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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Circo no Estádio

“Os portões abrem às 15 horas”, anunciavam os panfletos da FPF. Estava tudo preparado para receber a Prova Rainha, leia-se: “a salvação da época”! A Liga ZON Sagres já não interessava para nada, a final da Uefa League idem, nem mesmo a Taça Lucílio Baptista tinha qualquer importância. O Instituto de Desporto, responsável pelo recinto, a Misericórdia de Lisboa que vive à custa das Apostas, e o Estado, o querido Estado, todos pegavam no andor.
 
O maior-espectáculo-do-mundo anunciava-se nos pasquins, rádios e queridas televisões. Ilusionistas, equilibristas, saltadores, trapezistas, trupes de faz-tudos e até o Palhaço-Mor da cavacada, enchiam o recinto. Os vermelhos pulavam de contente. Pudera! Era a salvação da época. Nos camarotes os azeiteiros da política acotovelavam-se para aparecer na foto. Na primeira fila, Santana Lopes vestido de pobre, com a barba por fazer, responsável por um empurrão que permitiu ao clube da treta construir um estádio, lembrava-se dos votos que ele e o partido tinham conseguido. Nem mesmo o presidente da câmara, benfiquista do coração, que anda às voltas com o Tribunal de Contas e o processo da EPUL, pareceu muito incomodado quando chegou à Câmara e a encontrou falida.
 
Mais atrás, os lambe-botas. Seara, o vaidoso de Sintra; Mira Amaral que comprou um banco por 5 coroas; Arnault, Humberto e João Pinto um trio-maravilha que se dependurou na FPF; Mário Figueiredo, o coveiro da Liga. Cavaco, mais à ponta, compunha o ramalhete, talvez com saudades dos habituais membros da quadrilha, Duarte Lima, Isaltino Morais, Macário Correia, e Oliveira Costa, presume-se que todos em férias.
Vieira, o director do Circo, observava atento. Meninas vestidas de branco como convém, esvoaçavam na pista, perante o olhar embevecido das mães, matronas de vermelho, os Colaços, grupo de jovens atiradores de facas, e os cãezinhos amestrados do presidente dos árbitros. O pobre do atrasado mental, na ânsia de nomear lacaios afectos ao clube da treta, criara tamanha confusão nas últimas nomeações da Liga que para a grande festa sobrou apenas um, vindo da terra dos parolos.
 
Sentia-se o cheiro característico das bifanas, cachorros, febras grelhadas e tintol, que os visitantes consumiam desde muito cedo. Manuel Sérgio, o filósofo de serviço, já tinha hipnotizado o presidente e o treinador. Os artistas aqueciam lá fora com o preparador motivacional Evandro Mota, descoberto no Amazonas.
Tudo funcionava como previsto. O Palhaço-Mor levantou o braço direito, o espectáculo podia começar. E começou mal para os parolos. Uma biqueirada mal medida fez a gorduchinha estoirar num dos anões do Circo que jogava lá na frente, e entrar junto ao canto direito da guarita dos guerreiros. No exterior estralejavam os foguetes. As rulotes usadas no picnic pediram reforços para atender a clientela enquanto outras já se dirigiam para o Marquês.
 
“Reservado está o bocado para quem o há-de comer”! E não é que em 3-minutos-3, os convidados para a ceia do Senhor alteram o programa do Circo e amandam 2 batatas para dentro do galinheiro? O “dorminhoco” que estava a dormir em campo e tinha sido mandado dormir para o banco não gostou mesmo nada daquilo, acordou, e apontou o dedo ao treinador e aos colegas, talvez inspirado no Carlos Lisboa que também mete os dedos num buraco.
Resta à “instituição” mudar o nome ao Circo. Que tal Sérvios Lisboa e Benfica? Pelo menos já se anunciam seis na BOLHA que é quem sabe destas coisas. O pasquim faz com que os sócios “acarditem” naquilo. Dizem que “ali anda bruxedo”. Nada melhor que pedir ao seu colunista, o beato Félix, que interceda junto do Francisco-Exorcista, para quando vier a Fátima passar pelo Circo da Luz e benzer o clube da treta.
 
