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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Festa incompleta, mas... invictos!

Era uma noite de festa, sem pressão por aí além, e Portugal fez o mínimo para assegurar o estatuto de única equipa invicta no primeiro escalão da Liga das Nações. As muitas mudanças no onze não impediram um arranque de jogo com vários pontos positivos e com um golo justificado, mas a Polónia cresceu e salvou o empate de penálti, ameaçando ainda a vitória com Portugal reduzido a dez jogadores. Não foi com exatidão a festa que se queria, mas haverá nova oportunidade daqui a pouco mais de meio ano. Até já, Guimarães, estes rapazes voltam em breve para lutar pelo troféu.

Sistema igual, caras diferentes

Algumas das mudanças foram forçadas - Mário Rui, Rúben Neves e Bernardo Silva estavam fora das contas -, outras deveram-se ao contexto do jogo, que nada alteraria na classificação. Beto foi para a baliza, Kévin Rodrigues assumiu a lateral-esquerda, Pepe voltou ao seu lugar, Danilo e Renato Sanches juntaram-se a William, Guerreiro e Rafa assumiram as alas.

As dinâmicas de meio-campo, desde logo, eram distintas, com confiança na capacidade de explosão de Renato Sanches que durante tanto tempo num passado mais ou menos recente andou adormecida. Parece estar mesmo de volta e muito facilitou a tarefa de subir no terreno desde cedo, com o 8 português a ter uma função na equipa que não se tem visto e que traz algumas (boas) memórias de França.

Foi dele a primeira ameaça no D. Afonso Henriques. Danilo entregou a bola e Renato fletiu para o centro antes de rematar contra Rafa. Aproximávamo-nos dos dez minutos, tínhamos o primeiro aviso de um lado e o primeiro susto do outro, com Beto a comprometer mas Portugal a salvar-se a custo. As rédeas eram portuguesas, o domínio da posse de bola também e apesar de Dragowski ter conseguido ameaçar Beto - grande defesa do guardião - não houve grande surpresa por o primeiro golo ser português, mesmo perante aparente dificuldade em fazer a bola chegar a zonas de finalização.

Não dava de bola corrida, foi de bola parada, com Renato Sanches a assumir a cobrança de um canto e a dar à bola um efeito exemplar que permitiu a André Silva desviar no alinhamento do primeiro poste, com um desvio que seria sempre difícil para Szczesny travar. Também de bola parada, a Polónia ameaçou ainda no primeiro tempo o empate, mas a trave da baliza de Beto negou o golo a Kedziora antes de o próprio guardião português voltar a destacar-se perante a ameaça de Frankowski.

Castigo a dobrar

A equipa polaca, já despromovida à Liga B, tinha ainda um objetivo a não ignorar: caso não perdesse, garantiria o estatuto de cabeça-de-série no próximo apuramento para o Europeu. Sem demonstrar mais talento do que Portugal - longe disso, até porque não havia Lewandowski - a Polónia parecia pelo menos demonstrar mais vontade no arranque do segundo tempo e depois de ameaças de Grosicki e Frankowski soube aproveitar um erro crasso português.

Um mau atraso de William Carvalho permitiu a Milik isolar-se e Danilo Pereira, em posição de desespero, travou o avançado polaco em falta. Vermelho direto mostrado pelo árbitro, que entendeu que o jogador seguia isolado para finalizar, e o penálti bem convertido por Milik, que até teve de o bater duas vezes por o árbitro ter anulado o primeiro remate.

