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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Crónica de um treino

O Feirense bateu o FC Porto por 2 x 0 e terminou o grupo no segundo lugar, deixando os Portistas na última posição e sem qualquer ponto conquistado. Com opções alternativas de ambos os lados, existiram alguns aspectos interessantes a analisar (como o losango de Peseiro).
 
Tacticamente, o arranque de jogo foi interessante para perceber duas tendências: de um lado, um 4x3x3 retraído, mas bem trabalhado, onde os princípios de Pepa se adaptaram bem às circunstâncias de uma partida onde (apesar das hipóteses matemáticas) não existia a necessidade de pegar no jogo; do outro lado, um conjunto alternativo à procura de encaixar ideias frescas e inovadoras.
 
Passou muito por aí a curiosidade de olhar este FC Porto. Numa disposição táctica de 4x4x2 em losango, sobresaíam as dinâmicas de um miolo onde Varela foi chamado a ser o estratega e as liberdades entregues aos laterais para se aventurarem no terreno. García fê-lo com mais qualidade que um Ángel que continua a pecar no cruzamento - apesar de o Espanhol ter estado melhor que em Famalicão.
 
Obviamente, as lacunas nos Azuis e Brancos ficaram patentes, não apenas em alguns posicionamentos, como também no entrosamento dos dois avançados, que ainda é escasso. Mas registaram-se pontos interessantes, quer pela liberdade do próprio Varela (interessante adivinhar como pode Bueno aparecer nestas acções), quer pelas diferentes variantes de ataque que a equipa dispõe.
 
Perante tudo isto estava um Feirense confortável e a observar tranquilo as várias experiências. Face a um FC Porto notoriamente em aprendizagem, os Fogaceiros iam aproveitando as lacunas dos Dragões e não apenas evitavam com relativa facilidade eventuais sustos, como os criavam na frente.
 
O golo, já perto do intervalo, não chocou quem assistia, pois a tal aprendizagem portista ainda se dava muito pouco ao risco ofensivo, o que fazia com que a primeira parte tivesse sido, do ponto de vista do espectáculo e oportunidades, claramente deficitária.
 
Na grande penalidade, Hélder Castro bateu Helton, alegrou os da casa e, com o auxíliodas palavras de Peseiro ao intervalo, alegrou o segundo tempo.
 
Aí, com muito maior velocidade na circulação, os Dragões ganharam mais espaços. Depois, entrou outro pormenor na equação: o aspecto mental. Numa equipa que ainda procura a serenidade, os momentos de decisão trouxeram outro défice à equipa Portista, sobretudo ao nível do passe quando o jogo acelerava.
 
Mesmo chegando com maior força à baliza de Dele, o passe passou a finalização e o desacerto continuou. Para arrumar com as contas, o Feirense fez o segundo, numa desatenção da defesa Portista aproveitado por Porcellis.
 
Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo:Suk

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Pensamento da Semana: Marega e José Sá. Uma (quase) certeza e uma incógnita

O FC Porto oficializou, esta segunda-feira, as contratações de Moussa Marega e José Sá. Os dois atletas que deixam agora o Marítimo, assinaram um acordo válido por quatro anos e meio. O contrato é válido até junho de 2020.

In: SAPO Desporto 

Confesso que é com imenso agrado que vejo o Futebol Clube do Porto a apostar, novamente, em “Jogadores baratos” que depois de bem trabalhados podem vir a render bastante dinheiro ao Clube. Uma política de sucesso que começa a ser retomada (espero) agora que Loipetegui foi embora e com ele levou a ideia de se contratar caro e com pouca margem de lucro.

Contudo fico com uma dúvida- Se Marega vem para o Dragão porque José Peseiro quer colocar o FC Porto a jogar num 4x4x2 e precisa de avançados do estilo do Franco-maliano para que a cosia funcione, já a contratação de José Sá é, para mim, uma incógnita.

José Sá é um Guarda-redes ainda em formação. Tem qualidade, muita qualidade, e não se percebe porquê razão Salin era titular da baliza do Marítimo e Sá o seu suplente. Ao ter contratado José Sá os Dragões estão a preparar o futuro da sua baliza. Penso que tal ilação é óbvia para todos. 

A +pergunta que coloco é quem irá ceder o seu lugar a José Sá. Irá Helton abandonar os relvados? Irá Casillas sair do Dragão no final da época? E se tanto uma situação como a outra que irá acontecer ao Guardião Mexicano Raúl Gudiño que é apontado como uma das grandes promessas da formação Azul e Branca e que tem estado muito bem ao serviço do FC Porto B?  Para mais José Sá é um Guardião que merece um pouco mais do que a titularidade na equipa B…

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pensamento da Semana: Começa a ser ridículo

Já há mais de uma temporada que venho dizendo que isto da “posse pela posse” não nos levaria a lado algum.

O tiki taka é um sistema de jogo que só funciona quando temos certos Jogadores e determinadas circunstâncias. Dito de outra forma; para se aplicar um futebol de posse ao estilo do FC Barcelona de Guardiola temos de ter Atletas de grande qualidade que joguem juntos há muito tempo e, sobretudo, velocidade de execução. Foi especialmente esta última componente (velocidade de execução) que fez do Barcelona uma equipa temível e que levou a Selecção Alemã á glória no último Mundial de Selecções.

Ora o que falta então ao Futebol Clube do Porto de Julen Lopetegui? 

A resposta é simples. Velocidade de execução! O futebol dos Azuis e Brancos é lento, previsível e imutável durante os 90 e poucos minutos. E tanto faz o FC Porto estar a vencer, a empatar ou a perder. Joga-se sempre na mesma velocidade. E tal sucede por opção do Treinador e não porque os Jogadores assim o determinem pois é notória a reprensão de Julen quando alguns dos seus comandados se atreve a ir contra a sua tese da posse pela pose. 

Os Técnicos adversários não são estúpidos e já há muito que perceberam o que tem de fazer para que este FC Porto de Lopetegui não consiga vencer. 

Exige-se então, com carácter de urgência, uma “mudança de chip” (tal como Luís Enrque fez na época passada no Barcelona). Mas o problema é que já estamos a chegar a Dezembro e uma mudança de sistema de jogo nesta altura do campeonato é quase impossível. E para mais Julen Lopetegui já mostrou ser dono de uma teimosia tal que chega a roçar o ridículo…

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O real problema do FC Porto

Primeiro que tudo há que dizer que não existem equipas perfeitas. O que temos são equipas que conhecem as suas fraquezas e trabalham sobre as mesmas para que possam fazer aquilo para a qual são criadas: vencer.
 
Ora o Futebol Clube do Porto não escapa a esta regra universal e como tal tem fraquezas e uma destas fraquezas não é, a meu ver, a tal falta de um criativo. Tenho para mim que o problema do FC Porto de Julen Lopetegui passa antes pelo seu modelo de jogo e não pela “inventada” ausência de um Jogador com determinadas características.
 
E sim, isto do criativo é um falso argumento criado e alimentado porque parece não querer perceber de futebol embora mostre saber muito sobre o Desporto Rei. É verdade que o Futebol Clube do Porto apresentava um futebol muito melhor na época transacta pela mesma altura em que nos encontramos (efeito Óliver), mas é também verdade que foram muitos os jogos em que o criativo espanhol não deu o seu contributo à equipa Azul e Branca e esta apresentava um bom futebol.
 
