenções saiam do centro do terreno e que as defesas adversários tenham que dar mais espaço para poder bascular para um dos flancos. No entanto outro problema se coloca. Não obstante conseguirem criar essa desestabilização na defesa adversária, falta depois um ponta de lança na área para que se possam fazer cruzamentos.

Essa é uma vantagem para quem defende com a Espanha. Sabe que terá que ter muita concentração e sofrer muito sem bola, mas sabe também que pode quase que dar o flanco aos espanhóis porque raramente sai de lá um cruzamento. Antes vê-se o extremo a ganhar a linha e a voltar a passar para trás porque de facto não aparecem jogadores na zona de finalização. Isto é uma boa notícia para Portugal, uma vez que a maior parte dos golos que Portugal tem sofrido têm sido em lances de cruzamentos para o coração da área. Espanha marcou através de um cruzamento no jogo com a França,mas graças à subida de Jordi Alba e da felicidade de Debouchy escorregar num momento chave dando por isso todo o tempo e espaço para Jordi Alba parar, levantar a cabeça e colocar a bola na cabeça de Xabi Alonso vindo de trás. Nada a ver com aquele tipo de jogada que Portugal mais sofre que geralmente são cruzamentos no limite da pequena área em busca de um avançado de área.

Claro que também essas soluções existem mas exigiria um maior risco. A aposta em Llorente e o abdicar um pouco da coesão do meio campo para fazer um jogo mais franco. Del Bosque geralmente opta por Torres para dar a tal profundidade, mas aí perde uma solução como Cesc no meio campo. Contra Portugal e sabendo que Torres teria pela frente uma dupla como Pepe x B. Alves acredito que a opção recaírá, uma vez mais, por Cesc como falso 9.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

CR7 resolve!

Ao chapéu de Karel Poborsky em 1996, Portugal respondeu 16 anos depois com um cabeceamento certeiro de Cristiano Ronaldo. Aos 79 minutos, o capitão bateu Petr Cech e carimbou o passaporte da Selecção Portuguesa para as meias-finais do Europeu, dando justiça a um jogo em que só deu Portugal.

Em Inglaterra, Poborsky tirou Portugal do Campeonato da Europa. Agora, na Polónia e com o ex-jogador do Benfica na bancada, foi a vez de Cristiano Ronaldo fazer o mesmo à República Checa. O número 7 mostrou que os momentos decisivos que protagonizou com a Holanda não foram casos esporádicos e voltou a resolver a favor da Selecção Portuguesa, num lance em que João Moutinho também tem que ser destacado pelo cruzamento que fez.

Rui Patrício não foi chamado à prova nenhuma vez e isso diz bem daquilo que foi o jogo. Portugal foi sem dúvida melhor que o adversário e merece estar nas meias-finais da prova, depois de ter ultrapassado a República Checa e o grupo da morte. Agora, venha a Espanha e a França.

Foi dos pés de Cristiano Ronaldo que surgiu a grande ocasião de golo na primeira parte. Aos 45 minutos, já com muito pouco para jogar até ao intervalo, o capitão da Selecção Portuguesa dominou a bola de peito, amorteceu com o pé direito e rematou ao poste da baliza de Petr Cech.

Deu impressão de golo no Estádio Narodowi, mas não passou disso mesmo. A bola ao poste manteve o resultado em 0 x 0 após uma primeira parte marcada por muitas bolas perdidas e pelo facto de nenhuma equipa ter conseguido assumir o jogo.

A responsabilidade do encontro a eliminar pesava nos ombros dos jogadores de ambas as seleções. Era preciso paciência e os comandados de Paulo Bento souberam tê-la. Portugal conseguiu ter mais posse de bola e por intermédio de Cristiano Ronaldo tentou inaugurar o marcador, apesar do primeiro remate, bem defendido por Petr Cech, ter sido da autoria de João Moutinho, apenas aos dez minutos de jogo.

Através de lances de bola corrida, na conversão de livres diretos e até de pontapé de bicicleta Cristiano Ronaldo tentou colocar Portugal em vantagem, mas, apesar das tentativas, o caminho do golo não foi encontrado, mesmo depois do selecionador ter tirado Hélder Postiga, que sofreu uma lesão muscular aos 40 minutos, e colocado em campo Hugo Almeida.

A República Checa, por sua vez, preocupou-se em impedir que Portugal conseguisse impor o seu jogo. A tarefa, sem dúvida, foi bem-sucedida mas do ponto de vista ofensivo os checos quase não exisitiram e, apesar do equilíbrio, foram os portugueses os mais perigosos.

Ao contrário do que aconteceu na primeira parte, Portugal entrou na etapa complementar a assumir o jogo. A Selecção Lusa entrou bem e Hugo Almeida, logo na primeira jogada, deu conta da intenção portuguesa em chegar ao golo. Ficou o primeiro aviso, num lance em que o cabeceamento do ponta-de-lança saiu por cima.

O segundo surgiu dos pés de Cristiano Ronaldo, que voltou a ter pontaria a mais e acertou novamente no poste da baliza defendida por Petr Cech, guarda-redes que viria a ser fundamental na permanência do 0 x 0, com boas intervenções a remates de Cristiano Ronaldo, Nani e João Moutinho.

Portugal estava claramente por cima do jogo. Era a única Selecção que atacava e a República Checa tentava abrandar o ritmo de jogo. Apenas e só! Ainda assim, a Selecção das Quinas não permitiu que tal acontecesse e, na sequência de uma boa jogada de entendimento com Raul Meireles, Nani esteve muito perto do golo. Valeu aos Checos o pé salvador de Kadlec, que desviou a bola do caminho da baliza.

Sem qualquer ponta de patriotismo, Portugal já merecia o golo. A justiça tardava em ser feita mas chegou pela cabeça de Cristiano Ronaldo. O capitão que tantos criticaram marcou pela terceira vez em dois jogos e colocou Portugal nas meias-finais, após excelente cruzamento de João Moutinho.

