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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O estranho caso de Ghilas.

Após várias épocas em que o F. C. Porto apresentava uma lacuna no plantel no centro do ataque, parecia ter resolvido esse problema este ano. Noutros anos na posição de ponta de lança, o Porto ora não tinha uma opção para poupar o titular ora não havia uma opção no banco capaz de o complementar para forçar situações em que fosse preciso derrubar defesas mais fechadas.
 
A questão do ponta de lança sempre foi uma questão sensível. O último ponta de lança suplente que demonstrou alguma eficácia foi Farias, mas mesmo ele era encarado como um jogador incapaz de ser titular do Porto ou de ser uma mais valia em jogos mais complicados.
 
Depois houve Kleber… O que dizer de Kleber? Uns dizem que se tratava de uma boa promessa que sucumbiu perante o peso de render Falcao... A verdade é que mesmo depois de o Porto já ter alternativas para o ataque, Kleber continuou a demonstrar ser uma das maiores nulidades das últimas décadas no centro do ataque, ao nível de um Renteria.
Sempre se reclamou que o Porto contratasse um ponta de lança de grande categoria para ser opção durante uma época longa e desgastante.
 
Esses pedidos e essas críticas adensaram-se na época passada. Porto descobriu Jackson que chegou viu e venceu, mas que nunca teve uma alternativa no banco. Isso fazia com que Jackson nunca pudesse descansar e chegou ao final da época em queda demonstrando algum desgaste complementado com algum deslumbramento.
 
O F. C. Porto falhou claramente na época passada quando deixou escapar Lima. Um jogador de qualidade reconhecida no nosso campeonato e que poderia ter reforçado o Porto. Ao não o fazer o Porto não só não ficou com um plantel mais forte como ainda permitiu que o seu maior rival ganhasse uma grande arma para o ataque ao título. Tal deslize do mercado por pouco não se revelou fatal para o F. C. Porto…
Muitas foram as queixas da falta de “banco” do Porto… A meio da época tentou-se colmatar essa pecha com Liedson… Ficou para a história o passe para o golo de Kelvin, mas a verdade é que Liedson foi um negócio muito difícil de explicar e mais ainda de ser entendido… Talvez também por isso, e não apenas pela necessidade de ter outro ponta de lança no plantel, o Porto este ano não deixou escapar Ghilas. Tal como Lima tratava-se de um ponta de lança que já havia demonstrado qualidade no nosso campeonato e tal como Lima falava-se da possibilidade de reforçar outros clubes grandes.
  • Desta vez o Porto não deixou escapar
Ghilas foi um dos destaques do campeonato passado, numa equipa que desceu de divisão, com poucos recursos. Ghilas conseguiu a proeza de marcar 13 golos no campeonato, cotando-se como o 5º melhor marcador da prova.
 
Ghilas quase que sozinho conseguia lançar o pânico nas defesas adversárias nos jogos do Moreirense, e nestas defesas acrescentamos as dos grandes…O próprio Mangala, referiu Ghilas como um dos avançados mais complicados de marcar na liga portuguesa.
 
Um jogador de grande potência, arranque forte, vigoroso nos duelos e com capacidade de percorrer todo o espaço ofensivo e não se fixar apenas entre os centrais. Um autêntico tanque no ataque capaz de deixar qualquer defesa em sentido e com excelente capacidade de finalização.
 
Acrescendo a isso é um jogador ainda com margem de progressão, tem apenas 23 anos e tem características que o fazem adaptar-se bem ao 4x3x3.
 
Tudo para ser uma aposta certa… Ora, chegados à 3ª jornada qual não é o espanto quando se olha para a folha de serviços de Ghilas e não se vê nenhum golo ( isso até seria normal visto que vinha para ser suplente), mas acima de tudo não se vê um único minuto disputado…
Entendia-se que pudesse não ter sido utilizado se o Porto tivesse tido jogos que não pediam as suas características, ou que Jackson estivesse numa forma excepcional e não precisasse de descansar uns minutos…Acontece que nenhuma das situações se verifica.
 
