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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um Tribunal Verdadeiro Arrasa um Tribunal de Opereta

Vejam lá o que estava para acontecer. O Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS) anulou o arquivamento de uma queixa do Benfica contra Bruno de Carvalho relativa ao “caso dos vouchers” arrasando a fundamentação apresentada.
 
O TCAS considerou que a decisão tomada a 6 de Dezembro do ano passado é “deficiente e obscura quanto à sua fundamentação”. Recorde-se que o TAD tinha confirmado o arquivamento decretado pelo Conselho de Disciplina tudo farinha do mesmo saco. 
 
Este caso começou quando o Benfica apresentou uma participação contra as declarações de Bruno de Carvalho na TVI24 sobre o caso dos vouchers e outras ofertas dadas aos árbitros que visitavam o clube da treta, considerando que “eram lesivas da honra e reputação do clube”. O que aconteceu agora é que a decisão do Tribunal Administrativo arrasa o TAD, sem possibilidade de recurso, e o arquivamento cai por terra. Deve ter sido por isso que o TAD já tinha organizado um “Curso Breve” para o clube que “faz a coisa pelo outro lado”.
Como os meus amigos se recordam este TAD nasceu em 20 de Setembro de 2010 criado por despacho governamental conjunto do Ministério da Justiça e da Presidência do Conselho de Ministros que através da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto se lembraram desta bizarria com a finalidade de se “alcançar uma justiça especializada mais célere e segura”.
 
A primeira dúvida que me surgiu foi o de perceber o motivo pelo qual tendo o Futebol uma legislação interna própria, através dos Regulamentos da Liga e FPF, Comissões de Disciplina, Conselhos de Justiça, e Plenários, se tornou necessário constituir um Tribunal unicamente voltado para a modalidade quando, os eventuais litigantes tinham (tem) a possibilidade de “subir” aos Tribunais da Relação, Administrativos, Constitucional, e até recorrer a organismos de cúpula da modalidade como nos recentes casos bem nossos conhecidos, da UEFA, da FIFA e do TAS. Por outro lado, estando o nosso País obrigado a respeitar a legislação Europeia sobre a matéria por força da nossa subordinação à UEFA e à FIFA, organismos que tutelam os nossos Regulamentos, não vejo que os nossos juristas se atrevam a modificar leis existentes, tanto mais que, qualquer legislação a ser aprovada só pode ser no local próprio, na Assembleia da Republica.
Engraçada foi também a corrida à formação do colégio de árbitros (melhor dizendo, juízes) que terão que julgar eventuais diferendos entre as partes litigantes. Como não poderia deixar de ser o TAD está pejado daquela cambada de comentadores e pseudonotáveis encarnados que mais não fazem do que defender os interesses da sua “instituição”.
 
Com meia dúzia de casos já tratados, salienta-se por exemplo em Dezembro de 2016 um acórdão do TAD que reapreciou a decisão do CD da FPF relativa a um jogo do campeonato de FUTSAL da época passada: retirou a derrota ao Benfica numa partida realizada com o Belenenses tendo por base a infração disciplinar de transmissão televisiva desse jogo sem autorização da FPF. 
 
Outro ainda foi o da anulação das penas que haviam sido impostas pelo CD ao presidente Luís Filipe Vieira que havia sido suspenso por 60 dias a 15 de Novembro de 2016 por criticar João Ferreira (lembram-se dele? “Pode ser o João!”) vice-presidente do CA da FPF. Como começava a dar barraca tamanha proteção ao clube da treta uma decisão histórica de um Tribunal Administrativo (ver primeiro parágrafo) revogou a decisão do TAD de arquivar uma queixa do Benfica contra Bruno de Carvalho e fazer voltar tudo ao princípio.
 
Estaremos atentos

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Aposta Suja

É o título de um livro publicado há cerca de dois anos por Luís Aguilar, jornalista, autor, cronista e comentador que aborda o chamado match-fixing cuja tradução livre será “jogo fixado” (jogo controlado). Uma viagem ao mundo dos resultados combinados.
Na introdução o autor alerta-nos para o que está aí para vir. “Prepara-te. Não vai ser fácil. Este jogo está viciado. Comprado. Adulterado. Encenado. Todos sabem. Menos tu. Ficas na escuridão. Iludido. Mas nem tudo é o que parece. Aquela reviravolta, aquele jogo dramático, aquela goleada épica. Afinal não foi bem assim. Foste enganado. Fomos enganados. Este é o lado negro do futebol. Aquele que ninguém nos quer mostrar. Grupos de crime organizado combinam jogos em todo o mundo e tem lucros milionários nos mercados ilegais de apostas. Jogadores, treinadores, árbitros, empresários e dirigentes aceitam subornos para manipular resultados…"

E ao longo das cerca de 200 páginas são citados casos, exemplos, acontecimentos que fizeram com que, por exemplo a UEFA, tenha criado um grupo especial para combater este novo tipo de crime, uma mescla de suborno/corrupção. Recentemente a Federação Portuguesa de Futebol anunciou um acordo de cooperação com a Sportradar a ter início já em 2017