Agora, tal como em 2000, resta a Portugal esperar por Espanha ou França nas meias-finais, sabendo que vai poder contar com, pelo menos, quatro dos cinco jogadores que estavam em risco para o encontro: João Pereira, Fábio Coentrão, Raul Meireles e Cristiano Ronaldo. Hélder Postiga é para avaliar.

Retirado de zerozero

Melhor em Campo: Cristiano Ronaldo

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Balanço da 1ª fase do Euro 2012.

O Euro 2012 entra na sua fase decisiva. A partir de agora todos os jogos serão finais. Cabe então fazer o balanço da 1ª fase como forma de analisarmos o que o resto da competição pode oferecer.

Pode-se dizer que se a qualidade se mantiver, estamos perante um bom campeonato da Europa. Temos tido um Europeu com bons jogos, equipas a apresentarem modelos de jogo interessantes, variedade na forma como se aborda o jogo ainda que tacticamente não se tenha assistido a nenhuma grande inovação como seria de se esperar.

Já vimos selecções que prometiam muito a partir, casos da Holanda e da Rússia, mas também tivemos resultados inesperados como o apuramento da Grécia e República Checa.

Em termos de organização não tem sido provavelmente o melhor exemplo, nesse aspecto o Euro 2004 em Portugal continua a ser um marco (muito nos queixamos mas quando queremos sabemos organizar algo em condições). Ainda assim, e apesar de alguns episódios de violência e de desrespeito principalmente por parte dos adeptos, também assistimos a imagens muito bonitas das bancadas e a adeptos que deram o exemplo, como o caso dos apaixonados adeptos da Irlanda. Merece também destaque a realização deste Euro que para além de uma boa transmissão dos jogos, tem tido também a capacidade de demonstrar imagens que podiam bem contar uma história.

Mas vamos aos mais e menos. Em termos puramente tácticos as selecções na sua grande maioria desdobraram-se entre o 4-2-3-1 ou o 4-4-2. O 4-3-3 de Portugal teve pouca repercussão, uma das selecções que o utilizava era a Rússia mais já foi eliminada. Destaque para o 3-5-2 de Itália. O sistema mais diferente apresentado até ao momento. Serviu muito bem para dar luta ao tiki taka espanhol e demonstrou que pode ser equilibrado e sem aquela carga defensiva atribuída sempre ao futebol italiano e ao seu catenaccio.

As arbitragens tinham vindo a ser globalmente boas ao longo da 1ª fase, mas eis que depois se espalhou ao comprido na última jornada. Jornada em que duas arbitragens beneficiaram de forma clara dois dos grandes candidatos Alemanha e Espanha, impedindo-os de serem eliminados logo na 1ª fase. Curiosamente tudo se deu após a infeliz declaração (mais uma) do presidente da Uefa Michel Platino que expressou a sua convicção (ou seria desejo ?), de que a final do Euro seria Alemanha x Espanha. Ora curiosamente, foi ele a dizer isso e um árbitro espanhol a não apitar um penalti que eliminaria a Alemanha do Euro e depois foi um árbitro alemão (o péssimo Wolfgang Stark) a não marcar duas escandalosas grandes penalidades que colocariam a Espanha fora do Euro logo na 1ª fase. Não sei se existe relação de causa-efeito, o que sei é que nunca ninguém terá dito ao senhor Platini que à noiva de Cesar não basta ser séria… Por outro lado, na última jornada do grupo D, no jogo Inglaterra x Ucrânia foi colocada a nú a idiotice que foi a invenção dos fiscais de baliza. Não servem nem para ver se a bola entra ou não na baliza. Foi dado mais um avanço para que no próximo Mundial a tecnologia sob a linha de golo seja uma realidade.

Em todos os grupos vimos jogos interessantes, uns com melhores executantes que outros, mas em todos os grupos tivemos jogos com emoção e qualidade e mesmo em grupos em que não seria de esperar tanta competitividade. Sintomático foi o facto de termos chegado à última jornada da fase de grupos sem ter ainda nenhuma selecção com o apuramento garantido. Outra mais valia foi o facto de a 1ª fase ter acabado sem que houvesse um jogo sem golos.

Vamos então fazer uma breve análise dos 4 grupos:

Grupo A

Aquele que era apontado à partida como sendo o parente pobre deste Europeu por não ter nenhuma equipa das gigantes da Europa. Parecia-me que seria um grupo em que a Rússia poderia passar de forma confortável e depois a Polónia teria condições para aproveitar o factor casa, ao contrário da Ucrânia que estava num grupo mais complicado e tinha uma selecção mais fraca.

Ora nada disto aconteceu. Daí a surpresa e a emoção testemunhadas. A Rússia entrou a atropelar a República Checa e foi a primeira selecção a encantar no Campeonato da Europa e a dar a ideia de que poderia ser uma surpresa. Acontece que, tal como noutros Europeus, a Rússia tende a ser bastante irregular. Consegue fazer um grande jogo e noutro a seguir desaparecer por completo.

Neste caso concreto deu a ideia de que foi uma selecção que se deixou dormir à sombra dos elogios do primeiro jogo e com a convicção que a qualificação estava já praticamente garantida. Por isso perdoou a Polónia no segundo jogo e acreditou que o empate seria suficiente por achar que a Grécia que até então tinha demonstrado várias limitações acabaria por estender a passadeira perante o talento russo. Esqueceram-se que os gregos são dos jogadores que mais paixão e intensidade competitiva deixam dentro das 4 linhas. Acreditam no impossível até ao último minuto, e se colocados em vantagem sabem aglomerar-se na defesa e defender cada jogada como se fosse a última, um estilo de jogo capaz de enervar uma equipa mais técnica… Portugal que o diga… A Rússia ficou também a saber agora.

A Polónia em condições normais tinha equipa para seguir em 2º. O trio de jogadores do Dortmund: Piszczek, Kuba e Lewandowski davam uma qualidade extra a uma equipa competitiva. Pena é que o treinador não acompanhasse essa qualidade e retraísse através das suas decisões tácticas e estratégicas o futebol dos polacos. Por isso, a Polónia deixou a Grécia escapar-se com um empate após uma 1ª parte em que poderia ter deixado os 3 pontos no bolso.