A Polónia manteve a onda de crescimento para lá do golo, procurou aproveitar a vantagem numérica e aproximou-se do 1x2, mas Beto conseguiu pelo menos segurar o empate que permite a Portugal terminar a fase de grupos sem qualquer derrota

Artigo publicado no site zerozero

NOTA: Peço desculpa por não ter publicado a habitual analise dos jogos da nossa selecção, mas um dia algo trabalhoso onde foi preciso andar de um lado para o outro e o facto só ter visto a segunda parte do jogo em questão impede-me de fazer aquilo que sempre gostei de fazer que é partilhar a minha opinião com todos vós. Grato pela vossa preciosa atenção.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Apuramento está resolvido, agora podemos celebrar um pouco

Estamos na última jornada do grupo 3 da Divisão A da Liga das Nações e Portugal, de forma extremamente positiva, já está apurada para a final four, que até se joga no nosso país. A boa prestação, o apuramento e o facto de sermos organizadores deve motivar uma bonita festa, esta terça-feira, em Guimarães. 
 
O último jogo é contra a Polónia, que até já sabe que está divisão B. Apesar de os polacos precisarem de vencer por causa dos potes para a fase de apuramento para o Euro 2020, certamente que a disposição para o jogo não será a mesma. 
 
Experiências?
 
Sem ser um jogo particular, a partida contra a Polónia deve permitir fazer algumas mudanças em relação ao que é habitual. Há algumas baixas, por castigo e por lesão, e há alguns jogadores que podem ter oportunidade de se mostrar ao selecionador.
 
Está tudo conjugado para se ter uma partida tranquila contra a Polónia, que até está sem Robert Lewandowski. Portugal merece celebrar pelo que fez na Liga das Nações, mas a Polónia terá certamente vontade de mostrar que o que fez na competição não mostra o seu valor.
CLICAR NA IMAGEM PARA AMPLIAR
Artigo publicado no site zerozero

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Era escusado

imagem retirada de zerozero
Vitória lusa em território polaco faz com que a qualificação para a fase a eliminar da Liga das Nações (UEFA Nations League) seja uma realidade com o acréscimo de que a qualificação para o próximo Europeu está, também ela, quase que garantida. Este é um dos aspectos positivos que retiro da partida que se realizou em solo polaco (mais concretamente no Stadion Slaski).

Para mais tenho de deixar aqui bem claro que gostei mesmo muito da reacção da nossa equipa quando se encontrou em desvantagem no marcador. Liderada por um fantástico Bernardo Silva (que enorme jogador!) na faixa direita, a nossa selecção foi para cima da equipa da casa e impôs o seu futebol. A ajudar ao caso esteve um cada vez mais “matador” André Silva (os “ares” de Espanha estão-lhe a fazer bem) e a Deusa da Fortuna que protegeu os nossos audazes rapazes aquando da marcação do segundo golo luso.

O problema esteve – lamentavelmente, digo eu – quando Portugal estava a vencer por 3 a 1 e Fernando Santos resolveu apostar no flop mais mediático de sempre da história do nosso futebol. Diante de uma equipa que por opção e forma natural de estar (digo eu) aposta num meio campo bem povoado e nas transições rápidas, colocar em campo um jogador que não sabe o que é vir atrás recuperar uma bola é o mesmo que dar o flanco ao adversário numa batalha decisiva. Renato Sanches é um jogador sobrevalorizado que tem como principal vantagem o facto de ser Senhor de um físico e técnica que lhe permite arrancar em força com a bola nos pés… O problema é que do “outro lado da barricada” estava uma equipa que em termos de físico e técnica não fica atrás do Renato… Daí que este tenha acabado por ser um “estorvo” e uma menos valia de um meio campo português que pretendia, naturalmente, controlar o meio campo dado que a vantagem de dois golos a isto lhe permitia. Felizmente Fernando Santos não é nenhum tolo nestas coisas do futebol e com a entrada de Danilo Pereira em campo este “emendou a mão” dado que Portugal conseguiu controlar o meio campo e colocar um ponto final nas perigosíssimas transições rápidas da equipa polaca.

Mas atenção. A aposta fora de tempo em Renato Sanches não justifica, de forma alguma, o tremendo erro da defesa portuguesa no segundo golo polaco… Está bem que muitos dos que jogaram hoje são atletas jovens que ainda tem muito para aprender, mas fossem outras as circunstâncias e lá se ia a margem de erro porque “são jovens”.