Até se perceberia caso Ghilas não tivesse mostrado qualidades na pré época para ser uma opção no imediato, mas até isso não se pode conceder uma vez que Ghilas até facturou contra um rival do calibre do Napoles na pré época.
 
Na supertaça o Porto ganhou com facilidade, seria uma boa oportunidade para dar minutos a Ghilas mas a opção recaiu por outras escolhas.
No arranque da Liga o Porto esteve a perder com o Setubal mas nem aí Ghilas foi opção, tal como não foi na 2ª jornada com o Marítimo… Até Iturbe que está de saída do Dragão teve direito a minutos…
A gota de água deu-se mesmo na última jornada, num jogo contra o autocarro de Costinha, de seu nome Paços de Ferreira. Um jogo fechado, Jackson a falhar oportunidades atrás de oportunidades, o tempo a passar…e o que faz Paulo Fonseca? Lança Quintero, tudo normal, mas como derradeira substituição opta por um extremo que tinha jogado na equipa b uns dias antes.
 
O Porto curiosamente termina o jogo com apenas um ponta de lança enquanto o paços até acaba com dois…
  • Fica a questão, se nem num jogo destes Ghilas é opção, quando é que será?
No jogo em que Fonseca mais se viu apertado esta época foi quando mais claudicou naquele que foi um primeiro teste à adversidade.
O jogo com o Paços e a má forma de Jackson pedia Ghilas. Aliás as circunstâncias do jogo gritavam Ghilas.
 
O mais misterioso ainda, é que vários jogadores da equipa principal têm sido lançados em jogos da equipa b para terem ritmo para estarem preparados para a qualquer momento serem lançados na equipa principal. Falamos de casos como: Kelvin, Herrera, Ricardo, Tiago Rodrigues, Reyes ou Carlos Eduardo.
 
Destes jogadores já Herrera e Ricardo foram lançados na primeira equipa. Ora se Ghilas não acumula um único minuto na equipa principal, porque não foi ele também incluído nesta nova política para a equipa b?
  • Ghilas veio apenas para ter direito a um dragon seat privilegiado à semelhança de Liedson na época passada?
Esta ausência de Ghilas torna-se ainda mais intrigante por nestes primeiros jogos da época termos assistido a um Jackson bastante perdulário, que precisa de falhar uns 4 golos feitos para marcar um por jogo. Um Jackson que parece mais preocupado em piscar o olho a uma saída ou a forçar o Porto a pagar-lhe este e o outro mundo pelo que fez apenas numa época.
 
Até para pressionar Jackson e espicaça-lo não seria oportuno dar minutos a Ghilas e permitir-lhe mostrar a Jackson que pode ser concorrência e que se calhar em 4 oportunidades até marca dois golos? Perante um jogador que parece andar a fazer um frete até ver o seu contrato renovado, porque não lhe responder com um Ghilas que chega do Moreirense cheio de vontade de se afirmar no Porto?
Mesmo em jogos como o de Paços, não seria importante testar a opção de jogar com dois jogadores no centro do ataque para ajudar a derrubar autocarros?
  • Para quando Ghilas?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Primeiras impressões do F. C. Porto versão 2013/2014

 
Começaram os primeiros amigáveis de pré-época do F.C. Porto. Não se podem considerar ainda verdadeiros testes por a preparação ainda estar muito no início e ainda haver a preocupação em dar minutos a todos os jogadores.
  • Ainda assim, já se conseguem apontar algumas nuances de P. Fonseca e algumas opções do novo treinador portista
A maior de todas passa pela inversão do triângulo a meio campo. O 4-3-3 é para manter, mas desta vez, e ao contrário do hábito instituído há vários anos no clube, poderá inverter-se o vértice do triangulo a meio campo.
Parece ser uma boa opção de P. Fonseca. Por um lado, acautela uma possível saída de Fernando, por outro faz subir Lucho mais no terreno, deixando mais próximo da zona de finalização e não lhe exigindo tanto do ponto de vista físico, tendo em vista que já não é um jovem e acreditando que ele poderá fazer a diferença no último passe, mais do que estando próximo do primeiro médio na zona de construção, uma vez que desse médio espera-se que tenha outra dinâmica.
 