Posto isto, repito, o problema da equipa de Julen não passa pela “falta” do criativo mas sim pelo modelo de jogo. Isto porque o Basco tem uma ideia de jogo onde a sua equipa tem de ter sempre a posse da bola em todos os momentos e fases de jogo. Aconteça o que acontecer e esteja o resultado que estiver, o Futebol Clube do Porto tem de ter a posse de bola e de “entrar com ela pela baliza adversaria adentro”. Ora esta forma de estar no campo dá bons resultados em Competições curtas (como a Liga dos Campeões por exemplo) mas em Competições longas onde é a somatória de pontos a decidir o vencedor tal forma de estar não funciona e revela ser de uma frustração atroz.
 
Penso que Julen Lopetegui e o Futebol Clube do Porto só teriam a ganhar se dessem ao seu onze liberdade de adaptação às variadas fases de uma partida de futebol. Jogar em posse quando tiver de o fazer, procurar as transições rápidas quando o jogo assim o exigir e por aí adiante. È que nem o FC Barcelona acredita na tese da posse pela posse e o Bayern de Guardiola vai vencendo a nível interno porque é o Bayern.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

O real cerne da questão

Nos últimos dias tenho lido e ouvido muitas opiniões sobre o actual estado do Futebol Clube do Porto. Entre estas opiniões existem dois assuntos onde o universo Azul e Branco têm centrado a sua atenção quase na sua totalidade (senão mesmo na totalidade). São eles: a contratação de um médio criativo e a contratação de um ponta de lança.
 
Ora na minha perspectiva a maioria dos Portistas está completamente a lés do real problema que parece não querer deixar o Futebol Clube do Porto de Lopetegui: a posse pela posse.
 
Não sei se quem opina (tem direito de o fazer) tem seguido os jogos de preparação do FC Porto versão 2014/15, mas penso que o Clube pode contratar Oliver, Lucas Lima, Osvaldo e outro qualquer de craveira internacional que de nada adiantará enquanto Julen insistir na batida tecla da equipa jogar sempre em posse seja em que situação de jogo for, com tabelas até se entrar com a bola pela baliza adentro e excessiva lateralização do jogo atacante da equipa.
 
Não sou contra o facto de a equipa adoptar um sistema de posse de bola, mas os exageros nunca fizeram bem a ninguém e não me parece que estar sempre a insistir numa fórmula que o FC Barcelona já não aposta e que ao Bayern de Guardiola apenas lhe tem dado para vencer a nível interno não me parece, de forma alguma, a melhor das soluções.
 
Esta teimosia de Julen poderá não nos levar a lado algum. Contrate-se quem quiser que o problema se irá manter enquanto o nosso Basco não perceber que de nada serve andar a passear a bola de um lado para o outro sem progressão, desmarcações rápidas e alguma velocidade.
 
Vamos a ver o que vai suceder ante o Valencia de Espanha, mas será de bom-tom que se comece a pensar em outra forma de estar em campo porque o Campeonato está quase ali ao virar da esquina.
 
Uma nota final para os mais desatentos; o que aqui disse não é mais do que a minha visão sobre o actual estado do FC Porto. Nada tenho contra Julen Lopetegui (que é até uma pessoa que aprendi a admirar), mas quando achamos que algo está mal não devemos encolher os ombros e assobiar para o lado só porque um certo grupo de pessoas acha que não se pode dizer ao Treinador aquilo que achamos que este está a fazer mal.

domingo, 19 de julho de 2015

Dragão com dupla faceta vence em jogo treino

Ao segundo jogo, o segundo triunfo dos Azuis e Brancos. Sem deslumbrar, a equipa de Lopetegui aproveitou para testar o 4x4x2, com Bueno a mostrar características interessantes para jogar atrás do homem de referência. Ainda assim, foi em 4x3x3 que os Portistas conseguiram os golos, numa segunda parte onde Brahimi foi o grande destaque.
 
O arranque do desafio foi bastante morno. As atrações iniciais foram Casillas e Maxi Pereira, ambos em estreia, se bem que isso rapidamente passou para segundo plano. Existiam outros focos de interesse para observar: reforços e esquema táctico, sobretudo.
 
Nisso, Lopetegui acabou por mostrar um formato diferente da época passada. Com Imbula bem mais perto de Danilo Pereira, quase ao lado do Português, e com Bueno muito mais próximo de André Silva, a equipa actuou num 4x4x2 quase em linha.
 
Diante de um Duisburg a apresentar-se em bom plano, agressivo e aguerrido na pressão exercida, os Dragões mostravam alguma dificuldade em tratar a bola pelo corredor central, onde não havia muito espaço para as transições. Sobravam as linhas, nas quais José Ángel subiu mais do que Maxi e Varela teve mais bola do que Tello. Quer isto dizer que o fluxo atacante dos Dragões se situou mais pelo lado esquerdo.
 
Contudo, foi mesmo Bueno quem causou melhor impressão no arranque da partida. Com a camisola 10 nas costas, o Espanhol mostrou muita mobilidade e grande conhecimento dos movimentos entre linhas, quer na zona central, quer no apoio às faixas. Uma carta que promete, sem dúvida.
 
Quanto a jogo realmente dito, pode-se dizer que a primeira meia hora teve um FC Porto com mais bola, ainda que não mais perigoso que o adversário. Aos Dragões faltava quem imprimisse maior agressividade ao jogo para que este fosse mais fluido e Sérgio Oliveira, que entrou para o lugar de Imbula, conseguiu melhorar isso mesmo.
 
Foi nessa altura que o FC Porto dispôs das duas melhores ocasiões, uma por Bueno, a passe do Português, outra por Tello, assistido por Bueno, também depois de participação de Sérgio Oliveira, dessa vez na recuperação de bola.
 
Na segunda parte, já com uma revolução no resto da equipa, seria o próprio Sérgio Oliveira a inaugurar uma grande dose de oportunidades que acabariam por dar em golos.
 
Com a revolução feita por Lopetegui, a equipa aproximou-se bem mais do seu esquema tradicional, no qual se notou bem mais familiaridade nos movimentos e processos com bola. Evandro ainda disfarçou, ao tentar aproximar-se de Aboubakar, mas a sua tendência acabava por prevalecer.
 
Foi no meio-campo que se assistiu a outra boa prestação. André André voltou a mostrar calo, nervo e atitude, assim como assertividade com e sem bola. Ainda que a grande figura tenha sido Brahimi. Porque quis.
 
O Argelino dá a ideia de ser assim mesmo. Quando quer, faz maravilhas. Quando quer, faz a diferença. Quando quer, é de outro patamar. E, apesar de se tratar de um jogo de preparação, Brahimi quis. Primeiro, quis fugir no espaço e aproveitar o passe de Aboubakar para finalizar. Depois, quis servir Hernâni para o segundo. A seguir, deslumbrou-se com a boa exibição e desperdiçou um lance genial que construiu.
 
Curiosa foi, depois, a saída de Hernâni, apenas 20 minutos depois de ter entrado. Deu vaga a Adrián López e, ao mesmo tempo, o Duisburg também realizou várias alterações.
 
O jogo voltou a decair no seu ritmo e pouco mais teve de interesse. Ressalva para Martins Indi, que se deixou ultrapassar por um adversário que seguia para a baliza e que, num jogo a contar, seria expulso pela falta cometida. Aliás, falta falar das acções defensivas dos Dragões, que não foram exemplares. Apesar de não ter sofrido golos, a equipa tem ainda várias correções a fazer, o que é perfeitamente natural nesta partida.
 
Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo: Brahimi

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pensamento da Semana: Iker Casillas

1 – Começo, desde já, por dizer que estou-me a marimbar (para não dizer aqui o que realmente sinto) sobre o que dizem os familiares de Casillas. Que eu saiba o Futebol Clube do Porto contratou com os direitos desportivos de Iker Casillas e não da sua Esposa, Mãe, Pai, Tio, Sobrinha e por aí adiante. Como tal toda e qualquer declaração que não seja da autoria do Guardião Espanhol “entra a cem e sai a mil”;
 
2 – Iker Casillas é um Atleta que vai exigir muito da famosa Estrutura Azul e Branca pois trata-se de um Jogador problemático e desestabilizador de qualquer balneário. Até Vicente del Bosque, actual Seleccionador de Espanha, teve (e tem) dificuldades em lidar com o ego de Iker que desrespeita tudo e todos quando não lhe é oferecido o protagonismo que este deseja. Não tenho a mais pequena dúvida de que Iker irá arranjar problemas caso a titularidade da baliza Portista não lhe seja oferecida numa bandeja de prata;
 
3 – Ao contrário do que muito boa gente pensa e diz não foi o Real Madrid CF que fez com que Iker baixasse, drasticamente, o seu desempenho desportivo nas últimas Temporadas. Este é o argumento da malta que tem umas palas do FC Barcelona em torno dos olhos. Iker tem vindo a perder qualidades, especialmente a sair dos postes, por sua inteira culpa e a prova de tal é que nem a Selecção de Espanha se safou de tal desgosto (veja-se o desempenho terrível de Casillas no último Mundial);
 
4 – Não gostei da forma como Iker saiu de Madrid. Por sua própria iniciativa o processo de transferência para o Dragão foi sendo travado por causa de problemas financeiros. Estamos a falar de um Atleta que se diz Madridista para todo o sempre;
 
5 – A meu ver, tendo em consideração o sistema de jogo que Julen Lopetegui pretende implementar no Futebol Clube do Porto, Helton é muito melhor do que Casillas. Iker nunca foi muito bom a jogar com os pés e não me parece que seja agora que o vá ser. 
 
Em jeito de conclusão; não estou aqui a afirmar que Casillas foi uma boa ou má contratação da parte do FC Porto.
 
O facto é que o Real Madrid CF preferiu iniciar a sua Pré Temporada sem um Guarda-redes. O Clube Blanco não se esforçou minimamente pela continuidade de Iker mesmo que este passasse a ter um papel secundário na equipa.
 
Obviamente que esta foi uma cartada inteligente da parte da SAD Portista no que ao Marketing diz respeito, mas só o tempo nos dirá se a contratação de Iker é ou não uma mais-valia para o Clube.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Futebol Clube do Porto 2014/15 (IX)

Para encerrar eme definitivo o dossiê Treinador falta-me falar ainda de um aspecto muito importante e que poderá ser a chave do sucesso da próxima Temporada Azul e Branca.
 
Julen Lopetegui herdou uma pesada herança da dupla Paulo Fonseca/Luís Castro. O primeiro chegou ao Dragão com uma ideia clara no que ao sistema táctico diz respeito: implantar o 4x2x3x1 que tanto sucesso lhe tida dado no Paços de Ferreira. Fonseca pouco, e até mesmo nada, se importou com o facto de no Futebol Clube do Porto o 4x3x3 ser o sistema táctico que estava profundamente enraizado em todas as equipas do Clube há já largos anos. Fonseca ignorou também na altura que não tinha Jogadores para o tal de 4x2x3x1 e os sinais de tal foram mais do que muitos (todos nos recordamos, sem sombra de dúvida, das fragilidades defensivas da equipa).
Quando as coisas começaram a correr mal e a pressão da massa adepta a aumentar eis que o agora Treinador do SC Braga “perde completamente o rumo” e a equipa Portista deixou de ter um claro sistema de jogo. A certo momento parecia que ninguém sabia bem o que fazer em campo dado que quase tudo funcionava como os discos pedidos da Rádio festival. Luís Castro ainda “emendou” um pouco o problema mas já era tarde e este não pôde fazer melhor do que dar continuidade ao que já estava feito.
 
Temos portanto que Julen Lopetegui teve de voltar a colocar o Futebol Clube do Porto a jogar no sistema táctico com o qual o Dragão melhor se identifica e que vem sendo adoptado em todos os sues escalões de formação.
 
Só que isto de se mudar o sistema táctico não é o mesmo que mudar de camisa todos os dias. Estas coisas levam tempo porque existem determinados “tiques” e movimentos que não se perdem/criam de um momento para o outro. Por vezes uma época inteira não é suficiente para se mudar aquilo que se trabalhou na época anterior. 
E foi basicamente isto que sucedeu com o FC Porto 2014/15. Julen teve de aproveitar o que de bom tinha o Porto de Fonseca, acabar com o que de mau existia no sistema utilizado e, ao mesmo tempo, criar uma equipa competitiva que fosse capaz de dar o sue melhor em todas as frentes em que o Clube Azul e Branco esteve envolvido. 
 
É um facto incontornável Tudo isto não é mais do que aquilo que por norma se exige a um Treinador de topo como são todos os que passam pelo FC Porto e tem sucesso, mas estas coisas levam o seu tempo e exigem muita, mas mesmo muita, paciência da parte de todos os elementos que compõem uma equipa de futebol profissional.
 
È verdade que se Julen Lopetegui não tivesse optado pela rotatividade excessiva no início da época se calhar o Futebol Clube do Porto poderia ter apresentado uma alternativa devidamente trabalhada ao seu tradicional 4x3x3 quando o jogo do adversário assim o exigisse, mas não é possível construir-se uma casa a partir do telhado. 
 
Infelizmente a não existência de um sistema táctico alternativo trabalhado foi um triste facto que custou alguns pontos aos Portistas em jogos onde era preciso dar mais do que um “safanão” na equipa… 

domingo, 21 de junho de 2015

Futebol Clube do Porto 2014/15 (VII)

Continuando a minha análise ao Futebol Clube do Porto versão 2014/15, sem sair ainda do capítulo Treinador, apraz-me agora dizer o que penso sobre a táctica. 
 
Já aqui disse, e mantenho, que isto de ter muita posse sem progressão não nos leva a lado algum. Sim, é verdade que quem tem a bola domina o jogo mas quando do outro lado da barricada está uma equipa que não se importa de dar o domínio do jogo aos Dragões porque o “pontinho” lhe interessa e que estabelece como estilo de jogo o aproveitar de um erro da parte dos Azuis e Brancos para vencer a sua partida, isto da posse pela posse torna-se algo complicado. 
E mais uma vez repito o que já aqui escrevi: foi desta forma que o Futebol Clube do Porto perdeu no Dragão ante o SL Benfica. Assim como foi desta forma que os Portistas perderam na Madeira diante do CS Marítimo. E o mesmo sucedeu no amargo empate ante o CD Nacional, (também na Madeira).
 
Ora o que terá então faltado a este Futebol Clube do Porto 2014/15 que privilegia a posse de bola? Simples: variação de jogo e velocidade de execução. 
 