Em suma; missão cumprida, mas era escusado ter-se passado por aquela recta final da partida. Que sirva de lição para o que aí vem.

MVP (Most Valuable Player): Bernardo Silva. Nunca me canso de ver este atleta a jogar. Classe, técnica, remate fantástico, físico invejável e uma calma olímpica em qualquer situação de jogo. Este foi o Bernardo que tive o prazer de ver a jogar na Polónia com a camisola da nossa selecção, Marcou um “golaço” e fez a assistência que permitiu a André Silva empatar o jogo. Decididamente o MVP deste jogo sem sombra de qualquer dúvida.

Chave do Jogo: A entrada de Danilo Pereira. A entrada do internacional português fez com que a equipa de Todos Nós voltasse a tomar o pulso a uma partida cujo controle tinha perdido, acabando, desta forma, com a “fúria” de uma equipa polaca que acreditava piamente num empate a três golos.

Arbitragem: Del Cerro Grande começou muito bem, deixando jogar, sem muitas paragens, mas acaba por deixar muitas dúvidas num lance que poderia ter saído muito caro a Portugal. Por altura do segundo golo da Polónia, fica a ideia de que o lance é antecedido de uma bola fora. A equipa de arbitragem assim não entendeu e deixou seguir até ao golo.

Positivo: André Silva. E havia quem há uns tempos apontasse o seu injusto dedo acusador ao “matador” de Portugal. O jovem ponta de lança português continua a “dar cartas” em campo e a calar muita gente.

Negativo: Fernando Santos. A “tara” de Fernando Santos pelo Renato Flop Sanches ia custando uma vitória portuguesa em solo polaco. Nunca vou perceber a adoração do Mister por um atleta que só tem trancinhas para exibir. 
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (11/10/2018)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Balanço da 1ª fase do Euro 2012.

O Euro 2012 entra na sua fase decisiva. A partir de agora todos os jogos serão finais. Cabe então fazer o balanço da 1ª fase como forma de analisarmos o que o resto da competição pode oferecer.

Pode-se dizer que se a qualidade se mantiver, estamos perante um bom campeonato da Europa. Temos tido um Europeu com bons jogos, equipas a apresentarem modelos de jogo interessantes, variedade na forma como se aborda o jogo ainda que tacticamente não se tenha assistido a nenhuma grande inovação como seria de se esperar.

Já vimos selecções que prometiam muito a partir, casos da Holanda e da Rússia, mas também tivemos resultados inesperados como o apuramento da Grécia e República Checa.

Em termos de organização não tem sido provavelmente o melhor exemplo, nesse aspecto o Euro 2004 em Portugal continua a ser um marco (muito nos queixamos mas quando queremos sabemos organizar algo em condições). Ainda assim, e apesar de alguns episódios de violência e de desrespeito principalmente por parte dos adeptos, também assistimos a imagens muito bonitas das bancadas e a adeptos que deram o exemplo, como o caso dos apaixonados adeptos da Irlanda. Merece também destaque a realização deste Euro que para além de uma boa transmissão dos jogos, tem tido também a capacidade de demonstrar imagens que podiam bem contar uma história.

Mas vamos aos mais e menos. Em termos puramente tácticos as selecções na sua grande maioria desdobraram-se entre o 4-2-3-1 ou o 4-4-2. O 4-3-3 de Portugal teve pouca repercussão, uma das selecções que o utilizava era a Rússia mais já foi eliminada. Destaque para o 3-5-2 de Itália. O sistema mais diferente apresentado até ao momento. Serviu muito bem para dar luta ao tiki taka espanhol e demonstrou que pode ser equilibrado e sem aquela carga defensiva atribuída sempre ao futebol italiano e ao seu catenaccio.