Fernando pode sair ou não, mas mesmo que não saia não invalida a opção de P. Fonseca. É um facto que o “polvo” joga melhor sozinho, mas o Porto tem que criar alternativas à sua forma de jogar, e aproveitar os recursos que tem. Fernando não ficará para sempre no clube, e ao mudar os processos a meio campo, acautela essa possível saída, dotando a equipa de soluções eficazes e automatismos.
 
Espera-se que não haja um "polvo" mas sim dois jogadores capazes de trabalhar no processo defensivo mas que também se possam revezar na hora de construir ou de subir no terreno.
Por outro lado, é também aproveitar jogadores como Defour, Castro, Herrera e outros que o Porto tem no seu plantel que funcionam melhor jogando como 2º médio numa linha de dois, podendo sair a construir mais de trás ,sendo jogadores de grande pulmão que dão dinâmica ao jogo.
 
Poderia pensar-se que se tratava de uma opção mais defensiva pois passa-se a jogar num 2x1 e não num 1x2 como até aqui, mas na verdade esse segundo médio recuar uns metros até pode fazer com que o jogo da equipa seja mais ofensivo, mais vertical. Não se espera que esse 2º médio seja um médio defensivo. Espera-se que seja o primeiro médio a construir, daí que Josué tenha sido testado numa posição mais recuada do que vinha sendo habitual no Paços.
P. Fonseca espera que seja um médio capaz de virar o centro do jogo e oferecer alternativas na hora de construir no processo ofensivo. Uma pecha no Porto de Vítor Pereira que por vezes se perdia em tanta posse, e esgotava Lucho no momento da pressão.
 
Trata-se ainda de reconfigurar o modelo de jogo após a perda de Moutinho. Em vez de ter um jogador a fazer o papel que cabia a Moutinho, espera-se que sejam dois médios a compensar essa lacuna, e pede-se a Lucho que seja mais maestro e menos operário. Até porque era um problema recorrente na época passada, por momentos sentia-se que Jackson ficava muito desacompanhado na zona central e esperava muito tempo para que aparecessem apoios.
  • Erros do passado corrigidos
Esta época nota-se também que a direcção esteve atenta a erros do passado. Importantíssimo corrigir quando se ganha. Porque se se esperar pela derrota aí será tarde demais.
O F. C. Porto sagrou-se campeão, mas era visível que tinha poucas opções. O plantel era curto, e notava-se que não lutava com as mesmas armas que o seu principal rival, que podia até não ter um colectivo tão consistente ou um onze tão forte, mas que tinha muitas opções para alterar o decurso dos jogos e para poder fazer rotatividade, principalmente no ataque.
 
O F. C. Porto tratou de ir corrigindo erros esta época. Começou logo por apostar mais no mercado nacional, não se sabendo se por estratégia ou necessidade, mas uma política interessante atendendo que foi com base em políticas semelhantes que o F. C. Porto conheceu os seus anos mais vitoriosos.
  • Um dos erros corrigidos, foi a questão do ponta de lança
Há alguns anos que o Porto tem descurado esse sector, deixando geralmente a posição entregue a um só jogador de grande qualidade. O suplente quando havia nunca poderia concorrer pela titularidade, e noutras épocas teve mesmo que ser Hulk a ter que ser adaptado ao centro para enfrentar essa lacuna.
 
Depois ainda houve flops como Walter ou Kleber. Um dos maiores erros no planeamento da época passada, e que poderia mesmo ter custado o título ao F.C. Porto, foi ter deixado escapar Lima para o Benfica. Não só não garantiu um reforço de enorme qualidade e que estava já perfeitamente enquadrado ao nosso campeonato, como ainda permitiu que o seu rival ganhasse um argumento de peso na luta pelo título.
Ghilas este ano foi a resposta a esse erro. Ghilas tal como Lima, é um avançado que acrescenta potência, mobilidade e golos. Tal como Lima está já adaptado ao futebol português e tal como Lima poderia caber no plantel de qualquer um dos três grandes e representar uma mais valia.
 