Estas falhas russas e polacas abriram espaço para a surpresa. Os “underdogs” asseguraram a passagem na última jornada. A República Checa que havia sido goleada na 1ª jornada e que dava a entender ser a selecção com menos potencial do Euro logo a seguir à Irlanda, e ainda a Grécia treinada pelo português F. Santos que teve que lidar com uma série de incidentes, como más arbitragens, lesões e castigos. Mesmo assim, no final, permaneceu o espírito de luta dos gregos e a sua capacidade de sacrifício. Ficam pelo caminho duas selecções que inclusive apresentaram talentos individuais que seriam facilmente destaques neste Euro, casos de : Lewandowsky, Kuba ou Dzagoev.

Grupo B

O chamado grupo da morte. Aquele que esperava-se que fosse o que oferecesse os melhores jogos. Com o vice-campeão do Mundo, e o vice-campeão da Europa. Não foram os melhores jogos, mas ainda assim assistiu-se a alguns jogos bem disputados e com emoção. Acima de tudo havia muitos craques no relvado nos jogos do grupo B.

A Alemanha confirmou todo o seu poderio e apresentou as suas credenciais que fazem dela, a meu ver, a grande favorita ao título. A selecção que apresenta mais soluções e ao mesmo tempo aproveita bem a base do Bayern de Munique a que acrescenta o talento de Ozil e a qualidade de Khedira e Hummels.

A Holanda foi a grande decepção. Três derrotas. Uma equipa afundada em problemas internos e que passou pelo Europeu sem conseguir deixar a marca do seu futebol. Uma equipa partida em campo. Tudo poderia ter sido diferente se não tivessem perdido no 1º jogo com a Dinamarca. Já previa que neste grupo a selecção que perdesse pontos com a Dinamarca seria eliminada e tal acabou mesmo por acontecer. Seria complicado para a Holanda recuperar esse prejuízo com a Alemanha e mais ainda contra Portugal numa última jornada em que iria permitir que Portugal jogasse com as suas fortes transições. Ainda assim não deixa de ser a desilusão do torneio. A própria Dinamarca com mais limitações acabou por ameaçar mais as vitórias de Portugal e Alemanha.

Neste grupo assistimos também à melhor exibição individual na 1ª fase do Europeu. Falo da exibição de CR7 frente à Holanda.

Grupo C

Um grupo que parecia fadado para ser ganho por espanhóis e italianos. Tal acabou mesmo por se verificar. Contudo, a classificação claramente não faz jus à qualidade da selecção da Croácia. Um grupo que teve jogos de excelente qualidade entre os três primeiros e que poderia muito bem ser um grupo da morte, se em vez de Irlanda tivesse outra selecção com outros argumentos. Por muito que tentasse, a velha raposa Trapattoni já tinha conseguido uma proeza enorme. Qualificar para o Europeu uma selecção com tão poucas soluções como a Irlanda é mais uma pequena estrela no brilhante currículo do técnico italiano.

A Croácia pode bem ser considerada a surpresa. Slaven Bilic demonstrou ser um excelente treinador e trouxe uma Croácia sem grandes craques, o seu nome mais sonante era Luka Modric, mas uma selecçção que apresentava um bom futebol. Uma equipa competitiva, que tentava sempre sair a jogar mesmo contra selecções com outro poderio. Fez a Itália e a Espanha suarem pela qualificação. Porventura foi a selecção mais injustiçada deste Euro, pois no último jogo com a Espanha, soube controlar o tiki taka espanhol, fazendo com que a Espanha tivesse uma posse acima dos 70% mas sem profundidade. Teve as oportunidades mais flagrantes de golo mas esbarrou num excelente Casillas e numa arbitragem tendenciosa. Uma equipa que deu uma lição de maturidade táctica e que soube sair para o contra ataque sempre com critério, através dos pés de veludo de Luka Modric. Um absoluto craque. Um dos que menos merecia sair tão cedo deste Europeu. Croácia deu ainda maior notoriedade ao seu avançado todo o terreno, Mandzukic que aos 27 anos joga no Wolfsburgo mas que demonstrou claramente que pode ser avançado para uma equipa com outras ambições.
Palavra de destaque também para o técnico Cesare Prandeli. A Itália chegava a este Euro envolta em desconfiança e muitos diriam que seria até a maior candidata a desiludir, pelos últimos resultados e exibições nos amigáveis (haviam perdido de forma copiosa com a Rússia por 3-0), e ainda pela polémica de combinação de resultados que voltou a assombrar o futebol italiano e que afectou inclusive a convocatória final da Itália. O que se viu foi uma Itália arrumada num interessante 3-5-2, aproveitando algumas das rotinas da campeã italiana, a Juventus, com dois laterais capazes de fazer o vaivém que se espera numa táctica com 3 centrais. Principalmente Maggio do lado direito foi o exemplo de jogador perfeito para encarnar este tipo de modelo de jogo.

Assim a Itália deu luta à Espanha naquele que foi o melhor jogo do Europeu até ao momento. Itália que depois deixa dois avançados bem abertos e com liberdade para infernizar as defesas adversárias. Uma dupla em que o talento e a loucura andam de mãos dadas: Cassano e Baloteli. Pode-se dizer que Baloteli é um espectáculo dentro do próprio espectáculo que é o jogo. Esta é por isso uma equipa que seduz pela forma como aborda os jogos e pela genialidade de alguns dos seus intérpretes assim como a polémica sempre associada a alguns deles. Uma Itália que tem ainda a classe de Pirlo que com tão avançada idade ainda dá cartas e mexe os cordelinhos de todo o jogo italiano. Uma Itália nada sisuda, antes pelo contrário. O Catenaccio não é a cara desta Itália que sabe ser equilibrada mas sem descurar o momento ofensivo. Prandeli demonstrou também a capacidade de se adaptar ao ter apresentado dois sistemas, pois quando necessário voltou para uma defesa de 4, se bem que admito que o 3-5-2 italiano foi o que mais me seduziu.