As arbitragens tinham vindo a ser globalmente boas ao longo da 1ª fase, mas eis que depois se espalhou ao comprido na última jornada. Jornada em que duas arbitragens beneficiaram de forma clara dois dos grandes candidatos Alemanha e Espanha, impedindo-os de serem eliminados logo na 1ª fase. Curiosamente tudo se deu após a infeliz declaração (mais uma) do presidente da Uefa Michel Platino que expressou a sua convicção (ou seria desejo ?), de que a final do Euro seria Alemanha x Espanha. Ora curiosamente, foi ele a dizer isso e um árbitro espanhol a não apitar um penalti que eliminaria a Alemanha do Euro e depois foi um árbitro alemão (o péssimo Wolfgang Stark) a não marcar duas escandalosas grandes penalidades que colocariam a Espanha fora do Euro logo na 1ª fase. Não sei se existe relação de causa-efeito, o que sei é que nunca ninguém terá dito ao senhor Platini que à noiva de Cesar não basta ser séria… Por outro lado, na última jornada do grupo D, no jogo Inglaterra x Ucrânia foi colocada a nú a idiotice que foi a invenção dos fiscais de baliza. Não servem nem para ver se a bola entra ou não na baliza. Foi dado mais um avanço para que no próximo Mundial a tecnologia sob a linha de golo seja uma realidade.

Em todos os grupos vimos jogos interessantes, uns com melhores executantes que outros, mas em todos os grupos tivemos jogos com emoção e qualidade e mesmo em grupos em que não seria de esperar tanta competitividade. Sintomático foi o facto de termos chegado à última jornada da fase de grupos sem ter ainda nenhuma selecção com o apuramento garantido. Outra mais valia foi o facto de a 1ª fase ter acabado sem que houvesse um jogo sem golos.

Vamos então fazer uma breve análise dos 4 grupos:

Grupo A

Aquele que era apontado à partida como sendo o parente pobre deste Europeu por não ter nenhuma equipa das gigantes da Europa. Parecia-me que seria um grupo em que a Rússia poderia passar de forma confortável e depois a Polónia teria condições para aproveitar o factor casa, ao contrário da Ucrânia que estava num grupo mais complicado e tinha uma selecção mais fraca.

Ora nada disto aconteceu. Daí a surpresa e a emoção testemunhadas. A Rússia entrou a atropelar a República Checa e foi a primeira selecção a encantar no Campeonato da Europa e a dar a ideia de que poderia ser uma surpresa. Acontece que, tal como noutros Europeus, a Rússia tende a ser bastante irregular. Consegue fazer um grande jogo e noutro a seguir desaparecer por completo.

Neste caso concreto deu a ideia de que foi uma selecção que se deixou dormir à sombra dos elogios do primeiro jogo e com a convicção que a qualificação estava já praticamente garantida. Por isso perdoou a Polónia no segundo jogo e acreditou que o empate seria suficiente por achar que a Grécia que até então tinha demonstrado várias limitações acabaria por estender a passadeira perante o talento russo. Esqueceram-se que os gregos são dos jogadores que mais paixão e intensidade competitiva deixam dentro das 4 linhas. Acreditam no impossível até ao último minuto, e se colocados em vantagem sabem aglomerar-se na defesa e defender cada jogada como se fosse a última, um estilo de jogo capaz de enervar uma equipa mais técnica… Portugal que o diga… A Rússia ficou também a saber agora.

A Polónia em condições normais tinha equipa para seguir em 2º. O trio de jogadores do Dortmund: Piszczek, Kuba e Lewandowski davam uma qualidade extra a uma equipa competitiva. Pena é que o treinador não acompanhasse essa qualidade e retraísse através das suas decisões tácticas e estratégicas o futebol dos polacos. Por isso, a Polónia deixou a Grécia escapar-se com um empate após uma 1ª parte em que poderia ter deixado os 3 pontos no bolso.

