Agora que já passou algum tempo desde o desaire em Coimbra é sem sombra de dúvida a melhor altura para se reflectir sobre o actual estado do Futebol Clube do Porto. Vejamos então ponto por ponto:
Treinador: Quando algo não está bem o treinador é sempre o alvo a abater. Alvo de crítica fácil e de quem se acha mais papista que o Papa, Paulo Fonseca foi altamente criticado depois da derrota em Coimbra. A meu ver foi injustamente criticado porque desde o jogo com o CD Nacional que foi notório o seu esforço para melhorar e responder às vaias. Para mais os Dragões ainda estão presentes em todas as frentes e enquanto tal for uma realidade despedir agora o PF será de uma insensatez tremenda e ainda está para vir o dia em que o Clube Azul e Branco será governado de fora para dentro.
Plantel: Aqui é que reside o grande problema dos Dragões. Não que o problema nunca existisse desde o início da época porque há um grupo de jogadores que não tendo ainda renovado o seu vínculo contratual faz com que sobre eles pare uma dúvida atroz, dúvida que depois tem reflexos negativos no seu desempenho dentro do campo como é o caso de Helton, Fernando e Lucho. Depois temos aqueles que devido ao seu estatuto e falta de concorrência se acham acima de tudo e todos como é o caso de Danilo, Otamendi, Quintero, Iturbe e Jackson. Para terminar temos o caso Fucile que abalou e de que maneira tudo o que foi planeado na pré temporada, o estranho desaparecimento do Marat e a ausência quase que forçada de Kelvin da equipa principal. Ao que parece o FC Porto foi tomado de assalto pelos Empresários e exige-se uma tomada de posição enérgica da parte da Direcção Portista. E vamos a ver até que ponto terá sido positiva a contratação de Ricardo Quaresma uma vez que talento o moço tem da cabeça aos pés, já atitude e a cabeça no seu devido lugar é que não (virtudes que este nunca teve).
Adeptos: Que dizer sobre os adeptos do FC Porto? Primeiro há que distinguir entre aqueles que são Portistas e aqueles que só o são quando o Clube ganha. No segundo lote cabem com toda a certeza aqueles palhaços (com o devido pedido de desculpa a todos os palhaços) que foram esperar o autocarro dos Dragões após o desaire de Coimbra e aqueles artistas da bola que sabem tudo e mais alguma coisa de futebol mas não sabem nada. Assobiadelas, insultos, treinadores de bancada e atitudes radicais nunca ajudaram ninguém a recuperar de um mau momento. Pelo contrário, assobiar e mandar “bitaites” da bancada apenas ajudam a destabilizar a equipa. Não estou com isto a dizer que todos devemos dizer ámen a tudo o que se faça no Clube, mas haja alguma razoabilidade na crítica para depois não se fazer a mesma figurinha que fazem Miguel Sousa Tavares e outros como ele que é tudo mau quando se perde e tudo bom quando se ganha.
Direcção: Já disse aqui alguma coisa quando afirmei que o actual plantel do FC Porto foi tomado de assalto pelos empresários. Parece-me que falta dar alguma liberdade de escolha ao treinador que em certos momentos é forçado a dar a titularidade a este ou aquele jogador só porque foi a contratação mais cara do Clube ou porque este aufere de uma salário elevado ou até mesmo porque o empresário do Atleta fez um ultimato. Acho muito bem que “segurem” o actual treinador e que não se deixem levar pela “onda de contestação” porque as ondas são passageiras e as contas fazem-se sempre no final das temporadas e não a meio (se formos a ver a época ainda nem a meio chegou). Contudo volto a insistir que é necessário “blindar” o balneário e resolver com caracter de urgência as questões pendentes dos jogadores que ainda não renovaram o contrato, vender o passe dos que cá não querem estar e chamar á razão os que se acham vedetas.
Esta é a análise (mesmo que resumida) que faço da crise passageira do Futebol Clube do Porto. A bola está agora do vosso lado. Ditem a vossa sentença mas lembrem-se sempre de o fazer com razoabilidade e respeito por quem possa pensar de forma diferente da vossa.