Ghilas é finalmente o avançado capaz de discutir a titularidade ou pelo menos ser uma opção credível ao ponta de lança titular. Jackson fez demasiados jogos na época passada e acabou o ano de rastos. Com Ghilas o Porto ganha uma opção que pode juntar-se a Jackson em alguns jogos e dar uma opção que nem Kleber e menos ainda Liedson conseguiam dar.
 
Por outro lado é um avançado que pode assumir a titularidade sem que se perca qualidade. Não será também um avançado problemático para se ter no banco, pois trata-se de um jogador ainda jovem, que quer aprender e que vem para somar o máximo de minutos que consiga, e tem ainda uma boa margem de progressão.
  • O Porto também cometeu o erro no passado de ficar sem opções para as laterais
V. Pereira teve que adaptar centrais a laterais, algo que claramente atrapalhava a equipa no processo ofensivo. Boa decisão a de resgatar Fucile. Um jogador com muitos anos de clube, que ganha uma 2ª vida e que poderá preencher cada uma das laterais. Principalmente é muito bom para Danilo sentir que não pode relaxar e que tem que jogar muito mais do que tem feito até aqui.
  • O maior enigma actual do plantel trata-se do excesso de médios, mas acima de tudo o excesso de extremos
Saíram Atsu e James mas entraram: Ricardo, Quintero, Lica e regressou Iturbe. Pode ainda entrar Bernard. Com Varela, Kelvin e Izmailov são 7 extremos para duas posições.
 
Foi-se comentando a hipótese de emprestar Kelvin, contudo após o final da época passada e o seu papel decisivo em jogos chave, seria estranho não lhe dar uma oportunidade. Mas caso dúvidas houvesse, Kelvin já demonstrou nesta pré-época no jogo com o Marselha que merece ficar no plantel. Mesmo em termos comerciais e markting, seria um tiro ao lado. Kelvin é neste momento um ídolo entre os mais novos, e um dos jogadores mais populares e acarinhados pelos adeptos. Após aquele golo com o Benfica, o que não faltam são camisolas do Porto com o nome de Kelvin estampado. Essa vertente que Kelvin pode trazer, assim como a sua irreverência e capacidade de desencravar jogos complicados não deve ser desaproveitado.
  • Mas trata-se do jogo das cadeiras. 4 cadeiras para Kelvin, Iturbe, Lica, Ricardo, Quintero, Varela, Izmaylov e possivelmente Bernard
Alguns dirão que são várias opções mas que nenhum se afigura como titular indiscutível ou um jogador com a capacidade de ser a estrela da equipa como Hulk ou James. Mas a verdade é que o Porto parte melhor do que partia para a época passada. Tem mais opções, mais extremos. O Porto na época passada chegou a não ter James, e continuou a vencer. Regressou James e nunca mais voltou a ser o mesmo e o Porto sofria por falta de opções para os flancos.
 
Acima de tudo faltava banco ao Porto. Não nos esqueçamos que o Porto jogou na Luz com o banco mais jovem de sempre na história de clássicos recente. Em Alvalade tinha como opções para entrar Sebá e Tozé da equipa b. Os reforços de Inverno para dar mais opções foram Izmaylov e Liedson, um que já não chega com a capacidade física que o notabilizou, e outro que é um jogador reformado em actividade.
 Imaginar um banco do Porto esta época com Reyes, Maicon, Fucile, Defour, Castro, Lica, Josué e Ghilas dá claramente outra confiança. 
  • O reforço Herrera
Nota final para os primeiros apontamentos de Herrera. Gostei do que vi. Um jogador que tal como Moutinho é bastante dinâmico, toca rápido e vai buscar a bola à frente, demonstra ter bastante garra e parece dominar bem quer as transições ofensivas quer as defensivas.
Um primeiro esboço desta nova equipa que para já transparece boas ideias, bons princípios e mais armas para P. Fonseca do que as que teve V. Pereira na época passada.
  • Novo Porto
P. Fonseca quer um jogo menos mastigado em posse, menos interior, mais jogado pelos flancos, daí a o seu pedido a Izmailov que arrisque mais e vá para cima do lateral em vez de fazer sempre o passe para dentro.
 