Estas falhas russas e polacas abriram espaço para a surpresa. Os “underdogs” asseguraram a passagem na última jornada. A República Checa que havia sido goleada na 1ª jornada e que dava a entender ser a selecção com menos potencial do Euro logo a seguir à Irlanda, e ainda a Grécia treinada pelo português F. Santos que teve que lidar com uma série de incidentes, como más arbitragens, lesões e castigos. Mesmo assim, no final, permaneceu o espírito de luta dos gregos e a sua capacidade de sacrifício. Ficam pelo caminho duas selecções que inclusive apresentaram talentos individuais que seriam facilmente destaques neste Euro, casos de : Lewandowsky, Kuba ou Dzagoev.

Grupo B

O chamado grupo da morte. Aquele que esperava-se que fosse o que oferecesse os melhores jogos. Com o vice-campeão do Mundo, e o vice-campeão da Europa. Não foram os melhores jogos, mas ainda assim assistiu-se a alguns jogos bem disputados e com emoção. Acima de tudo havia muitos craques no relvado nos jogos do grupo B.

A Alemanha confirmou todo o seu poderio e apresentou as suas credenciais que fazem dela, a meu ver, a grande favorita ao título. A selecção que apresenta mais soluções e ao mesmo tempo aproveita bem a base do Bayern de Munique a que acrescenta o talento de Ozil e a qualidade de Khedira e Hummels.

A Holanda foi a grande decepção. Três derrotas. Uma equipa afundada em problemas internos e que passou pelo Europeu sem conseguir deixar a marca do seu futebol. Uma equipa partida em campo. Tudo poderia ter sido diferente se não tivessem perdido no 1º jogo com a Dinamarca. Já previa que neste grupo a selecção que perdesse pontos com a Dinamarca seria eliminada e tal acabou mesmo por acontecer. Seria complicado para a Holanda recuperar esse prejuízo com a Alemanha e mais ainda contra Portugal numa última jornada em que iria permitir que Portugal jogasse com as suas fortes transições. Ainda assim não deixa de ser a desilusão do torneio. A própria Dinamarca com mais limitações acabou por ameaçar mais as vitórias de Portugal e Alemanha.

Neste grupo assistimos também à melhor exibição individual na 1ª fase do Europeu. Falo da exibição de CR7 frente à Holanda.

Grupo C

Um grupo que parecia fadado para ser ganho por espanhóis e italianos. Tal acabou mesmo por se verificar. Contudo, a classificação claramente não faz jus à qualidade da selecção da Croácia. Um grupo que teve jogos de excelente qualidade entre os três primeiros e que poderia muito bem ser um grupo da morte, se em vez de Irlanda tivesse outra selecção com outros argumentos. Por muito que tentasse, a velha raposa Trapattoni já tinha conseguido uma proeza enorme. Qualificar para o Europeu uma selecção com tão poucas soluções como a Irlanda é mais uma pequena estrela no brilhante currículo do técnico italiano.

A Croácia pode bem ser considerada a surpresa. Slaven Bilic demonstrou ser um excelente treinador e trouxe uma Croácia sem grandes craques, o seu nome mais sonante era Luka Modric, mas uma selecçção que apresentava um bom futebol. Uma equipa competitiva, que tentava sempre sair a jogar mesmo contra selecções com outro poderio. Fez a Itália e a Espanha suarem pela qualificação. Porventura foi a selecção mais injustiçada deste Euro, pois no último jogo com a Espanha, soube controlar o tiki taka espanhol, fazendo com que a Espanha tivesse uma posse acima dos 70% mas sem profundidade. Teve as oportunidades mais flagrantes de golo mas esbarrou num excelente Casillas e numa arbitragem tendenciosa. Uma equipa que deu uma lição de maturidade táctica e que soube sair para o contra ataque sempre com critério, através dos pés de veludo de Luka Modric. Um absoluto craque. Um dos que menos merecia sair tão cedo deste Europeu. Croácia deu ainda maior notoriedade ao seu avançado todo o terreno, Mandzukic que aos 27 anos joga no Wolfsburgo mas que demonstrou claramente que pode ser avançado para uma equipa com outras ambições.
Palavra de destaque também para o técnico Cesare Prandeli. A Itália chegava a este Euro envolta em desconfiança e muitos diriam que seria até a maior candidata a desiludir, pelos últimos resultados e exibições nos amigáveis (haviam perdido de forma copiosa com a Rússia por 3-0), e ainda pela polémica de combinação de resultados que voltou a assombrar o futebol italiano e que afectou inclusive a convocatória final da Itália. O que se viu foi uma Itália arrumada num interessante 3-5-2, aproveitando algumas das rotinas da campeã italiana, a Juventus, com dois laterais capazes de fazer o vaivém que se espera numa táctica com 3 centrais. Principalmente Maggio do lado direito foi o exemplo de jogador perfeito para encarnar este tipo de modelo de jogo.