Espanha é uma das favoritas mas não deslumbrou. Continua a ser uma selecção dominadora, que pratica uma espécie de catenaccio ofensivo da posse. Defende-se de forma acérrima tendo a bola e não deixando o rival jogar. Contudo é uma selecção que apresenta alguns equívocos. O duplo pivô defensivo é um deles e já vem do Mundial em que a Espanha ganhou mas com um futebol que não encantava tanto como de 2008.

Acontece que com a lesão de Villa, Del Bosque acrescentou novo problema. Espanha campeã da Europa com Aragonés jogava só com um trinco e com dois avançados (Villa e Torres). Assim tinha tiki taka, mas também largura e profundidade no seu jogo, até porque Ramos subia bastante como lateral. A Espanha com Del Bosque passou para dois médios defensivos e apenas um avançado no Mundial (Villa), para agora jogar inclusive sem avançado centro declarado. Para além disso as laterais não convencem, principalmente o lado direito com Alvaro Arbeloa. A opção de Del Bosque de jogar sem um 9 claro, não foi assumida na totalidade e também essas hesitações de Del Bosque têm gerado polémica.

Espanha não pode jogar como o Barça com um 9 mentiroso pois não tem Messi. David Silva não aparece na zona 9 com a mesma facilidade, e mesmo o Barça joga com Dani Alves a dar muita largura ao jogo e assim podendo dar outras soluções quando o jogo está muito congestionado pelo meio. Para além disso não é Messi que joga a falso 9, são vários jogadores que caem nessa posição e por isso funciona. Pode ser Pedro, pode ser Alexis, pode ser Cesc Fabregas. Na forma de jogar de la Roja de Del Bosque é apenas Cesc Fabregas que aparece nessa zona. Depois sente-se que o jogo é demasiado afunilado. Daí que por vezes se opte pela entrada de um extremo como Navas, mas aí falta depois uma referência na área para dar a solução de cruzamento.

A Espanha goleou a fraca selecção da Irlanda mas demonstrou bem as suas fragilidades quer com Itália quer com a Croácia. Já há algum tempo que a selecção espanhola não sentia as suas fragilidades tão expostas pelos adversários e pode também agradecer o seu estatuto entretanto conquistado, para ter continuado em prova com uma ajudinha de Stark.

Grupo D

Um grupo que tinha dois claros favoritos. Não esperava muito da Ucrânia, mas deve-se dizer que foi o grupo em que mais se sentiu a vertente quase mística do futebol. Quase que podia ser um argumento de filme, aquele regresso de Shevshenko para disputar o Euro no seu país, o herói nacional que caminhava para a reforma mas que ainda tinha gasolina no tanque para fazer um país sonhar. E foi isso que fez com os seus dois golos que deram a vitória sobre a Suécia num jogo com uma emotividade especial por toda a simbiose entre Sheva o herói, e o seu povo.

A França demonstrou ser uma equipa a ter em conta como candidata. Uma equipa compacta, que é forte nos 4 momentos do jogo e que apresenta soluções de qualidade nas várias posições e ainda um trio ofensivo de respeito com: Ribery, Nasry e Benzema. Curiosamente fizeram exibições convincentes nos dois primeiros jogos, mas sentiu-se claramente que o melhor ainda estará para vir e que é uma selecção que pode crescer com o decorrer da competição. Talvez a 3ª força após Alemanha e Espanha. Desiludiu no último jogo com a Suécia em que sentia que o apuramento não estaria em risco e porventura não esperaria uma reacção tão enérgica da equipa sueca que já estava eliminada mas que se quis despedir com dignidade. Foi mais uma prova em que Ibrahimovic deixou a sua marca com um excelente golo, mas que mais uma vez se sentiu que o seu talento não é o suficiente para carregar esta equipa da Suécia.

Inglaterra acabou por de forma algo surpreendente por passar em primeira mesmo após sofrer para derrotar a Suécia. Não deveria contar com a falha dos franceses no último jogo.  Os ingleses não apresentam um modelo de jogo muito consolidado. Tem pechas a meio campo, onde Gerrard já é demasiado veterano e Scot Parker é uma solução banal para uma selecção que quer ter outro tipo de ambições. Inglaterra poderá ser forte em jogos partidos com espaço para atacar em velocidade pois tem jogadores potentes do meio campo para a frente casos de: Ashley Young, Wellbeck, Rooney ou Teo Walcott. Roy Hodgson substituiu Capello pouco tempo antes do Europeu, mas ainda não se notou nenhuma marca sua na equipa a não ser o facto de ter tentando inventar o menos possível. Inglaterra joga no 4-4-2 clássico de sempre. Aparentemente os ingleses apresentam um maior sentido colectivo do que apresentaram noutras fases finais, isso já será um avanço para ter mais sucesso.

Passemos então aos destaques:

Melhor selecção da 1ª fase: Alemanha. Três vitórias no grupo da morte e um modelo de jogo absolutamente consolidado. Forte candidata à vitória final.

Pior selecção da 1ª fase: República da Irlanda. Pouca qualidade. Foi já um feito ter conseguido estar presente na prova.

Maior decepção colectiva: Holanda. Mesmo sabendo-se que se encontrava no grupo mais difícil, esperava-se mais da selecção holandesa que saiu do Europeu de forma clara após três derrotas, sendo que as derrotas para a Alemanha e Portugal foram absolutamente claras em termos exibicionais.

Maior decepção individual: Robbie Van Persie. Poderia incluir aqui Arjen Robben também, mas Robben já havia iniciado um mau momento de forma no final da época desportiva no seu clube. Apenas a prolongou neste Europeu. Esperava-se era mais de Van Persie, goleador da liga inglesa e talvez o craque este ano da Premier. Marcou apenas um golo, apareceu pouco e quando apareceu revelou-se desastrado. Poucos se lembrarão da sua presença neste Europeu.