Variação de jogo porque, já o disse atrás, existem equipas que não se importam de dar a bola ao adversário para poder levar a cabo o seu objectivo e porque não se pode enfrentar todas as fases de uma partida a jogar sempre da mesma maneira (recorde-se que o FC Porto de Lopetegui privilegia a posse quer esteja a vencer, a empatar ou a perder).
Já a velocidade de execução teria sido a chave mestra deste Dragão “à Barcelona” que lhe teria permitido, com maior ou menor dificuldade, “quebrar” as tais equipas que não se importam de dar a posse da bola ao adversário. E, para que não surjam por aqui mal entendidos, entenda-se por velocidade de execução aquilo que é conhecido no mundo do futebol por “toca e foge” e não a corrida tresloucada defesa/ataque.
 
Para além destas duas pequenas mas grandes debilidades do sistema de jogo escolhido por Julen Lopetegui, sou da opinião que houve sempre demasiado espaço entre linhas. Tal trazia enormes dificuldades aos Jogadores Azuis e Brancos na hora de iniciar a construção de jogo tendo por vezes, e até vezes a mais, de se recorrer ao pontapé para a frente a ver no que dava. Para mais este grande espaçamento entre defesa/meio campo/ataque colocava sobre os Atletas dos Dragões uma enorme pressão pois um passe mal medido poderia ser, como foi algumas vezes, a “morte do artista”.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Futebol Clube do Porto 2014/15 (I)

Para arranque deste tópico que com toda certeza se irá estender por vários capítulos, eis que escolho como tema a desmistificação de um mito que foi muito bem explorado pelos meios de Comunicação Social anti FC Porto e que tem servido como arma de arremesso, vezes sem conta, pelos anti Lopetegui.
 
Já ando nisto do futebol há uns largos anos e como tal sinto que estou perfeitamente à vontade para poder dizer que no início de cada Temporada não existem planteis de luxo e perfeitos. O plantel perfeito e7ou de luxo é aquele que chega ao final da época com os seus objectivos cumpridos e/ou que tenha superado as expectativas. Este é um ponto que me parece estar mais do que bem assente e assimilado pro todo os que estejam de Boa-fé na análise á última Temporada do Futebol Clube do Porto.
zerozero
Para além do que já aqui expus, há que dizer que o Plantel Portista contava nas suas fileiras com 4 Jogadores emprestados (Casemiro, Oliver Torres, Tello e José Campaña). Ora não é de esperar que um Atleta emprestado esteja na equipa a 100%. O normal é o Jogador emprestado estar de corpo no Clube e de cabeça na “casa mãe” até porque o Campeonato de onde veio tem um outro estatuto que a Liga Portuguesa não tem (falo aqui, obviamente, do Campeonato Espanhol).
 
Presumo que a meio desta exposição há tenha ficado entendido por todos que, ao contrário do que se disse vezes sem conta no início da época em jeito de pressão, o plantel não era o melhor dos últimos não sei quantos anos.
 
Mas a coisa não se fica por aqui. É que já no arranque da pré-época 2014/15 tivemos o estranho “desaparecimento” de um Atleta que traria um certo equilíbrio ao Plantel. Falo de Opare que deu mais que falar pelos piores motivos do que pela sua qualidade como Futebolista. Julen Lopetegui tentou construir uma equipa onde haveria dois Atletas para cada posição, mas como o súbito desaparecimento do Ganês teve de recorrer à “emenda” Ricardo Pereira, desfalcando desta forma o plantel de um Extremo. Ricardo Pereira seria, à partida, o suplente natural de Quaresma, só que de repente o suplente de Quaresma passaria a ser ele mesmo. Não foi por mero caso que os Dragões contrataram Hernâni no “Mercado de Inverno”. Ora, na minha opinião, tal problema não se colocaria nunca num plantel dito de “luxo”.
Contudo é verdade que os empréstimos e “montagem” do plantel foram, ao que tudo indicia, da inteira responsabilidade de Julen Lopetegui, pelo que, segundo este prisma, podemos apontar o dedo ao Basco que não soube tirar o máximo proveito das suas escolhas (Ádrian López, José Campaña e José Ángel são disto um bom exemplo), mas também é preciso colocar-se em cima da mesa o facto de o Basco ter melhorado alguns dos seus escolhidos tal como sucedeu com Casemiro que até rendeu uns bons trocos aos Dragões.
 
Ainda dentro da desmistificação do mito do plantel de luxo há aqui que dizer que Julen teve de lidar com Atletas problemáticos que só dão o seu melhor quando “Rei faz anos” não obstante o Treinador ter insistido na sua utilização. Quintero é um destes maus exemplos e também podemos colocar neste lote Ricardo Quaresma que agora lhe deu para outras “artes”. E que dizer de Reyes que ´um tremendo flop que nem com três Treinadores diferentes conseguiu melhorar alguma coisa?
 
E nem vou aqui levantar a questão das lesões que surgem sempre em qualquer equipa e em qualquer altura da época, forçando o Treinador a ter de recorrer a adaptações que tem de “encaixar à pressão” num sistema que vai sendo trabalhado ao longo das competições em que o Clube participou?
Portanto; resumido e concluindo, tendo em consideração o Plantel que Julen teve à sua disposição, e sendo realistas, o Homem até que fez muito. Poderia ter feito mais? Sim poderia, mas não foi pelo Plantel que o Futebol Clube do Porto acabou a zero no final da Temporada 2014/15.

terça-feira, 17 de março de 2015

Pensamento da Semana: O cerne da questão

Depois da vitória caseira ante o Arouca de Pedro Emanuel tenho reparado que a Nação Azul e Branca se sente muito revoltada com a expulsão do Guardião Azul e Branco Fabiano, contudo tenho uma visão completamente diferente do assunto.
 
Sou da opinião de que os adeptos e associados do Futebol Clube do Porto deveriam antes “obrigar” Julen Lopetegui a não apostar em projectos que até podem ser bons mas que podem ser perigosos nesta altura do Campeonato.
 
Até que sou um grande admirador de um “Guarda-redes à Manuel Neuer” mas Fabiano está longe de ser algo de igual, ou parecido, nos tempos mais próximos. O Brasileiro poderá muito bem vir a ser o “Neuer” que o sistema de Lopetegui necessita, mas isto demora o seu tempo e se há coisa que o FC Porto não pode fazer é “pôr-se a jeito” nesta altura do Campeonato porque “eles andam aí” e estão muito nervosos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pensamento da Semana: Fazer omeletes sem ovos

O sinal de alarme terá soado no Reino do Dragão. A derrota caseira ante o Sporting Clube de Portugal por 3 bolas a 1, se não colocou a SAD/Clube, Treinador e Jogadores em sentido terá, de certeza, colocado muita gente em sobressalto.
 
Ao contrário de certos comentadores, públicos e anónimos, que de uma forma arrogante e depreciativa vinham “batendo” em Lopetegui jogo sim, jogo sim, sempre quis dar tempo ao tempo mas mantinha, e mantenho, a minha ideia de isto do tiki taka é algo de exclusivo do FC Barcelona de Pep Guardiola.
 
Já nem o actual Barcelona de Luís Enrique aposta cegamente neste modelo de jogo. Alias, nem o seu criador aposta no dito porque quando sentiu que os pilares do seu modelo de posse caminhavam para o declínio natural que a idade provoca no Ser Humano, resolveu fazer as malas e partir para Munique onde já pagou um preço elevado por ter voltado a apostar no tiki taka.
 