Até à próxima

domingo, 14 de abril de 2013

Mau jogo treino termina em derrota

Depois da derrota para o Campeonato no Dragão (3 x 1), virou o disco mas, desta vez, a vitória foi para SC Braga que venceu o FC Porto (1 x 0) e conquistou a Taça da Liga, na Final da Competição, em Coimbra. A equipa sucede ao Benfica que venceu as últimas edições da prova.
Uma Final é sempre um jogo diferente e especial. Os jogos decisivos, seja na Liga dos Campeões ou na Taça da Liga, têm a sua linguagem, uma espécie de léxico próprio, frequentemente não percetível para quem não é da 'seita'.
Para Portistas e Minhotos não foi, claro está, a primeira vez que marcaram presença numa Final de uma Competição.
Na cidade do Conhecimento, ambos repetiam a célebre Final de 18 de Maio de 2011, naquele dia em que o País, pela primeira vez, teve duas equipas numa Final Europeia, ganha pelo FC Porto, graças a um golo de Radamel Falcao.
Cerca de dois anos depois, os clubes Nortenhos voltaram a uma Final, ainda que esta sem o glamour ou encantamento de uma prova Europeia. No entanto, havia um troféu para conquistar.
Rumo Coimbra, o caminho fez-se por uma estrada comum: vencendo tudo e todos. SC Braga e FC Porto encontravam-se para um duelo inédito na Taça da Liga e ambos sabiam que o regresso a casa tinha (obrigatoriamente) de ser mais feliz para uns... do que para outros. Assim é a Lei do Futebol.
A Taça da Liga, que ao longo dos seus anos foi fustigada por uma série de críticas, passou (e não vale a pena dourar a pílula) de repente a funcionar como uma espécie de objectivo 'interessante'.
Deste modo, o estádio da Académica - casa da Final desta prova nas últimas épocas - vestiu-se de gala para o duelo entre dois velhos conhecidos do Futebol Português. Nas bancadas, adeptos de uma e outra equipa estavam apetrechados com cachecóis, camisolas e bandeiras, enquanto tentavam animar e apoiar os seus jogadores.
Em Coimbra, apareceu um SC Braga forte e apostado em conquistar a Taça da Liga. Os Minhotos, única equipa Portuguesa que esta época foi capaz de vencer o FC Porto (em jogo da Taça de Portugal), tentou, com cautelas, pegar no jogo e ameaçar as redes Azuis e Brancas.
Os primeiros minutos mostraram duas equipas sem querer correr grandes riscos. Ambos os técnicos apostaram na segurança defensiva e não admira, por isso, que nenhum dos conjuntos tenha mostrado ascendente nas primeiras jogadas do encontro.
Ainda assim, a primeira (e única) oportunidade de golo pertenceu ao FC Porto. Aos 10 minutos, Defour, na esquerda, cruzou para o interior de área com Jackson a desviar ao primeiro poste, mas James Rodríguez, ao segundo poste, chegou ligeiramente atrasado para fazer o golo!
Com a derrota no Dragão (3 x 1), na passada segunda-feira, ainda na memória, o SC Braga tentou realizar uma partida equilibrada mas o FC Porto mostrou mais controlo emocional e táctico na partida.
Os Guerreiros do Minho, que andaram quase sempre longe da baliza de Fabiano Freitas, praticaram um futebol electrizante mas sem criar real perigo à defesa Portista, onde Abdoulaye (a surpresa no onze de Vítor Pereira) acabaria por ser a figura da primeira parte.
O central Azul e Branco - que fez dupla com Mangala - derrubou Mossoró, perto do intervalo, dentro da área. O árbitro não teve dúvidas e assinalou a grande penalidade, mostrando o segundo amarelo (e respectivo vermelho) ao central Portista. Chamado a marcar, Alan atirou a contar e colocou os Minhotos na frente, aos 45+2'.
No final da primeira parte, a equipa de Braga vencia pela margem mínima.
No regresso do descanso, Vítor Pereira tirou Lucho e colocou Otamendi. Mas seria o SC Braga abrir as hostilidades, com um cabeceamento sensacional, aos 50 minutos, mas Otamendi limpou.
Com mais um jogador em campo, o SC Braga tentou aproveitar a superioridade numérica!
Seguiram-se dez minutos de perigo com os Minhotos a desperdiçarem muitos golos. Aos 67', por exemplo, Rúben Micael falhou de forma incrível e atirou a bola no poste da baliza do FC Porto. Após um grande passe para a desmarcação de Alan entra os centrais, o Capitão do SC Braga fintou o guarda-redes do FC Porto e assistiu Rúben Micael que estava sobre direita, mas o desvio não aconteceu a tempo.
Responderam os Portistas, já com Kélvin em campo. Jackson Martínez, à entrada da área do SC Braga trabalhou bem, ganhou espaço mas rematou ligeiramente ao lado da baliza de Quim. Ainda se gritou golo nas bancadas do estádio.
Com o FC Porto lançado no ataque, Fabiano foi gigante na baliza Portista. Aos 88', o Brasileiro travou um belo remate de Hugo Viana! O SC Braga esteve muito perto do segundo mas o guardião Portista brilhou nas redes.
O tempo ia passando, Mangala passava a avançado. Havia mais espaço na defesa Portista mas os Minhotos não aproveitavam.
Ainda assim, João Capela apitou para o final do jogo e o SC Braga fez a festa. A taça vai para o museu Arsenalista.

Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo: Fabiano

domingo, 13 de maio de 2012

Afinal a vez foi de Kléber

Com festa agendada para a Avenida dos Aliados após o jogo frente ao Rio Ave, o FC Porto foi ao Estádio dos Arcos vencer os Vila-condenses por 5 x 2 e fechar com chave de ouro um Campeonato no qual conseguiu revalidar o Título de Campeão.

No reduto onde o Benfica entregou definitivamente o Título ao FC Porto, a equipa de Vítor Pereira fechou as contas do Campeonato com a 23ª vitória na Liga e nos números é clara a superioridade Azul e Branca sobre a concorrência. Apenas uma derrota em 30 jornadas (melhor no Clube só na época passada com André Villas-Boas), melhor ataque e melhor defesa do Campeonato é o saldo que se regista em 2011/2012.

Foi, por isso, um final de tarde praticamente perfeito para os Bicampeões Nacionais em Vila do Conde. Djalma, aos 14 minutos, estreou-se a marcar na Liga pelo FC Porto, James Rodríguez, segundo melhor marcador da equipa, juntou mais um tento à sua conta apenas três minutos depois e Kléber reconciliou-se com os golos e fez um hat-trick, faturando aos 50, 75 e 90 minutos. Quem sabe se não será um bom pronuncio para o que possa fazer na próxima temporada depois de tantas críticas na actual.

Num final de tarde de festa forasteira, Rafael Bracalli rendeu Helton no 11 habitual e também se sagrou Campeão Nacional, embora tenha ido buscar a bola duas vezes ao fundo das redes, embora nunca o tenha feito com o FC Porto numa situação de desvantagem no marcador. João Tomás, de grande penalidade, e Atsu, jogador emprestado pelos Dragões, foram os autores dos tentos da equipa de Carlos Brito.

Kadu, terceiro guarda-redes da equipa de Vítor Pereira, também teve direito a alguns minutos de jogo e garantiu o seu primeiro Campeonato Nacional numa partida que pode ter marcado a despedida de vários jogadores Azuis e Brancos. Casos de Álvaro Pereira, Rolando e até Hulk, que foi suplente utilizado, apesar de ainda ter a possibilidade de tentar alcançar Cardozo e Lima na lista dos melhores marcadores.

O sol que brilhou em Vila do Conde contrastou, no entanto, com a realidade do Rio Ave, que ainda acalentava a esperança de poder disputar as competições europeias na próxima temporada. A derrota frente aos Bicampeões Nacionais e o triunfo da Académica em Guimarães deixam a formação de Carlos Brito de fora.

Na verdade, o apuramento para a Europa seria um extra para a equipa e para o clube, uma vez que o principal objectivo, a permanência, já tinha sido conseguido na jornada passada em Paços de Ferreira. Assim, está fechado o Campeonato e as duas equipas terminam com a sensação de ver cumprido: o FC Porto Campeão Nacional e o Rio Ave com a manutenção no principal escalão assegurada pelo quinto ano consecutivo, algo histórico para o clube.

Retirado de zerozero
Melhor em Campo: Kléber