Maior surpresa colectiva: Croácia. Já se sabia da qualidade do trabalho de Slaven Bilic, mas o facto é que a Croácia apresentou um bom futebol, uma equipa capaz de se bater muito bem com potências como Itália e Espanha e o facto é que poderiam ter sido a grande sensação da prova se tivessem eliminado a campeã da Europa e do Mundo.

Maior surpresa individual: Schevshenko. Sei que poderiam esperar que escolhesse uma jovem revelação. Contudo Sheva foi mesmo a grande surpresa pela forma como se reergueu neste Euro e deixou a sua marca quando já o encaravam como um ex-jogador em actividade.

Melhor treinador da 1ª fase: Cesare Prandeli. Senti-me tentado a escolher Bilic pela qualidade de jogo dos croatas, mas Cesare Prandeli conseguiu qualificar a Itália e também com uma qualidade de jogo assinalável e surpreendendo muitos que esperaria uma selecção italiana com menor qualidade e acossada pelos escândalos do futebol italiano.

Melhor onze da 1ª fase (em 4-3-3):

G.R. - Casillas

Defesa:

Lat direito- Dibuchy
Central- Pepe
Central- Hummels
Lat. Esquerdo. F. Coentrão.

Médios:

Pirlo
Iniesta
Modric

Avançados:

CR7
Dzagoev
Mario Gomez.

2 alemães, 3 portugueses, um russo, dois espanhois, um italiano, um francês e um croata. Dois dos jogadores do onze ideal já foram eliminados. Dzagoev que marcou 3 golos com a Rússia e que foi o grande destaque do grupo A, e ainda o médio Modric, um portento de classe que saiu infelizmente cedo demais deste Europeu.

Muitos se perguntarão pela escolha de CR7 para o onze ideal. É um facto que CR7 não se destacou de igual forma nos 3 jogos, e que com a Dinamarca fez uma má exibição. Era para optar por Kuba da Polónia que merecia também esse destaque, mas aqui quis destacar a maior exibição em termos individuais neste Europei que foi a de CR7 contra a Holanda e que por si só o faz merecer um lugar neste onze, até porque Kuba, apesar de tudo, não conseguiu qualificar-se com a sua selecção para os quartos-de-final.

Escolha sempre subjectiva. Passo a bola para os leitores agora. Sintam-se livres de nos darem o vosso feedback e escolheram os vossos melhores da 1ª fase do Euro 2012.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O nosso Euro.

  • Estamos nos quartos de final

A 1ª grande prova foi superada. Passamos o cabo das tormentas que se adivinhava ser o grupo da morte. Claramente o grupo mais difícil da 1ª fase deste Euro que comportava 3 selecções campeãs da Europa. Portugal provou, uma vez mais, que se dá bem com este tipo de grupos. Mais depressa faz um brilharete quando está num grupo com grandes selecções do que quando entra num grupo com estatuto de favorito absoluto. O percurso nestes 3 jogos que nos valeram o apuramento esteve longe de ser perfeito (alguns dos defeitos foram sendo apresentados neste espaço), mas não sobram dúvidas que no final passaram as duas selecções que foram melhores.

Os portugueses gostam muito de passar do 8 para 80. Antes do Euro as sondagens diziam que a grande maioria não acreditava na passagem aos quartos, depois do jogo com a Holanda as sondagens já demonstravam que a maioria acredita que podemos ser campeões da Europa. Nada de espantar… Muitos quase que linchavam publicamente CR7 depois do jogo da Dinamarca e ele acabou por se converter em herói nacional após a magnífica exibição frente à poderosa Holanda.

No jogo em concreto Portugal voltou a cometer um erro recorrente nos seus jogos. Entrou na expectativa. Demasiado na expectativa. Portugal é uma equipa de reacção. Pouco pró-activa, parece que tem que ser espicaçada com um golo para assumir o jogo, cair em cima do adversário e potencializar as suas qualidades. A Holanda tal como já se havia previsto neste espaço entrou com tudo nos primeiros minutos e procedeu a alterações no onze dando-lhe um cariz muito ofensivo. Abdicou finalmente do duplo pivô e tentou dar maior qualidade na saída de bola com Van Der Vaart a actuar junto a De Jong e passando Snejder para um flanco para poder aparecer mais entre linhas.

Tal como se prevera aqui, Portugal teria que ter um jogo de paciência, saber controlar o ímpeto inicial dos holandeses para depois os ir enervando e jogar no erro, aproveitando as costas da sua fraca defesa. A dúvida que tínhamos era se Portugal conseguiria corrigir essa falha que vinha dos jogos anteriores que era a capacidade para sair bem em transição ofensiva. Como se esperava também, P. Bento manteve o mesmo onze mesmo com outras soluções que seriam eficazes para o tipo de jogo que nos interessava.
  • O jogo
Portugal entrou mal, permitiu o golo aos holandeses e isso poderia ser problemático, porque entrando o 2º golo a Holanda poderia reorganizar-se e voltar a um esquema mais capaz de controlar o ímpeto ofensivo de Portugal. Felizmente, tal como nos tem habituado, a nossa selecção reagiu de imediato ao golo e começou a explorar a fraca defesa holandesa, fazendo o que se pedia, deixar cada vez mais nítido o fosso existente entre a linha ofensiva e a linha média holandesa. Tal desajuste já se vinha verificando nos anteriores jogos, mas este seria claramente o jogo menos aconselhável para a Holanda arriscar-se a jogar com tantos jogadores de características ofensivas.