Os meus amigos já perceberam que este arrazoado todo terá que ver com a anulação do jogo Feirense X Rio Ave por ter, segundo fonte da Santa Casa, surgido “um fluxo anormal de apostas”, entre as quais, uma de 100 mil euros. O referido jogo foi então anulado seguindo uma participação com pedido de averiguações para a Polícia Judiciária.
Evidentemente que os jogadores e staff das equipas intervenientes sentiram-se visados tendo reagido, cada qual à sua maneira, na defesa do seu bom nome. Acredito que o caso não tenha nada a ver com nenhum daqueles clubes mas sim pelo facto, aparentemente anormal, da quantidade de apostas envolvidas. É que um dos argumentos da Santa Casa foi “o risco financeiro envolvido”. A partir daqui eu que sou um pobre apostador de meia dúzia de euros semanais deverei, antes de apostar, pensar duas vezes se vou prejudicar aquela instituição!

Não sei em que medida os vouchers e o colinho entram neste esquema. Devemos continuar atentos porque alguns sinais vindos “da reação” (leia-se clube do regime) não são nada animadores. Por agora, aguardemos os resultados da investigação e vamos estar atentos à próxima jornada uefeira, essa sim, que nos pode trazer bons proveitos.

Até à próxima

domingo, 30 de outubro de 2016

Venha mais um voucher sff!

Imagem retirada de zerozero

Efectivamente venha um voucher para João Pinheiro e sua equipa de arbitragem pelo excelente serviço prestado à nação benfiquista no Estádio do Bonfim!

Ao contrário do que os “pseudo” comentadores - sempre muito ávidos no elogio ao “encarnado” - sou da opinião de que o Futebol Clube do Porto fez o suficiente para vencer em Setúbal, mas um cavalheiro vestido de “encarnado” (coincidências…) não o deixou ao não ter assinalado três (3!) grandes penalidades a favor dos Dragões! E como se não bastasse, eis que João Pinheiro deixou que os sadinos jogassem o seu futebol violento sem a mais pequena advertência… Só para que se tenha uma ideia, somente ao minuto 42 vimos o cavalheiro do apito a exibir um cartão amarelo a um jogador do Setúbal (jogador este que vinha cometendo faltas atrás de faltas). Mas pronto, havia que criar uma “almofada” para o caso de as coisas correrem mal ao SL Benfica na próxima jornada. Adiante.

Entrando agora no jogo jogado – aquilo que mais me interessa – mantenho o que disse. O FC Porto não jogou mal. Já o Vitória FC não jogou absolutamente nada (pergunto-me o que faz uma equipa destas na divisão principal do nosso futebol). Então o que poderiam os Azuis e Brancos ter feito de melhor? Ter sido mais eficazes na altura de empurrar a “redondinha” para dentro da baliza sadina. Era escusada tanta finta na hora de rematar à baliza… Se bem que tal se compreende porque tanto André Silva como Diogo Jota tinham de fazer tudo sozinhos porque o meio campo portista estava bem lá atrás a fazer pressão sobre um qualquer adversário imaginário… Demorar 20 e poucos minutos para começar a pressionar o Setúbal à saída da sua grande área é obra!

Não percebo a razão pela qual Danilo Pereira tem de estar sempre tão recuado (quase em cima da dupla de centrais)… O moço até que tem técnica e uma boa visão de jogo, pelo que acho que este teria sido de uma utilidade tremenda a um Oliver Torres - em baixa de forma - que não teve ninguém a ajudar na tarefa de combater o super povoado meio campo setubalense… Sim, o Óliver estava sozinho porque Héctor Herrera não entrou em campo (como sempre). Ora não admira, portanto, que depois tenhamos um Futebol Clube do Porto a lateralizar o seu ataque durante quase toda a partida (com tudo o que de mau e bom isto possa ter).

Quanto às substituições - tendo em consideração a forma como tudo estava a decorrer - não creio que Nuno Espírito Santo tenha estado mal. Jogou as cartas que tinha do baralho que escolheu levar para esta partida e não creio que pudesse fazer outra coisa. Tenho lido e ouvido os “comentadores” a dizer que Nuno deveria ter apostado em Depoitre dado que a elevada estatura do belga iria permitir ao FC Porto recorrer ao “chuveirinho”. Ora bem, esta tal de “solução” já foi tentada em Tondela e ficou bem patente que o belga não serve para este tipo de jogo… Mais alguma ideia brilhante Srs. “comentadores”? Não? Bem me queria parecer. É que ainda ontem ouvi um comentador criticar Jorge Jesus porque não é com muitos avançados que se ganha um jogo. Coerências. 

Chave do Jogo: Inexistente. O Futebol Clube do Porto bem que teve várias oportunidades para sentenciar a partida (já o Vitória Futebol Clube não fez nada por isto), mas em momento algum o conseguiu fazer. Em suma; não houve lance algum que tivesse feito pender a vitória para qualquer um dos lados. 