Parece-me que será um Porto menos refém de uma cultura de posse, que tente chegar mais depressa à baliza, e dando maior profundidade e largura ao seu jogo. O que se manterá será um bloco médio alto de pressão no momento da perda da bola. A defesa continuará a jogar subida e as ordens são para pressionar o adversário logo na 1ª zona de construção.
 
Apontamentos para irmos confirmando. Caberá a P. Fonseca fazer escolhas para fechar um plantel que parece oferecer mais alternativas para uma época em que se pretende ganhar mais, e jogar ainda melhor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Izmaylov e Liédson

Não tenho por hábito fazer analises “a quente” e muitos menos quero começar a avaliar um Jogador que tenha chegado recentemente ao Dragão. Contudo não posso ficar indiferente aos reforços de Inverno que o FC Porto “resgatou” de Alvalade.
 
Marat Izmaylov e Liédson (aka Levezinho”) viram os seus passes adquiridos pelos Portistas a preços muito vantajosos. A massa adepta do FC Porto reagiu de imediato e cedo se dividiu entre o “um erro absurdo da SAD” e “grande capacidade negocial do Futebol Clube do Porto”. Sentimento este que é perfeitamente natural, embora não me identifique nem com um nem com o outro. Isto porque já aqui o disse, não sou adepto de avaliações à primeira. Gosto sempre de ver para depois opinar. 
Ora, vendo as coisas por este prisma confesso que o Russo tem sido uma agradável surpresa. Não quero aqui alimentar uma perigosa ilusão pois no Sporting Clube de Portugal Marat mostrou ser capaz do melhor e do pior… E há que dizer que o feitio do Russo é tudo menos bom. Mas apesar de tudo Ismaylov tem mostrado ser Sr. de uma técnica fabulosa e tem o condão de colocar a bola onde muito bem lhe apetece. Quase que me atrevo a dizer que o Marat me faz recordar o saudoso Kulkov que quando jogava servia-se sempre da régua e esquadro para os seus passes certeiros! 
 
Mas é como digo, ainda é cedo para se olhar para Ismaylov como uma boa/má aposta da parte de quem comanda os destinos do FC Porto.    
 
Quanto a Liédson, o meu raciocínio é o mesmo, se bem que me parece que a sua contratação não se deve à necessidade de se colmatar uma lacuna do Plantel mas sim a um tremendo erro de planeamento. Isto porque no in9cio da Temporada Vítor Pereira afirmou em muitas ocasiões que contava com Kléber e que não precisava mais do que dois Pontas de Lança para poder “atacar” as competições em que o FC Porto está envolvido, e para mais é sabido que o Futebol Clube do Porto tentou, sem sucesso, contratar Lima do Sporting Clube de Braga. E acrescente-se ainda que o mau comportamento do jovem Kléber na janela de transferências de Inverno quando foi abordado por um Clube Belga levou a que a Direcção Azul e Branca perdesse de vez a paciência com o Brasileiro.
É neste contexto que surge o “Levezinho”. Trata-se de um Jogador experiente, conhecedor do Futebol Português e que irá permitir a VP apostar num sistema diferente do 4x3x3 quando este assim o entender, mas apesar de tudo não deixa de ser uma segunda escolha que aufere de um salário bastante elevado e que sofre de uns tiques de “Vedetismo”….
 
Contudo o tempo nos dirá se a aposta num “Reformado” foi a mais inteligente ou se foi somente a possível.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mercado de sabor agridoce.

Eis que finalmente depois de tanta especulação se fecha a janela do mercado de Inverno. Pode-se dizer que estas janelas têm provocado muitas correntes de ar que têm originado constipações no Reino do Dragão.