Tiki taka funciona na perfeição quando, por uma combinação cósmica do destino, conseguimos colocar em campo Atletas que se conhecem desde os escalões de formação como sucedeu com Messi, Iniesta, Xavi, Busquets, Puyol, Cesc, Piqué, Pedro e outros que fizeram do Barcelona de Guardiola uma máquina de jogar futebol. Quem não tiver esta fortuna do seu lado não deve, nunca, apostar nisto do tiki taka.
 
Podemos, e bem, afirmar que este modelo de jogo funcionou recentemente com a Alemanha Campeã do Mundo. Mas há que perceber que tudo se desenrolou num determinado contexto climático que exigia um futebol pausado e eficaz. E a prova de tal é que esta mesma Campeã do Mundo perde jogos oficiais com a Polónia, empata em casa com a República da irlanda e está agora num nada normal 4.º lugar do seu Grupo de Apuramento para o EURO 2016.
 
Isto para dizer que a SAD Portista apostou numa mudança radical de mentalidade e estilo para a sua equipa de futebol, mas esta aposta está a revelar-se desadequada e poderá vir a ser fatal para as naturais aspirações do Futebol Clube do Porto.
 
O Basco Lopetegui já demonstrou, por mais que uma vez, que é um fanático do tiki taka e que quer implementar tal sistema/modelo à força ao actual Plantel do FC Porto mesmo sabendo que a maioria dos Atletas chegaram esta época à Invicta. Alias, a tão debatida e contestada questão da rotatividade prende-se com esta obsessão do Basco.
 
Como tal espero sinceramente que Julen perceba de uma vez por todas que é de todo impossível fazer-se omeletes sem ovos. E espero, também, que não seja nunca preciso que a SAD tenha de perceber tal pelo Espanhol, para que não suceda o mesmo que sucedeu com Paulo Fonseca em tempos não muito distantes.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ponta de Lança. Reforçar ou não reforçar, eis q questão

Actualemnte e ainda com o mercado de transferências aberto até ao final do dia 31 de Agosto, este é o actual plantel do Futebol Clube do Porto.

Ainda ontem ouvia uma reportagem na Antena 1 onde Rodolfo Reis, uma antiga Glória dos Dragões, dizia que é fulcral a contratação de um ponta de lança para se evitar uma eventual sobrecarga do Colombiano Jackson Martinez.

Pessoalmente não me parece que seja uma necessidade assim tão grande. E tenho as minhas sinceras dúvidas de que Lopetegui esteja a seguir a mesma linha de pensamento de Rodolfo Reis. O mesmo é dizer que o FC Porto nunca esteve interessado em ponta de lança algum fosse ele Mexicano ou Chines como foi sendo avançado pelo Jornal OJOGO nos últimos tempos.

Isto porque é certo e sabido que o técnico Espanhol vai tentar implantar o “chatérrimo” mas eficaz tiki taka e este sistema de jogo não exige de forma alguma um ponta de lança no verdeiro sentido do termo. Como exemplo de tal veja-se o FC Barcelona de Guardiola que jogava com um tridente ofensivo onde David Villa, o suposto ponta de lança, jogava como extremo no apoio a Lionel Messi.

Ora perante tal e olhando para os atacantes que estão á disposição do Treinador Azul e Branco, é caso para se perguntar se a contratação de um ponta de lança é realmente uma urgência.

domingo, 3 de agosto de 2014

Já temos Campeão!

Quem acompanha a nossa Imprensa Desportiva, e não só, rapidamente se apercebeu de que já temos um Campeão. Sim o campeão da Pré temporada já está encontrado e dá pelo nome de Sporting Clube de Portugal, que tem levado a cabo uma caminhada quase invencível no Campeonato da pré época futebolística nacional.
 
Por seu turno o Sport Lisboa e Benfica está condenado a jogar na Segunda Liga dado que não consegue vencer os seus jogos tendo até agora somente duas vitórias. Tal pecúlio não lhe dá direito a outra coisa senão a descida de divisão.
 
Quanto ao Futebol Clube do Porto, Clube que interessa à malta daqui do Blog e da maioria dos que por cá passam, é uma enorme incógnita. O Dragão está ainda em construção e como não tem o mesmo número de “aficionados” na dita Imprensa pouca gente liga e opina sobre o que se vai passando no Reino Azul e Branco.
 
Acordemos então para realidade. E o que vemos então? Um conjunto de tretas! Desculpem mas é este o termo correcto: tretas!
 
Não existem Campeões na Pré temporada e muito menos alguém desce de divisão. O que interessa realmente é o arranque nas provas oficiais e quem arrancar bem terá a nas suas mãos a possibilidade de fazer um bom Campeonato.
 
É certo e sabido que de pouco serve a uma equipa de futebol ter um enorme lote de Atletas de grande qualidade se faltar a famosa dinâmica de vitórias. Dito de outra forma, quem começar a Liga Zon Sagres a vencer nem que seja por uma bola a zero irá com toda a certeza ganhar vantagem sobre quem não o conseguir fazer.
 
Ora sabendo eu como funcionam as mentes de Alvalade se porventura a coisa correr mal em Coimbra e tanto FC Porto como SL Benfica comecem bem, podem ter a certeza de que o Campeão da Pré temporada vai se rapidamente transformar numa das equipas que lutam por uma vaga na Liga Europa e a culpa vai ser de sistema, dos árbitros, do queijo, do vento, do sol, da praia e por aí adiante.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jackson Martínez

Eu gostava era de jogar basquetebol. Nasci em Quibdó uma região pobre agrícola de Colômbia há 27 anos mas, cedo com 12 anos, fui sozinho estudar para Medellín e viver com os Avós. Os meus pais tinham fracos recursos mas sempre me trataram bem e às minhas duas irmãs. O meu pai sempre gostou de jogar futebol mas teve que abandonar esse sonho quando nasci. Tinha uma pequena escola de futebol mas nunca me quis levar lá. Um dia um senhor viu-me jogar e levou-me em 2004 para o Independiente de Medellín onde marquei 65 golos em 84 jogos até 2009. No ano seguinte fui para o México representar os Jaguares de Chiapas.
Prefiro jogar com 1 ou 2 pontas-de-lança, movimento-me bem na área e marco golos de todos os feitios, com a cabeça ou os pés. Em 2012 o Futebol Clube do Porto contactou o meu clube, chegámos a um entendimento de verbas, vim para o Dragão, e tinha o presidente à minha espera no Aeroporto.
Quando se começou a falar em vir para Portugal, a primeira pessoa com quem procurei falar foi com Falcão que conhecia bem e depois com James e Guarin. Todos me disseram para vir. Encontrei uma equipa de grande qualidade, Falcão tinha saído, deram-me o número 9 e até fiquei a viver na casa onde morava. O ano passado foi fantástico, ganhámos o campeonato.
Foi a primeira vez que joguei sozinho na frente. Na Colômbia jogávamos sempre com dois avançados, até actuava mais como segundo ponta-de-lança, no entanto, aqui estou a jogar na base do 4-3-3. Não sei quantos golos poderei marcar esta temporada, estou sempre no meio de 2 ou 3 defesas. Às vezes apetece-me questionar o treinador mas já vi que no Futebol Clube do Porto, isso dá mau resultado. Também me apercebi que os nossos adversários exploram o facto de marcar menos golos do que no ano passado. Os colegas são excepcionais e tem-me apoiado muito. Obrigado por isso.
Este ano o que mais quero é vencer a Liga e ser o melhor marcador como da última vez. A imprensa estrangeira tem falado em clubes interessados nos meus serviços. Pode ser bom para mim e talvez a última oportunidade de ganhar bom dinheiro. Tenho trabalhado muito mas, de jogo para jogo, cada vez me sinto mais sozinho, por vezes tenho a impressão que ando perdido no campo. Querido Diário: Achas que os meus fans vão ficar muito zangados comigo se eu sair no fim da época? É que estou a ficar farto disto.
 