Não se trata tanto da entrada de Van der Vaart por si só, tal poderia resultar se a Holanda conseguisse ter posse e volume de jogo para alimentar o ataque. O problema foi juntar-se à equação o Huntelar no centro do ataque com a ideia de dar liberdade a Van Persie. Acontece que Van Persie teve ainda menos participação teve no jogo. Se tivesse Kuyt no lugar de Robben seria possível, apesar de tudo, a Holanda ter algum equílibrio na hora da transição defensiva. Desta forma, a Holanda optou de forma consciente por partir o jogo e isso claramente beneficiava o jogo português.
  • O efeito CR7
Todas as selecções que jogam com Portugal têm uma preocupação especial na marcação a CR7. Todas. Mesmo a Alemanha que é a Alemanha tem esse cuidado. Não significa que abdique do seu modelo de jogo ou que faça alterações no sistema de jogo. Em termos estratégicos encara-se o jogo com essa cautela, tentando anular esse ponto forte de Portugal. Nunca se deixa CR7 numa situação de 1x1 com o seu marcador directo, neste caso o lateral direito. Arranjam-se rotinas de forma a que a equipa saiba o que fazer quando perder a bola e como cobrir as possíveis arrancadas de CR7 pelo flanco esquerdo. Com a Alemanha por exemplo cabia a Khedira a tarefa de fechar no flanco direito ,fazendo sempre situação de superioridade. Se necessário até o central pelo lado direito fazia aproximações para encurtar o espaço.

Isto é sinal de respeito e inteligência na forma como se planeia o jogo. A Dinamarca fez o mesmo, e tentou fechar os caminhos no seu flanco para que CR7 tivesse a maior oposição possível e na hora do risco até investiu pelo seu flanco aproveitando o facto de CR7 descer menos no apoio ofensivo.

Acontece que a Holanda encarou Portugal numa situação limite. Não bastava a vitória, tinham que vencer por pelo menos dois golos. O seu selecionador assumiu o risco total. Não se preocupou na forma como a Holanda ia controlar os contra ataques de Portugal, apenas pensou no momento ofensivo da Holanda.

Com isso deixou Van der Wiel entregue à sua sorte com CR7. Ao longo da época CR7 foi uma máquina goleadora superando defesas que estavam sempre preparadas para o marcar, fosse homem a homem ou de forma zonal mas com mais que um jogador a fechar o espaço. Num jogo em que o deixam jogar como um comum jogador no 1x 1 , foi o que se viu. E então quando a Holanda arrisca tudo e passa a jogar só com 3 defesas…Aí foi o convite para Portugal acabar definitivamente com o jogo. Assistimos a uma exibição de antologia de um dos melhores jogadores do Mundo e porventura de todos os tempos. Dois golos, duas bolas aos postes, uma assistência magistral para Nani que era mais que meio golo e uma série de lances de perigo .
  • Aspectos a ter em conta
A reter em termos negativos deste jogo fica a tendência perigosa de Portugal de esperar sempre pelo adversário. O tal jogo de posse nunca se efectivou, mas desta vez Portugal assumiu-se como equipa de transições (finalmente), foi vertical e por isso conseguiu aproveitar as clareiras que a Holanda deixava atrás. Podia ter aproveitado ainda mais e merecia ter tido uma vantagem mais dilatada. Acontece que Portugal mesmo na 2ª parte deu a entender em certos momentos do jogo poder contentar-se com o empate mesmo sendo um resultado que nada garantia. Isso foi o que menos gostei de ver. Até porque se percebia que se Portugal carregasse um pouco sobre o adversário conseguia resolver o jogo e escusava de se estar a colocar dependente do jogo da Dinamarca.

P. Bento não alterando a equipa foi inteligente na forma como soube admitir a falha no jogo anterior em relação à cobertura dada a Coentrão ou à falta dela neste caso. Meireles iniciou essas funções mas por ser um jogador de rápido desgaste, agravado, ainda para mais, com uma época com muitos jogos, Moutinho aproximou-se mais da zona interior esquerda e foi decisivo. Muito bem nos apoios, foi muitas vezes o bombeiro de serviço, libertando M. Veloso para ter mais tempo e espaço para meter o passe de transição. M. Veloso tem sido a grande surpresa de Portugal neste Europeu, principalmente pela forma concentrada que tem abordado os jogos, naquela que era uma das suas pechas. Depois sabendo das suas limitações físicas, o facto é que ele tudo tem feito para estar à altura no que diz respeito à recuperação e desarme. No jogo com a Alemanha não esteve tão bem e provavelmente não era jogo para um trinco com as suas características. No jogo com a Dinamarca e a Holanda, por motivos diferentes, foram selecções que deram espaço para o médio mais recuado português ter tempo e espaço para pautar o jogo e assim apareceu o melhor M. Veloso.

No entanto a figura fulcral do meio campo foi mesmo Moutinho. Exibição completa. Tacticamente quase perfeita, deu o equílibrio ao lado esquerdo quando necessário, foi dos que mais bolas recuperou e desta vez deu a 3ª dimensão que faltara ao jogo do meio campo português nos jogos anteriores. Foi ele que lançou uma série de contra ataques perigosos, soube transportar a bola quando era necessário transporte e soube definir bem o tempo para meter o último passe. Preocupante é mesmo a condição física de Raul Meireles que nota-se estar de rastos e a tendência não será para Portugal apresentar mais frescura uma vez que é a única selecção que tem jogado sempre com o mesmo onze.

Deste grupo da morte, retira-se uma nota excelente para a defesa portuguesa que soube lidar com ataques complicados, mas acima de tudo consagra Pepe como o melhor central desta 1ª fase, e o melhor jogador português ao longo dos 3 primeiros jogos. Um líder autêntico.

Outra boa notícia é o facto de se sentir que mesmo com o potencial cansaço, esta selecção ainda não demonstrou o seu melhor. Mesmo com a exibição com a Holanda ficou-se claramente com a ideia que um Portugal com mais iniciativa e mais pró activo teria explorado ainda mais a defesa holandesa. Portugal ainda não atingiu o seu pique de forma nesta competição e isso é bom e dá margem para que possamos acreditar num percurso mais longo.
  • A Républica Checa
Sobre o adversário de Portugal devo confessar que muita confusão me tem feito uma série de chavões que têm sido difundidos. Obviamente que compreendo a necessidade de manter os pés na terra e deixar os jogadores em alerta, para que respeitem a República Checa e não tenham a tendência em facilitar. Mas temos que ser também conscientes e racionais.