Na de Verão foi a saída intempestiva de André Villas Boas que precipitaria a escolha do seu adjunto Vítor Pereira para o substituir. No caso de Falcao foi nefasta pelo simples facto de que se tratou de uma perda sem que fosse compensada. Como em qualquer outra constipação ou gripe, os sintomas foram vários e pouco depois se espalharam por todo o balneário e fez com que muitos jogadores do Porto entrassem na época a precisar claramente de vitaminas porque pareciam andar em campo sem grande vontade e com uma displicência total.

A janela passou e salvo algumas recaídas, tudo foi voltando aos eixos. Eis que surge nova janela e começam-se a ouvir rumores de saídas, entradas, empréstimos, regressos etc…Resultado? Nova constipação e das grandes em Barcelos. Tivemos uma exibição miserável, uma troca de braçadeira mal explicada e casos caricatos como o de vermos o melhor jogador em campo ser aquele que já estava com as malas feitas para ir para Itália.



Claro que no meio desta ventania, apareceu-nos um Comandante. Mas El Comandante neste mercado de Inverno e agora fazendo uma analogia ao Natal, trata-se daquela única prenda boa que recebemos para nos compensar dos pares e pares de meias… Assim temos com o que nos entreter e esquecer o facto de termos meias para o resto do ano como prenda tão aguardada…

Se muito se tem escrito e debatido sobre Vítor Pereira sobre a sua incapacidade de liderar esta equipa e dos seus constantes equívocos quanto às suas opções, parece-me que esse facto tem-nos feito perder de vista outros responsáveis e outros debates interessantes… Como a política desportiva da Sad ou o estado das finanças da mesma.

A Sad assumiu, desde há muitos anos, uma política de contratações que tem dado frutos e que assenta na aposta de jovens jogadores, nunca acima dos 24,25 anos, para poderem ser trabalhados e rentabilizados desportiva e financeiramente. A ideia é detectar talento precoce, transformá-lo e vende-lo para assim gerar mais-valias e manter o clube numa senda ganhadora e com solvência para investir em novo talento ano após ano.

Ora após uma venda de quase 40 milhões de um dos craques da equipa, seria de se esperar que a Sad demonstrasse algum desafogo para atacar o mercado… Nada disso. Após investir em Danilo, Alex Sandro e Defour, jogadores que viriam cobrar saídas de jogadores que acabaram por não sair… parece que nada sobrou para um ponta de lança. E assim tivemos que aguentar meia época, ser eliminados da Champions, taça de Portugal e ficar a 5 pontos do Benfica na Liga

Quando a janela de oportunidades para se rectificar esse erro voltam a abrir o que acontece? O Porto demonstra incapacidade de encontrar uma solução de qualidade indiscutível e que possa solucionar os problemas no ataque e simultaneamente ser um jogador capaz de gerar uma mais-valia para a Sad.

O que fazem então? Dão-nos um pequeno doce para não ficarmos com amargo de boca… O doce é o regresso tão desejado e saudado por todos do El Comandante Lucho Gonzalez. Abre-se uma excepção à política e contratações que visava os aspectos desportivos e financeiros, sempre a pensar nas receitas e deixando de parte qualquer tipo de sentimentalismos… Não me parece mal abrir uma excepção e que essa excepção seja Lucho Gonzalez. Se há jogador que merece essa excepção por tudo o que representa para o clube, essa excepção é Lucho.



Não embarco na visão dos pessimistas de que Lucho não virá resolver problema nenhum e que é areia para os olhos dos portistas. O regresso do El Comandante é sempre motivo de júbilo e acho que a recepção que ele teve no aeroporto Francisco Sá Carneiro foi totalmente justificada. Por tudo o que ele fez pelo clube, por aquilo que ele representa como jogador e símbolo. Por ser alguém que não quis sair e que sempre fez questão de querer voltar, mesmo tendo que sacrificar metade do seu salário para isso.

Também discordo dos que acham que Lucho não representa uma mais-valia neste momento por ter 31 anos e desempenhar funções num sector onde que não era prioritário ser reforçado. Lucho é um jogador que nenhuma grande equipa pode dizer que não se tiver a oportunidade de o contratar.