Até à próxima
 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Primeiras impressões do F. C. Porto versão 2013/2014

 
Começaram os primeiros amigáveis de pré-época do F.C. Porto. Não se podem considerar ainda verdadeiros testes por a preparação ainda estar muito no início e ainda haver a preocupação em dar minutos a todos os jogadores.
  • Ainda assim, já se conseguem apontar algumas nuances de P. Fonseca e algumas opções do novo treinador portista
A maior de todas passa pela inversão do triângulo a meio campo. O 4-3-3 é para manter, mas desta vez, e ao contrário do hábito instituído há vários anos no clube, poderá inverter-se o vértice do triangulo a meio campo.
Parece ser uma boa opção de P. Fonseca. Por um lado, acautela uma possível saída de Fernando, por outro faz subir Lucho mais no terreno, deixando mais próximo da zona de finalização e não lhe exigindo tanto do ponto de vista físico, tendo em vista que já não é um jovem e acreditando que ele poderá fazer a diferença no último passe, mais do que estando próximo do primeiro médio na zona de construção, uma vez que desse médio espera-se que tenha outra dinâmica.
 
Fernando pode sair ou não, mas mesmo que não saia não invalida a opção de P. Fonseca. É um facto que o “polvo” joga melhor sozinho, mas o Porto tem que criar alternativas à sua forma de jogar, e aproveitar os recursos que tem. Fernando não ficará para sempre no clube, e ao mudar os processos a meio campo, acautela essa possível saída, dotando a equipa de soluções eficazes e automatismos.
 
Espera-se que não haja um "polvo" mas sim dois jogadores capazes de trabalhar no processo defensivo mas que também se possam revezar na hora de construir ou de subir no terreno.
Por outro lado, é também aproveitar jogadores como Defour, Castro, Herrera e outros que o Porto tem no seu plantel que funcionam melhor jogando como 2º médio numa linha de dois, podendo sair a construir mais de trás ,sendo jogadores de grande pulmão que dão dinâmica ao jogo.
 
Poderia pensar-se que se tratava de uma opção mais defensiva pois passa-se a jogar num 2x1 e não num 1x2 como até aqui, mas na verdade esse segundo médio recuar uns metros até pode fazer com que o jogo da equipa seja mais ofensivo, mais vertical. Não se espera que esse 2º médio seja um médio defensivo. Espera-se que seja o primeiro médio a construir, daí que Josué tenha sido testado numa posição mais recuada do que vinha sendo habitual no Paços.
P. Fonseca espera que seja um médio capaz de virar o centro do jogo e oferecer alternativas na hora de construir no processo ofensivo. Uma pecha no Porto de Vítor Pereira que por vezes se perdia em tanta posse, e esgotava Lucho no momento da pressão.
 
Trata-se ainda de reconfigurar o modelo de jogo após a perda de Moutinho. Em vez de ter um jogador a fazer o papel que cabia a Moutinho, espera-se que sejam dois médios a compensar essa lacuna, e pede-se a Lucho que seja mais maestro e menos operário. Até porque era um problema recorrente na época passada, por momentos sentia-se que Jackson ficava muito desacompanhado na zona central e esperava muito tempo para que aparecessem apoios.
  • Erros do passado corrigidos
Esta época nota-se também que a direcção esteve atenta a erros do passado. Importantíssimo corrigir quando se ganha. Porque se se esperar pela derrota aí será tarde demais.
O F. C. Porto sagrou-se campeão, mas era visível que tinha poucas opções. O plantel era curto, e notava-se que não lutava com as mesmas armas que o seu principal rival, que podia até não ter um colectivo tão consistente ou um onze tão forte, mas que tinha muitas opções para alterar o decurso dos jogos e para poder fazer rotatividade, principalmente no ataque.
 
O F. C. Porto tratou de ir corrigindo erros esta época. Começou logo por apostar mais no mercado nacional, não se sabendo se por estratégia ou necessidade, mas uma política interessante atendendo que foi com base em políticas semelhantes que o F. C. Porto conheceu os seus anos mais vitoriosos.
  • Um dos erros corrigidos, foi a questão do ponta de lança
Há alguns anos que o Porto tem descurado esse sector, deixando geralmente a posição entregue a um só jogador de grande qualidade. O suplente quando havia nunca poderia concorrer pela titularidade, e noutras épocas teve mesmo que ser Hulk a ter que ser adaptado ao centro para enfrentar essa lacuna.
 
Depois ainda houve flops como Walter ou Kleber. Um dos maiores erros no planeamento da época passada, e que poderia mesmo ter custado o título ao F.C. Porto, foi ter deixado escapar Lima para o Benfica. Não só não garantiu um reforço de enorme qualidade e que estava já perfeitamente enquadrado ao nosso campeonato, como ainda permitiu que o seu rival ganhasse um argumento de peso na luta pelo título.
Ghilas este ano foi a resposta a esse erro. Ghilas tal como Lima, é um avançado que acrescenta potência, mobilidade e golos. Tal como Lima está já adaptado ao futebol português e tal como Lima poderia caber no plantel de qualquer um dos três grandes e representar uma mais valia.
 
Ghilas é finalmente o avançado capaz de discutir a titularidade ou pelo menos ser uma opção credível ao ponta de lança titular. Jackson fez demasiados jogos na época passada e acabou o ano de rastos. Com Ghilas o Porto ganha uma opção que pode juntar-se a Jackson em alguns jogos e dar uma opção que nem Kleber e menos ainda Liedson conseguiam dar.
 
Por outro lado é um avançado que pode assumir a titularidade sem que se perca qualidade. Não será também um avançado problemático para se ter no banco, pois trata-se de um jogador ainda jovem, que quer aprender e que vem para somar o máximo de minutos que consiga, e tem ainda uma boa margem de progressão.
  • O Porto também cometeu o erro no passado de ficar sem opções para as laterais
V. Pereira teve que adaptar centrais a laterais, algo que claramente atrapalhava a equipa no processo ofensivo. Boa decisão a de resgatar Fucile. Um jogador com muitos anos de clube, que ganha uma 2ª vida e que poderá preencher cada uma das laterais. Principalmente é muito bom para Danilo sentir que não pode relaxar e que tem que jogar muito mais do que tem feito até aqui.
  • O maior enigma actual do plantel trata-se do excesso de médios, mas acima de tudo o excesso de extremos
Saíram Atsu e James mas entraram: Ricardo, Quintero, Lica e regressou Iturbe. Pode ainda entrar Bernard. Com Varela, Kelvin e Izmailov são 7 extremos para duas posições.
 