Arbitragem: Negativa. Péssima a actuação de João Pinheiro e a sua equipa de arbitragem neste jogo. Tolerou até ao limite o antijogo dos vitorianos, permitiu que a equipa do Vitória fosse violenta q.b. e não assinalou três grandes penalidades a favor dos Dragões. 

Positivo: Iván Marcano. Quem diria que este Marcano é o mesmo que parecia uma “gelatina” nos tempos de Julen Lopetegui? Sempre muito bem posicionado e sem inventar na hora de fazer o corte. É isto que se exige a um central. Muito bem Marcano! 

Negativo: Óliver Torres. Não pelo golo escandalosamente falhado mas sim porque parece estar a atravessar um mau momento de forma. Uma troca causal por Rúben Neves não lhe faria mal nenhum.

Artigo publicado no Blog o gato no telhado

sexta-feira, 4 de março de 2016

Almoçaradas

Interessante que quando as coisas não correm bem, ou se está a preparar alguma patranha, os portugueses aproveitam-se dos almoços. Na última semana foi notícia o repasto de um grupo de fósseis num conhecido restaurante.
Luís Filipe Vieira, o carismático ladrão de camiões e fiel guardião da Porta 18; Dias da Cunha o conhecido negreiro que iniciou o descalabro financeiro dos Calimeros quase entregando o clube a uma Comissão Liquidatária; Gato Félix que aceitou como penhor de dívidas fiscais e à Segurança Social um monte de papéis (a que chamavam Ações) sem qualquer valor comercial para permitir que o clube da treta se inscrevesse no Campeonato Nacional; Alípio Dias e Filipe Pinhal do BPI que por certo o informaram do valor atual das dívidas; Fernando Seara, homem dos 7 instrumentos, uma espécie de criado de Vieira que se candidata a tudo que mexe, como por exemplo, um lugarzinho no novel TAD (Tribunal Arbitral de Desporto). Outros personagens menores compuseram o ramalhete.
Ou muito me engano ou “a coisa” teve a ver com a espetável renúncia do maior patifório que alguma vez pousou no futebol indígena, o senhor Vítor Pereira, que brincou nos últimos anos com o nosso clube, repartindo as “nomeações cirúrgicas” (eufemismo que significa roubar à fartazana) entre os dois circos da Segunda Circular. 
 
Há dias outra avis rara do jornalismo de sarjeta, Mr. Burns, almoçou com Octávio Ribeiro diretor dum pasquim asqueroso chamado CM, por coincidência defendendo sempre os interesses da instituição”. Também no início da temporada Jorge Jesus foi visto no Ritz, pois então, lambuzando Carrillo para assinar. Encontros entre dirigentes, treinadores e jornalistas são usuais para que todos possam vender o seu peixe.
 
Nunca se chegou a saber se os vouchers distribuídos às centenas pelos cãezinhos amestrados do senhor Vítor Pereira foram ou não utilizados, e por quem. Das duas uma. Ou o tal Museu não vale um charuto e os homens de preto não enfiaram o barrete, ou então deram-nos a familiares ou amigos. Também não acredito que uma refeição numa cervejaria fosse aliciante suficiente para falsearem um resultado. Para isso basta-lhes a faculdade de usarem o apito como lhes aprouver, “vislumbrarem” ou não os lances, ou simplesmente dizerem que “estavam tapados”. De resto todos sabemos porque emblema “acodem”. O da treta, pois claro. É a maior rampa de lançamento na carreira a que podem aspirar.
A grande confusão vai começar com o contar de espingardas para as eleições na FPF, marcadas para 4 de Junho de 2016. É sabido que acabou o método de Hondt (a escolha proporcional) das candidaturas em presença para o Conselho de Arbitragem (se houver mais do que uma) e o senhor Fernando Gomes anunciou a recandidatura, tendo já recolhido o apoio de alguns clubes menores, Paços de Ferreira, Penafiel e Varzim. Entretanto as eleições dos 55 delegados da Assembleia Geral da FPF vão realizar-se entre 24 de fevereiro e 30 de março de 2016. As listas candidatas aos vários órgãos sociais (Presidente, Direção, Mesa da Assembleia Geral, Conselho Fiscal, Conselho de Disciplina, Conselho de Justiça e Conselho de Arbitragem) deverão ser apresentadas até 20 de abril.
 
Esta época as intervenções do senhor Bruno de Carvalho tiveram pelo menos o condão de repartir os “roubos de catedral” por ambos os circos. Ora agora roubas tu, ora logo roubo eu. E claro estas coisas negoceiam-se à mesa deixando o nosso clube de fora. Resta saber quem marca mais almoços e com quem. Duarte Gomes anda à espreita. Se não nos mexermos muito depressinha para o ano somos comidos outra vez!
 
Até à próxima