Lucho em campo pode ainda jogar 3 épocas em bom nível se não tiver lesões. Os benfiquistas que logo tentaram desvalorizar um regresso tão desejado são os mesmos que acharam o máximo quando Rui Costa voltou ao Benfica com 34 anos, sim, leram bem, 34 anos. Na época acharam que se tratava da contratação do ano… São os mesmos benfiquistas que consideram que Aimar com 34 anos é o melhor jogador da Liga na frente de Hulk e tudo… Se Aimar com 34 anos é útil ao Benfica, assim como Saviola… Então Lucho tem tudo para ser ainda mais útil ao Porto. Aimar tem a sua condição física gerida por pinças há anos. Aimar pelo seu estilo de jogo depende muito mais de estar bem fisicamente para poder arrancar, porque é um jogador de levar a bola colada ao pé. Lucho não. Lucho é um jogador de inteligência. De posicionamento táctico. Um jogador de equilíbrios. Nunca foi rápido nem nunca foi um driblador. É um maestro. Pauta o jogo da equipa através da sua colocação, leitura de jogo e capacidade de passe irrepreensível.

Num jogo do Porto que cada vez mais deixa de parte a posse e s se torna mais um jogo de transições, Lucho é o jogador ideal para sair da 1ª fase de construção e colocar a bola nas alas o mais rápido possível para apanhar adversários em contra golpe.

Fora a questão técnica, Lucho é mística. Lucho é liderança. E se há algo que tem saltado à vista este ano, é que o Porto carece de um líder no balneário e de um jogador que seja de facto um Comandante em campo. Que inspire colegas e que agregue as esperanças dos adeptos. Lucho pode ser essa figura. Por isso seja ou não para nos consolar, é um excelente reforço e um regresso que será uma mais-valia até mesmo para quando Lucho coloque um ponto final na carreira de jogador.

Mais difícil de explicar será a contratação de Janko. Conheço pouco ou nada do jogador. Mas fiando-me naquilo que vários scouters e colegas de equipa do Austríaco têm dito..trata-se de um pinheiro. Um jogador com pouca mobilidade, que joga enfiado na área e com um bom jogo aéreo.


Pode resultar ou não. O que me espanta é a inversão na política de contratações do Porto… No início da época não se contratou um ponta de lança porque se dizia que não se queria contratar por contratar… Em Janeiro diz-se que não tem dinheiro… Depois investe-se ao que tudo indica 3 milhões de euros por um jogador de 28 anos que nunca jogou numa grande liga…? Obviamente que a imprensa afecta ao Porto está a fazer o seu trabalho e está a vender-nos este pinhero como um novo Jardel quase, o homem que fez mais de 100 golos… esquecem-se é de afirmar que são 100 golos a jogar no Admira Wacker, Modling, Red Bull Salzburgo e Twente… Não são propriamente potências nem grandes ligas. Um jogador que aos 28 anos chega a um grande clube…


Um jogador que em 2008 não era convocado para a sua selecção porque perdia o lugar para Roland Linz… ex jogador de Braga e Boavista que podia ter sido do Porto pelo mesmo valor que o Porto está agora a pagar por Janko de 28 anos…Linz que faz dupla de ataque com Janko na selecção… Linz que na época custaria cerca de 3 milhões mas tratava-se de um jogador jovem e já adaptado á liga portuguesa.

Depois há a questão táctica. O Porto precisava de um pinheiro? É esse o substituto de Falcao? São essas características que melhor se encaixam no jogo da equipa? Não me parece. O Porto mais de que um finalizador, precisa de um ponta de lança capaz de jogar de costas voltadas para a baliza, capaz de segurar a bola e de participar no jogo ofensivo da equipa, capaz de tabelar com Hulk, James ou Moutinho.