Foi-se comentando a hipótese de emprestar Kelvin, contudo após o final da época passada e o seu papel decisivo em jogos chave, seria estranho não lhe dar uma oportunidade. Mas caso dúvidas houvesse, Kelvin já demonstrou nesta pré-época no jogo com o Marselha que merece ficar no plantel. Mesmo em termos comerciais e markting, seria um tiro ao lado. Kelvin é neste momento um ídolo entre os mais novos, e um dos jogadores mais populares e acarinhados pelos adeptos. Após aquele golo com o Benfica, o que não faltam são camisolas do Porto com o nome de Kelvin estampado. Essa vertente que Kelvin pode trazer, assim como a sua irreverência e capacidade de desencravar jogos complicados não deve ser desaproveitado.
  • Mas trata-se do jogo das cadeiras. 4 cadeiras para Kelvin, Iturbe, Lica, Ricardo, Quintero, Varela, Izmaylov e possivelmente Bernard
Alguns dirão que são várias opções mas que nenhum se afigura como titular indiscutível ou um jogador com a capacidade de ser a estrela da equipa como Hulk ou James. Mas a verdade é que o Porto parte melhor do que partia para a época passada. Tem mais opções, mais extremos. O Porto na época passada chegou a não ter James, e continuou a vencer. Regressou James e nunca mais voltou a ser o mesmo e o Porto sofria por falta de opções para os flancos.
 
Acima de tudo faltava banco ao Porto. Não nos esqueçamos que o Porto jogou na Luz com o banco mais jovem de sempre na história de clássicos recente. Em Alvalade tinha como opções para entrar Sebá e Tozé da equipa b. Os reforços de Inverno para dar mais opções foram Izmaylov e Liedson, um que já não chega com a capacidade física que o notabilizou, e outro que é um jogador reformado em actividade.
 Imaginar um banco do Porto esta época com Reyes, Maicon, Fucile, Defour, Castro, Lica, Josué e Ghilas dá claramente outra confiança. 
  • O reforço Herrera
Nota final para os primeiros apontamentos de Herrera. Gostei do que vi. Um jogador que tal como Moutinho é bastante dinâmico, toca rápido e vai buscar a bola à frente, demonstra ter bastante garra e parece dominar bem quer as transições ofensivas quer as defensivas.
Um primeiro esboço desta nova equipa que para já transparece boas ideias, bons princípios e mais armas para P. Fonseca do que as que teve V. Pereira na época passada.
  • Novo Porto
P. Fonseca quer um jogo menos mastigado em posse, menos interior, mais jogado pelos flancos, daí a o seu pedido a Izmailov que arrisque mais e vá para cima do lateral em vez de fazer sempre o passe para dentro.
 
Parece-me que será um Porto menos refém de uma cultura de posse, que tente chegar mais depressa à baliza, e dando maior profundidade e largura ao seu jogo. O que se manterá será um bloco médio alto de pressão no momento da perda da bola. A defesa continuará a jogar subida e as ordens são para pressionar o adversário logo na 1ª zona de construção.
 
Apontamentos para irmos confirmando. Caberá a P. Fonseca fazer escolhas para fechar um plantel que parece oferecer mais alternativas para uma época em que se pretende ganhar mais, e jogar ainda melhor.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Sistema e a Culpa

Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, pode ter uma montanha de defeitos mas a verdade seja dita ainda está para vir o Dirigente Desportivo que consiga criar uma estrutura tão eficaz como a que vigora actualmente no Reino do Dragão. Igual a Pinto da Costa só mesmo o falecido Santiago Bernabéu, mítico Dirigente do Real Madrid CF que fez do Clube Merengue o Colosso Mundial que é hoje em dia 
A famosa estrutura Azul e Branca, que já tantos elogios colheu em Espanha, tem uma forma única de trabalhar e por norma consegue resolver os seus problemas com uma eficácia tal que quase não se dá por eles. Naturalmente que não está isenta de erros, mas são mais as vezes em que acerta na mouche do que dá um tiro completamente ao lado.
 
Tomemos como exemplo três Jogadores que neste momento são personas non gratas no FC Porto, SL Benfica e Sporting CP.
Não é surpresa nenhuma para ninguém que Rolando não quer continuar na Invicta. Qualquer um percebeu o seu enorme mau estar quando soube que não iria junto com Villas-Boas para Inglaterra. O Jogador fez uma birra descomunal e tal reflectiu-se no seu desempenho em campo. Perante tal cenário que fez a estrutura Portista mesmo tendo na altura um treinador com um pulso fraco (Vítor Pereira)? Tratou imediatamente de colocar o Atleta na Lista dos Jogadores a transferir. Mas não o deixaram sair para um dos “Grandes da Europa”. Pelo contrário, saiu por empréstimo para o Nápoles que apesar de ter muita história ainda está muito longe do brilho que tem a Juventus, Milan ou Inter.
Olhando agora para o SL Benfica. Óscar Cardozo teve um comportamento deplorável na última edição da Final da Taça de Portugal que o Benfica perdeu para o Guimarães. O Paraguaio tentou agredir o Treinador Jorge Jesus. Como é normal Jorge Jesus exigiu a imediata saída de Cardozo da Luz mas teve logo de imediato a nega da parte de Luís filipe Vieira e rapidamente viu uma grande franja da nossa Comunicação Social a defender o Jogador. Resultado final, a pré temporada já arrancou e os Encarnados tem neste momento um Jogador que o Treinador não deseja e que nunca mais vai jogar enquanto o JJ treinar o clube da Capital. Para mais nesta altura do Campeonato o Clube não terá nunca mais o valor que deseja receber pela transferência de um Atleta que vai desvalorizar imenso.
 
Quanto ao Sporting CP, com a chegada de um Presidente que fez e faz questão de dizer que não é banana (apesar de o ser) e de levar a cabo cenas ridículas eis que esse começou a levar a cabo uma autêntica batalha campal contra alguns dos seus activos. Miguel Lopes foi emprestado á força ao Lyon e Bruma (joia da coroa Leonina) tem recebido um tratamento lastimável tendo em consideração que o Jogador até quer ficar em Alvalade. Na toca do leão chegou-se mesmo ao ponto de se recusar a reunir com um legal representante do Bruma (quando este até estava legalmente legitimado para tal) só porque Bruno Carvalho meteu na cabeça que só negoceia com o próprio. Depois admiram-se quando perdem grandes Jogadores para os eternos Rivais e outros tais.
 
São estes pequenos exemplos que fazem com que eu me ria a bem rir quando ouço e vejo alguns Comentadores (Públicos e Anónimos) a atribuírem a culpa do sucesso do FC Porto ao Sistema.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Do Porto de Vítor Pereira ao Porto de P. Fonseca – Evolução na continuidade.(parte 1)

O F. C. Porto através da sua direcção decidiu (em conjunto com V.Pereira, aparentemente) que teria chegado ao fim o ciclo deste treinador no clube.
 
Uma decisão que se adivinhava durante grande parte da época, fruto de mais uma campanha que, apesar de quase imaculada no campeonato, deixou a desejar na Taça de Portugal, com opções para lá de discutíveis de Vítor Pereira, e que apesar de ter melhorado na Champions em relação à primeira época, não deixou de ser algo decepcionante pela forma como o Porto acabou por ser eliminado pelo Malaga.
O desgaste de V. Pereira junto dos adeptos vinha sendo claro, mas uma recta final em que terminou com a conquista de mais um suado título, deixou em aberto a hipótese de Pinto da Costa oferecer uma nova oportunidade de V. Pereira para continuar com o projecto, até porque grande parte dos adeptos já apresentavam uma reforçada margem de tolerância relativamente ao técnico espinhense.
 