Assim a Itália deu luta à Espanha naquele que foi o melhor jogo do Europeu até ao momento. Itália que depois deixa dois avançados bem abertos e com liberdade para infernizar as defesas adversárias. Uma dupla em que o talento e a loucura andam de mãos dadas: Cassano e Baloteli. Pode-se dizer que Baloteli é um espectáculo dentro do próprio espectáculo que é o jogo. Esta é por isso uma equipa que seduz pela forma como aborda os jogos e pela genialidade de alguns dos seus intérpretes assim como a polémica sempre associada a alguns deles. Uma Itália que tem ainda a classe de Pirlo que com tão avançada idade ainda dá cartas e mexe os cordelinhos de todo o jogo italiano. Uma Itália nada sisuda, antes pelo contrário. O Catenaccio não é a cara desta Itália que sabe ser equilibrada mas sem descurar o momento ofensivo. Prandeli demonstrou também a capacidade de se adaptar ao ter apresentado dois sistemas, pois quando necessário voltou para uma defesa de 4, se bem que admito que o 3-5-2 italiano foi o que mais me seduziu.

Espanha é uma das favoritas mas não deslumbrou. Continua a ser uma selecção dominadora, que pratica uma espécie de catenaccio ofensivo da posse. Defende-se de forma acérrima tendo a bola e não deixando o rival jogar. Contudo é uma selecção que apresenta alguns equívocos. O duplo pivô defensivo é um deles e já vem do Mundial em que a Espanha ganhou mas com um futebol que não encantava tanto como de 2008.

Acontece que com a lesão de Villa, Del Bosque acrescentou novo problema. Espanha campeã da Europa com Aragonés jogava só com um trinco e com dois avançados (Villa e Torres). Assim tinha tiki taka, mas também largura e profundidade no seu jogo, até porque Ramos subia bastante como lateral. A Espanha com Del Bosque passou para dois médios defensivos e apenas um avançado no Mundial (Villa), para agora jogar inclusive sem avançado centro declarado. Para além disso as laterais não convencem, principalmente o lado direito com Alvaro Arbeloa. A opção de Del Bosque de jogar sem um 9 claro, não foi assumida na totalidade e também essas hesitações de Del Bosque têm gerado polémica.

Espanha não pode jogar como o Barça com um 9 mentiroso pois não tem Messi. David Silva não aparece na zona 9 com a mesma facilidade, e mesmo o Barça joga com Dani Alves a dar muita largura ao jogo e assim podendo dar outras soluções quando o jogo está muito congestionado pelo meio. Para além disso não é Messi que joga a falso 9, são vários jogadores que caem nessa posição e por isso funciona. Pode ser Pedro, pode ser Alexis, pode ser Cesc Fabregas. Na forma de jogar de la Roja de Del Bosque é apenas Cesc Fabregas que aparece nessa zona. Depois sente-se que o jogo é demasiado afunilado. Daí que por vezes se opte pela entrada de um extremo como Navas, mas aí falta depois uma referência na área para dar a solução de cruzamento.