Janko poderá beneficiar dos cruzamentos de Alvaro Pereira que assim ganha finalmente alguém para cruzar bolas. Mas e os extremos do Porto? São extremos abertos do estilo Capucho e Drulovic para cruzar para um Jardel? Não. Os extremos do Porto jogam muito por dentro. Quer Hulk quer James, fazem muitos movimentos para dentro para finalizar, e precisam de um ponta de lança que comunique com eles e não de um jogador que fique plantado dentro da área alheado do jogo colectivo. O ponta de lança do Porto tem que ser parte activa no processo ofensivo, tem que ter capacidade técnica para vir atrás tabelar e abrir espaços para a entrada dos extremos do Porto. Os golos não são o maior problema. Esses podem bem ficar a cargo de Hulk, James e agora de Lucho também. Há ainda a questão do Porto ter despendido 3 milhões de euros por um avançado que não poderá ser aposta na Liga Europa... Das poucas competições que o Porto podia ainda ganhar.

Por isso quando se falava em Liedson, eu falava que se a necessidade era assim tão grande, não seria má ideia pedir o empréstimo de Nuno Gomes ao Braga. Um jogador experiente, barato, que não precisaria de adaptação e que tem essas características que o Porto precisa para o ataque… Seria ainda uma alfinetada ao Benfica, como o nosso presidente tanto gosta. Ora nem de propósito, pouco depois de expressar esse desejo, o N. Gomes volta a jogar no Braga e marca o golo da vitória frente ao Marítimo…


Apetece perguntar à Sad do Poto o porquê destas opções? Se era para contratar o Jank, porque não contrataram o Linz quando puderam na altura? Enquadrava-se bem mais na política de contratações que Janko. Por ser jovem, marcar golos e ainda poder ser trabalhado e rentabilizado. Os 3 milhões de euros que o Porto gastar em Janko não serão recuperados… Estranho esta inversão de política. Parece uma contratação em desespero de causa só para dizer que trouxeram um ponta de lança…

Depois temos a questão das saídas… Guarín esperava-se a sua saída… Mas não deixa de ser preocupante que o Porto o tenha recusado vender à Juventus por uma diferença de 2 milhões de euros ( a Juve oferecia 11 o Porto queria 13), e agora acabe por emprestar Guarín ao Inter… Ou seja, o Inter terá o jogador por empréstimo para ver se serve, se não servir devolve à procedência.


Mais estranho é Porto descartar Belluschi da mesma forma…E pelos vistos sem qualquer comunicação com o treinador, visto que Belluschi já de malas feitas foi convocado para Barcelos e ainda foi a tempo de ser o melhor da equipa… O que faz o Porto com um dos elementos mais criativos do meio campo? Despacha-o por empréstimo também, mas para um clube pequeno como o Génova. Pensarão, é para tentar rentabilizar o jogador, que pela sua idade já não daria muito dinheiro… Pois, mas então e como se explica que se contrate Janko com os mesmos 28 anos e que nunca jogou numa grande liga?

O Porto agora não consegue vender os seus jogadores? Uma equipa que era um selo de qualidade para qualquer clube, e que vendia como queria e quando queria, chegou ao ridículo de ter que andar a emprestar jogadores com opção de compra para ter esperança de fazer negócio? Honestamente isto parece algo digno de uma equipa pequena. Nem o Braga faz este tipo de negócios já. Dói ver um clube que antes vendia a Real Madrid, Manchester, Barça e por bom dinheiro… agora andar a mendigar empréstimos com opção de compra e ainda para mais de jogadores internacionais e que já demonstraram a sua qualidade no clube.

Vemos Pinto da Costa muito calado assim como toda a Sad (isso já é normal)… Mas tal como a má exibição em Barcelos não nos deve coibir de pedir medidas por aquela arbitragem vergonhosa de Bruno Paixão, também não deve ser o regresso de Lucho que nos deverá fazer calar e impedir de pedir explicações à Sad por esta política de contratações e cedências e perguntar qual é o caminho que estamos a seguir e que é feito do dinheiro de anos e anos de participações na champions e realizações de mais-valias…


Para terminar, o mercado acabou por se tornar menos agreste para nós por outro motivo alheio ao clube…Yanick Djaló assinou pelo Benfica. Foi das melhores notícias que o mercado ofereceu ao FC Porto logo após o regresso de Lucho…