Portugal tem melhores jogadores que a República Checa e apresenta um jogo mais consistente mesmo neste Euro. Portugal em condições normais tem a obrigação de ganhar à República Checa e tem que se assumir isso sem pudores. Mais ainda. Portugal após passar o grupo da morte ganha outro elã e outra responsabilidade. Depois de enfrentarmos selecções bem mais fortes que a República Checa e passarmos, seria um fracasso de todo o tamanho sermos eliminados pela República Checa. Temos que ser pragmáticos neste aspecto. Quartos de final não podem ser o fim da linha desta selecção após passar pelo que passou. Tudo o que seja menos que as meias finais é um fracasso. Temos que nos mentalizar que passar a fase de grupos não chega. Temos que ambicionar mais. A qualidade de jogadores como: Pepe, Fábio Coentrão, Moutinho, Meireles, Nani , CR7 etc assim o merece.
  • Combatendo mitos e chavões
Assim que chega de aludir para o Euro 96 em que eles nos eliminaram chegando à final. Muita coisa mudou. Essa República Checa era bem superior a esta actual. O momento era outro, Portugal tinha pouca experiência em fases finais, ainda não tinha um melhor do Mundo como temos agora. Portugal tem hoje outro peso e outra responsabilidade neste tipo de competições. Temos que o assumir.

E convém salientar (e isso tem sido esquecido) que não há nenhuma espécie de malapata com os checos e que essa vingança já aconteceu. Engraçado que todos têm falado do jogo no euro 96 mas poucos recordam que Portugal já eliminou a Rep. Checa no euro 2008 ganhando na fase de grupos por 3-1. Curiosamente na época com uma grande exibição de… CR7. Um golo, uma assistência para o 3º golo de Portugal e participação no 1º golo de Portugal marcado por Deco.

Essa selecção checa tinha algumas daquelas que ainda são as suas maiores figuras hoje como são o caso de Petr Cech e Plasil. Faltava Rosicky que é o único nome maior desta Republica Checa que joga numa equipa de topo na Europa e mesmo assim sem o brilhantismo que já teve noutros tempos. A Republica Checa em 2008 partia com mais expectativas e com uma equipa mais forte, mais coesa e com maior qualidade na defesa acima de tudo com uma defesa mais experiente e de maior experiência internacional como eram os casos de: Grygera (jogava na Juve), Ufalusi (capitão e titular da Fiorentina), Rozenhal (Newcastle) e Jankulovsky (AC Milan).

Para termos uma ideia, a linha defensiva actual da Rep. Checa é constituída por: Gebre Selassie (Slovan Liberec), Sivok (Besiktas), Kadlek ( B. Leverkussen) e Limbersky (Viktoria Plzen). Creio que claramente esta defesa tem menos qualidade e acima de tudo menos rodagem em grandes ligas. Dois dos defesas ainda jogam na liga checa.

No meio campo encontra-se talvez a maior qualidade desta equipa. Hubschman dá equílibrio ao meio campo e Plasil e Pilar conseguem dar criatividade e repentismo. Mas não deixa de ser sintomático que o jogador que tem sido mais decisivo no último terço ter sido Jiracek do Wolfsburgo que é mais um médio centro e que teve que se transformar num extremo direito nesta selecção por falta de qualidade nas opções para o ataque. Há depois o factor Milan Baros que já em 2008 não vivia a sua melhor fase e que está 4 anos mais velho…

A República Checa em 2008 chegava ao Europeu após ter ganho o seu grupo na qualificação à frente da poderosa Alemanha que seria finalista desse Europeu. Esta República Checa chega a este Europeu através do play off, tal como Portugal, eliminando a selecção de Montenegro.

Podemos também fazer a comparação de Portugal desse euro e deste. Não temos Deco e é obviamente uma baixa de vulto. Mas por outro lado temos outras soluções de qualidade que na altura não tínhamos. Logo a começar na baliza em que, claramente, demos um enorme salto qualitativo passando de Ricardo para Rui Patrício.

Na defesa temos as baixas de Ricardo Carvalho e Bosingwa. Por outro lado temos um B. Alves que não tem comprometido e que tem feito uma boa dupla com Pepe que atinge o seu maior momento de forma neste Europeu. Perdemos Bosingwa mas ganhamos um lateral esquerdo de classe mundial que em 2008 não tínhamos pois era P. Ferreira que tinha que ser adaptado à posição.

No meio campo tínhamos um Petit que já estava na fase descendente da carreira, hoje temos um M. Veloso que tem outras características mas que está a fazer tudo para dar uma volta à sua carreira fazendo um excelente europeu. Moutinho é um dos elos de ligação entre as duas equipas. Mantêm-se no meio campo com a companhia do campeão europeu de clubes Raul Meireles que em 2008 era suplente.

No ataque deu-se o maior salto qualitativo. Simão deu finalmente lugar a um Nani que o deixa a uma enorme distância em termos qualitativos e em relação ao que pode dar à nossa selecção. CR7 mantém-se e temos Postiga no lugar de N. Gomes a ponta de lança. Não creio que tenhamos piorado com a mudança e ainda temos o jovem N. Oliveira no banco, uma solução diferente para o centro do ataque que não tínhamos em 2008.
  • O caminho até aos quartos de final
Outro argumento é o de que a República Checa venceu o grupo A deste Euro e que isso deve ser motivo de preocupação. Devemos analisar bem as circunstâncias. O grupo A era claramente o grupo mais fraco deste Euro. A Rússia parecia ter tudo para passar sem grandes dificuldades após atropelar esta mesma República Checa no primeiro jogo. A Rússia e mesmo a Polónia podem queixar-se de si mesmas no falhanço deste apuramento, ambas, mas principalmente a Russia tiveram oportunidade para fechar o apuramento e deixaram tudo para a última. Rússia embandeirou em arco após a primeira vitória e os elogios e no 2º jogo teve a Polónia à mercê e não deu o golpe de misericórdia achando que o empate seria suficiente. Não contava com uma Grécia que mesmo com várias limitações e incidentes ao longo da fase de grupos, é uma equipa com grande carácter, com jogadores aguerridos que acreditam no impossível sempre até ao fim e que se se colocam em vantagem defendem-se muito e de forma acertada.