A Espanha goleou a fraca selecção da Irlanda mas demonstrou bem as suas fragilidades quer com Itália quer com a Croácia. Já há algum tempo que a selecção espanhola não sentia as suas fragilidades tão expostas pelos adversários e pode também agradecer o seu estatuto entretanto conquistado, para ter continuado em prova com uma ajudinha de Stark.

Grupo D

Um grupo que tinha dois claros favoritos. Não esperava muito da Ucrânia, mas deve-se dizer que foi o grupo em que mais se sentiu a vertente quase mística do futebol. Quase que podia ser um argumento de filme, aquele regresso de Shevshenko para disputar o Euro no seu país, o herói nacional que caminhava para a reforma mas que ainda tinha gasolina no tanque para fazer um país sonhar. E foi isso que fez com os seus dois golos que deram a vitória sobre a Suécia num jogo com uma emotividade especial por toda a simbiose entre Sheva o herói, e o seu povo.

A França demonstrou ser uma equipa a ter em conta como candidata. Uma equipa compacta, que é forte nos 4 momentos do jogo e que apresenta soluções de qualidade nas várias posições e ainda um trio ofensivo de respeito com: Ribery, Nasry e Benzema. Curiosamente fizeram exibições convincentes nos dois primeiros jogos, mas sentiu-se claramente que o melhor ainda estará para vir e que é uma selecção que pode crescer com o decorrer da competição. Talvez a 3ª força após Alemanha e Espanha. Desiludiu no último jogo com a Suécia em que sentia que o apuramento não estaria em risco e porventura não esperaria uma reacção tão enérgica da equipa sueca que já estava eliminada mas que se quis despedir com dignidade. Foi mais uma prova em que Ibrahimovic deixou a sua marca com um excelente golo, mas que mais uma vez se sentiu que o seu talento não é o suficiente para carregar esta equipa da Suécia.

Inglaterra acabou por de forma algo surpreendente por passar em primeira mesmo após sofrer para derrotar a Suécia. Não deveria contar com a falha dos franceses no último jogo.  Os ingleses não apresentam um modelo de jogo muito consolidado. Tem pechas a meio campo, onde Gerrard já é demasiado veterano e Scot Parker é uma solução banal para uma selecção que quer ter outro tipo de ambições. Inglaterra poderá ser forte em jogos partidos com espaço para atacar em velocidade pois tem jogadores potentes do meio campo para a frente casos de: Ashley Young, Wellbeck, Rooney ou Teo Walcott. Roy Hodgson substituiu Capello pouco tempo antes do Europeu, mas ainda não se notou nenhuma marca sua na equipa a não ser o facto de ter tentando inventar o menos possível. Inglaterra joga no 4-4-2 clássico de sempre. Aparentemente os ingleses apresentam um maior sentido colectivo do que apresentaram noutras fases finais, isso já será um avanço para ter mais sucesso.

Passemos então aos destaques:

Melhor selecção da 1ª fase: Alemanha. Três vitórias no grupo da morte e um modelo de jogo absolutamente consolidado. Forte candidata à vitória final.

Pior selecção da 1ª fase: República da Irlanda. Pouca qualidade. Foi já um feito ter conseguido estar presente na prova.

Maior decepção colectiva: Holanda. Mesmo sabendo-se que se encontrava no grupo mais difícil, esperava-se mais da selecção holandesa que saiu do Europeu de forma clara após três derrotas, sendo que as derrotas para a Alemanha e Portugal foram absolutamente claras em termos exibicionais.

Maior decepção individual: Robbie Van Persie. Poderia incluir aqui Arjen Robben também, mas Robben já havia iniciado um mau momento de forma no final da época desportiva no seu clube. Apenas a prolongou neste Europeu. Esperava-se era mais de Van Persie, goleador da liga inglesa e talvez o craque este ano da Premier. Marcou apenas um golo, apareceu pouco e quando apareceu revelou-se desastrado. Poucos se lembrarão da sua presença neste Europeu.