Tal não sucedeu. E deu-se assim um novo virar de página. Um processo mais moroso do que tem sido hábito no reino do Dragão. Sucessores havia alguns, mas nenhum nome óbvio. Leonardo Jardim parecia o sucessor crónico, mas comprometeu-se com o Sporting. Sobravam Domingos ( um símbolo do clube e já com tarimba de clubes com ambições e o favorito aqui do autor deste texto), Marco Silva do Estoril, e P. Fonseca do Paços de Ferreira.
 
Ao contrário de alguns, acredito que esta foi a escolha menos arriscada dos últimos anos por parte do presidente do Porto.
Escolheu o treinador da moda. Aquele que ninguém ousaria apontar o dedo como sendo uma escolha totalmente desproporcionada. Um treinador que conseguiu um surpreendente 3º lugar pelo Paços e que era apontado como sendo o possível treinador dos outros 3 clubes com mais ambição em Portugal. Se Jesus saísse, P. Fonseca era provavelmente um dos maiores candidatos ao banco do Benfica, o mesmo se passou em relação ao banco do S. Braga, e só não sucedeu ao do Sporting pela aposta em Leonardo Jardim em jogada de antecipação.
  • Depois da escolha efectuada, fica a questão. O que se altera no F. C. Porto com esta escolha?
Neste sentido, poderá dizer-se que não se trata de uma escolha que venha propriamente abalar os alicerces do clube. Reforça o modelo de organização do clube ao longo de décadas que sofreu apenas uma ligeira alteração aquando da passagem de Mourinho. Trata-se de um treinador que é escolhido para integrar uma estrutura já delineada e montada que sobrevive sem a definição concreta do nome do treinador. Antes é o treinador que é escolhido por poder aceitar e adaptar-se ao estilo e ao modelo que se exige para a equipa, delineada pela tal estrutura.
De Vítor Pereira e do seu legado no Porto, ficam os campeonatos com apenas uma derrota, e uma equipa que mais do que espectacular apresentava consistência como argumento mais forte, em oposição ao futebol vertigem do Benfica de Jorge Jesus, mais espectacular mas menos capaz de ganhar campeonatos.
 
De Vítor Pereira criticava-se o facto de ter uma pecha, admitida pelo próprio, ao nível da comunicação. Quer interna, mas acima de tudo externa. Não motivava adeptos, não chamava holofotes e de certa forma era até enfadonho para qualquer jornalista que tivesse que ir trabalhar para a sala de imprensa do Dragão. Não tinha cuidado na mensagem que passava, embora este ano tenha mostrado algumas melhorias. Não tanto pelo conteúdo, mas pela forma por vezes repetitiva dos mesmos chavões e de uma mensagem que embora muitas vezes repetida se diluía por carecer de alguma inovação e rasgo na forma como era passada.
O F. C. Porto ganhou dois campeonatos a um Benfica superlativo que enchia as medidas da crítica, contudo o jogo portista tendia a não ser tão apreciado pelos adeptos em geral, por ser mais equilibrado e menos vertiginoso. Um jogo de posse que vinha desde o tempo de André Villas Boas, que sofreu com a indefinição da primeira época de V. Pereira e com os problemas de balneário com que teve que lidar, e que encontrou o seu expoente máximo na 2ª época de V. Pereira. Uma posse que rapidamente passou de ponto forte, a problema quando se percebeu que por vezes se tratava de posse pela posse e que a própria equipa ficava refém da mesma sem outro tipo de soluções. A falta de soluções no plantel e apostas esdruxulas a meio da época em jogadores como Izmailov e Liedson apenas reforçaram esse problema, a falta de soluções no banco para rodar a equipa e acima de tudo a falta de profundidade e largura no jogo da equipa, potenciada ainda mais quando o único extremo capaz de dar essa largura e profundidade que seria Atsu deixou de ser opção.
O F. C. Porto demonstrou uma enorme consistência, uma mentalidade e capacidade competitiva fortíssima que permitiu que mesmo estando atrás do Benfica até às últimas jornadas, jogando melhor ou pior, nunca deixasse de acreditar no título. Essa capacidade mental permitiu ao F.C. Porto superar o Benfica ao cair do pano.
 
Mas se pensarmos em exibições que tenham enchido o apetite insaciável dos adeptos portistas, lembramo-nos de 5 ou 6 exibições no máximo. Era um estilo de jogo que de tanto compararem ao do Barcelona, apanhou os vícios do jogo do Barça. Por vezes tornava-se enfadonho para quem assiste quando não há dinâmica colectiva e trocas posicionais capazes de baralhar marcações. Esmagava-se em posse mas não tanto em capacidade de desequilibrar as defesas adversárias.
 
A reforçar este ponto está a diminuição das assistências no Dragão mesmo tendo o Porto ganho 2 campeonatos com V. Pereira.
 
V. Pereira sofreu também pela comparação a Villas Boas que deixou o clube após uma época de sonho, com um futebol de ataque, entusiasmante, e com um carisma e uma capacidade de comunicar ímpar e que não encontrava sucessor à altura em V. Pereira, que é um homem de trabalho e de poucas palavras. 
Daí que a escolha sobre o novo treinador prometia. Por um lado para perceber se a mudança numa equipa técnica vencedora significaria a tal aposta na recuperação da ilusão por parte dos adeptos em relação ao estilo de jogo da equipa e à forma do novo treinador comunicar com o exterior.
 
Tal não significaria um terramoto táctico. Esperava-se que o novo treinador se adaptasse ao já instituído 4-3-3 que é um traço de identidade do clube.
 
Mas houvesse a intenção de entusiasmar mais os adeptos, esperava-se um treinador mais carismático, com uma maior capacidade de seduzir os adeptos como tinha André Villas Boas, e um treinador que em campo colocasse as suas equipas a jogar um futebol um tudo ou nada mais chamativo, sem perder a consistência que tem sido imagem de marca do clube.
 
Nesse aspecto pode-se dizer que a montanha pariu um rato. Não pela falta de qualidade de P. Fonseca, mas porque analisando o seu percurso, nomeadamente o seu Paços de Ferreira, se nota que não apresenta assim tantas alterações de estilo em relação a V. Pereira.
 
As semelhanças começaram logo na sua apresentação com direito a directo no Porto Canal, onde P. Fonseca demonstrou as suas dificuldades em manter um discurso assertivo, bem articulado e expressivo.
Já no Paços, Paulo Fonseca não ficou conhecido por ser propriamente carismático nas conferências de imprensa a preparar os jogos. Não era muito dado a “mind games”, e o seu discurso era sempre sereno, e a bater muito nos lugares comuns, tentando sempre esvaziar qualquer tipo de euforia, fazendo o seu papel mas sem se mostrar ser um grande comunicador.
 
Trata-se de mais um homem de terreno, tal como já o era Vítor Pereira. Alguém que evita a tudo o custo a exposição mediática, que cada vez faz mais parte daquilo que se pode considerar a preparação para cada jogo que , tal como defende Mourinho, começa logo na sala de imprensa na antevisão ao jogo e na mensagem que se tenta passar, quer para motivar os nossos, quer para condicionar os adversários. Com P. Fonseca também os jornalistas podem tirar o cavalinho da chuva se esperam por grandes tiradas de 1ª página… (cont)