A República Checa pelos pingos de chuva acabou por passar em 1º. Por causa do deslize enorme da Rússia que com outra seriedade teria ganho o grupo. Os checos que nos três jogos ganharam dois e perderam um tal como Portugal. Curiosamente o jogo que perderam foi com a selecção que tinha um estilo de jogo mais parecido com o que pratica a nossa selecção… E a derrota foi clara e perante uma selecção com mais qualidade individual como tem a nossa. Portugal perdeu o 1º jogo contra a candidata Alemanha e num jogo em que podia claramente ter empatado. A República Checa levou um banho de bola da Rússia no 1º jogo.

No 2º jogo a República Checa aproveitou o facto da Grécia ter tido que lidar com uma série de limitações decorrentes de castigos e lesões que a obrigaram a retocar a defesa e a perderem a referência Katsouranis a meio campo tendo-o que o deslocar para a defesa. Num jogo algo atípico, a República Checa já ganhava por 2-0 aos 5 minutos a uma Grécia que demorou a organizar-se. Mesmo assim uma Grécia que com todas as suas limitações no momento da organização ofensiva, conseguiu reduzir para 2-1, deixando a República Checa com uma magra vantagem no final.

Com a Polónia, tratou-se de um jogo que tinha toda a cara de empate mas que os checos aproveitaram o desnorte polaco quando estes viram a hipótese de o Euro se escapar em sua própria casa. Polacos que, diga-se de passagem, muito devem a si próprios pela forma pouco ousada como o seu treinador escalou a equipa e como mexeu desde o banco num jogo chave como o que disputou frente à Grécia em que poderia ter garantido uma vitória segura e acabaram a ter a hipótese até de saírem derrotados. Uma Polónia que está longe de ser uma grande selecção, mesmo tendo aquele trio do Dortmund com muita qualidade.
  • Assim que coloquemos tudo em perspectiva
No início do Euro se nos dissessem que apanharíamos os checos nos quartos todos assinariam por baixo. Até nisso acho que tivemos alguma sorte. Calhou-nos a melhor selecção para as nossas características daquele grupo. Os russos também encaixariam bem na nossa forma de jogar mais tinham outro tipo de soluções individuais que a República Checa não tem. Bem pior seria o reencontro com os gregos. Ainda que não fosse nenhum drama, o facto é que são uma equipa que pratica um estilo de jogo que enerva os portugueses e tem uma forma de se concentrar na defesa que nos deixaria sem espaços para poder aproveitar as nossas transições rápidas. E se marcassem primeiro, então seria um enorme problema.

Obviamente que a Republica Checa não nos dará o espaço que deu a Holanda, mas também não terão o espírito de sacrifício nem a capacidade defensiva que teria a Grécia. A República Checa é uma equipa que gosta de sair a jogar e que apesar de ter melhorado defensivamente com a entrada de Hubschman para trinco, continua a ter algumas debilidades na sua zona defensiva, principalmente nos dois centrais. O lateral direito Gebre Selassie tem sido um dos destaques deste Euro, principalmente pela sua propensão ofensiva, mas terá pela frente CR7 e isso pode e deve inibi-lo de subir tanto e assim, dessa forma, Portugal já retira um dos pontos fortes do jogo checo que é a profundidade e largura que os laterais checos conseguem dar ao jogo, principalmente o lateral direito.

Portugal mais do que se preocupar com a forma de jogar dos checos, tem que se preocupar em rectificar a sua atitude em campo. Temos que assumir o jogo, mais que noutros jogos. Neste jogo a tal posse terá que ser uma realidade. Temos que nos sentir cómodos com bola, e ter a dinâmica de variar o flanco de jogo e desposicionar a defesa chega, tendo em atenção à linha média dos checos que tem alguma qualidade. Nesse aspecto, será importante que a linha defensiva portuguesa suba na pressão junto do meio campo, para não dar espaço à linha média dos checos obrigando-os a ter que partir o jogo e a jogar directo, permitindo assim a Portugal uma recuperação e uma rápida saída para o contra ataque. Não podemos é entrar numa de expectativa de ver o que dá o jogo e de continuar a jogar apenas por reacção. Até agora temos conseguido recuperar, mas chegará o momento em que uma selecção conseguirá fechar e guardar uma vantagem. Por isso mais vale começar a atacar e a querer resolver o jogo e marcar o mais cedo possível para assim podermos envolver mais os checos e obriga-los a sair ainda mais para o jogo, os laterais a subirem e assim deixarem espaço para Nani e CR7.

Espera-se muita luta a meio campo, logo será importante que Paulo Bento pondere bem a gestão física dos elementos desse sector, principalmente perceber quando Meireles deixar de conseguir dar o que dele se espera e saiba meter um jogador capaz de nos ajudar a ganhar o meio campo e manter a capacidade de sair em transição.

Posto isto, apetece dizer que deixem-se de tretas, joguem à bola e ganhem aos checos porque somos melhores e temos a obrigação de o demonstrar em campo. Custou-nos muito chegar até aqui, não podemos deixar que este Euro acabe aos pés de uma República Checa que está longe de ser temível e que, a meu ver, foi até provavelmente a selecção mais fraca a passar para os quartos de final. Noutros grupos vimos equipas bem mais fortes a ficarem pelo caminho e que no grupo da República Checa passariam, casos da Holanda, Dinamarca, Croácia e a que for eliminada no grupo D. Mesmo a Suécia de Ibrahimovic teria grandes hipóteses de se apurar no grupo A ou pelo menos de lutar por esse apuramento.

Vi quase todos os jogos da primeira fase e posso mesmo afirmar que achei a República Checa a equipa mais fraca a seguir à República da Irlanda. Diria que ficava junto da Grécia, mas a Grécia é uma selecção que para a nossa forma de jogar seria bem mais perigosa. Não pode haver desculpas. É para ganhar e seguir para as meias finais! Força Portuga!