Maior surpresa colectiva: Croácia. Já se sabia da qualidade do trabalho de Slaven Bilic, mas o facto é que a Croácia apresentou um bom futebol, uma equipa capaz de se bater muito bem com potências como Itália e Espanha e o facto é que poderiam ter sido a grande sensação da prova se tivessem eliminado a campeã da Europa e do Mundo.

Maior surpresa individual: Schevshenko. Sei que poderiam esperar que escolhesse uma jovem revelação. Contudo Sheva foi mesmo a grande surpresa pela forma como se reergueu neste Euro e deixou a sua marca quando já o encaravam como um ex-jogador em actividade.

Melhor treinador da 1ª fase: Cesare Prandeli. Senti-me tentado a escolher Bilic pela qualidade de jogo dos croatas, mas Cesare Prandeli conseguiu qualificar a Itália e também com uma qualidade de jogo assinalável e surpreendendo muitos que esperaria uma selecção italiana com menor qualidade e acossada pelos escândalos do futebol italiano.

Melhor onze da 1ª fase (em 4-3-3):

G.R. - Casillas

Defesa:

Lat direito- Dibuchy
Central- Pepe
Central- Hummels
Lat. Esquerdo. F. Coentrão.

Médios:

Pirlo
Iniesta
Modric

Avançados:

CR7
Dzagoev
Mario Gomez.

2 alemães, 3 portugueses, um russo, dois espanhois, um italiano, um francês e um croata. Dois dos jogadores do onze ideal já foram eliminados. Dzagoev que marcou 3 golos com a Rússia e que foi o grande destaque do grupo A, e ainda o médio Modric, um portento de classe que saiu infelizmente cedo demais deste Europeu.

Muitos se perguntarão pela escolha de CR7 para o onze ideal. É um facto que CR7 não se destacou de igual forma nos 3 jogos, e que com a Dinamarca fez uma má exibição. Era para optar por Kuba da Polónia que merecia também esse destaque, mas aqui quis destacar a maior exibição em termos individuais neste Europei que foi a de CR7 contra a Holanda e que por si só o faz merecer um lugar neste onze, até porque Kuba, apesar de tudo, não conseguiu qualificar-se com a sua selecção para os quartos-de-final.

Escolha sempre subjectiva. Passo a bola para os leitores agora. Sintam-se livres de nos darem o vosso feedback e escolheram os vossos melhores da 1ª fase do Euro 2012.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

EURO 2012 - Passaporte carimbado

Apesar de não ser um apoiante de Paulo Bento e de estar contra a lixeira que mora na Federação Portuguesa de Futebol e de achar que alguns Jogadores só querem jogar na Selecção de todos nós quando lhes apetece, não posso deixar de mostrar a minha satisfação pelo facto de Portugal marcar presença no EURO 2012.

Agora há três pontos que devem estar sempre presentes no futuro da Selecção Nacional de Futebol que vai jogar na Ucrânia/Polónia:

- Há que manter os pés bem assentes na Terra e não começar a exigir a conquista do EURO. Temos uma boa Selecção é um facto, mas existem Equipas mais fortes e em Futebol muita coisa acontece;

- A Defesa Nacional tem de melhorar muito, pois na fase de Qualificação Portugal sofreu golos infantis;

- Espero que a nova Direcção da FPF consiga manter o Grupo de Trabalho isolado de tudo e todos para evitar que os famosos escandãlos surgam quando Portugal se estiver a preparar para o EURO 2012.  

Posto isto, e com a chegada de uma nova Direcção á Federação Portuguesa de Futebol que irá colocar no olho da rua o Corrupto Amãndio, eis que este Blog vai voltar a estar com Portugal e a acompanhar os seus jogos.