Mostrar mensagens com a etiqueta CMVM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CMVM. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Contas do Sporting Sad

Enquanto não saem as nossas continhas, e como não podemos ignorar a concorrência, vamos dar uma vista de olhos sobre “aqueles” números habituais que os nossos amigos gostam de ver. Enquanto a “instituição” enviou 1 folha e 1/4 para a CMVM, provavelmente para dependurar no quarto de banho e não merecer qualquer análise, o Sporting SAD apresentou um RC com 178 páginas, muito bem elaborado sob o ponto de vista técnico.

A Sociedade registou no exercício fiscal terminado a 30 de Junho de 2015 um interessante resultado operacional Bruto de 23M€ e 19M€ Líquido. Os Proveitos e outros rendimentos aumentaram 13M€ bem como os resultados na transação de passes de 17M€. As Vendas e Prestações de Serviço subiram de 29M€ para 44M€.
A maior parte dos comentadores ao serviço do outro circo da Segunda Circular, em vez de o elogiar, limitou-se a registar o facto, e fez grande alarido com a falta de constituição de uma Provisão entre 15 a 20M€ para suprir eventuais custos no processo movido pela Doyen no caso do Sporting Sad vir a ser condenado. Inicialmente falava-se de 12M€ mas recentemente a Doyen incluiu na ação judicial o empréstimo de Nani que veio incluído no negócio. Desconhecemos em absoluto em que condições e valor foi contratado, bem como, o clausulado do caso Rojo que motivou a queixa da Doyen.

Importa referir que esta conta 67 (Provisões do Período) destina-se a resguardar os Gastos (Custos) de responsabilidades que à data do balanço sejam de ocorrência provável, nomeadamente processos judiciais em curso. Considerando que a Administração deverá ter concertado a sua posição com o parecer dos serviços jurídicos, aceita-se a não inclusão da Provisão. Por certo acreditam na pouca probabilidade de serem condenados. Mas, como refere o banana, “se tiver que se pagar paga-se”!

Um problema que a mim me parece mais complicado de resolver é a existência de um valor bastante elevado nas VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis), visto que a Sociedade poderá não ter capacidade para resgatar a primeira tranche de 55M€ que se vence em Junho de 2016. Na ausência deste resgate, os bancos que tem na sua posse estes títulos podem fazer deles Capital Social e ganhar uma forte posição na Sad.

Outros fatores a registar positivamente nas contas foram a diminuição do Passivo Total de 264M€ para 228M€ e o aumento do Ativo Total de 146M€ para 235M€, embora que à custa da HOLDIMO, sociedade representada por Álvaro Sobrinho que neste momento já possui cerca de 30% da Sad. Outro facto relevante foi a inversão da posição negativa do Capital Próprio que passou de (118M€) para 7M€ positivos.
Decerto para evitar velhos problemas esta Administração reforçou o controlo dos órgãos fiscalizadores. Achei curiosa a composição da estrutura da Sad. Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Revisor Oficial de Contas e Auditor Externo! A pergunta é: quem fiscaliza quem? Eu explico. O CF fiscaliza o CA. O ROC fiscaliza o CF, e o AE fiscaliza-os a todos! O curioso é que, enquanto o CF é eleito em Assembleia-geral, os outros são “contratados” pelo CA, o que é ótimo porque poderão meter eventuais “lapsos” na gaveta.
Sobre os processos a desencadear a 3 antigos dirigentes (Filipe Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Luís Godinho Lopes), vamos aguardar a explicação que irá ser dada aos acionistas na Assembleia Geral do próximo dia 30 de setembro e a posição que estes irão tomar. A revelação que nos seus mandatos “diminuíram o Ativo e aumentaram o Passivo” parece-me pouco consistente. Se a moda pega qualquer dia temos a maior parte dos presidentes dos clubes profissionais na cadeia.
.
Já depois desta crónica ter seguido para edição, tivemos conhecimento que uma Lokomotiv fez descarrilar o comboio que transportava chiclas para o sapateiro.
Até à próxima

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Aventuras dos Novos Bananeiros

O Publico de hoje (escrevo a 10 de Dezembro) trás à estampa mais uma pérola do conhecido soba da Madeira, relacionada com favores às entidades que o elegem há dezenas de anos. Desta vez os clubes de futebol lá da ilhota dos quais funciona como avalista para as aventuras que entendam realizar nos seus campos de futebol.
Depois de ter contribuído com grossas fatias para um clube que tem uma SAD profissional, o Marítimo que reconstruíu o seu estádio para estar às moscas, desta feita foram descobertas mais umas habilidades, na forma de contratos-programa nos clubes da ilhota, o União, clube de Jaime Ramos secretário-geral do PSD, e à Associação de Futebol local presidida pelo seu cunhado Rui Marote.
A notícia refere ainda que foram detetados pelo Tribunal de Contas, avais prestados à GESBA (Gestão do Sector da Banana), e dívidas ocultas ao IASAUDE (Instituto de Saúde, e ao IDRAM (Instituto de Desporto) e encargos assumidos relativos à amortização de capital e juros dos acordos de regularização de dívida efetuados junto do BANIF, BPI e BCP MILLENIUM.
Só em 2011, ano de eleições regionais, a Madeira concedeu avales no valor recorde de 229,2 milhões, na totalidade destinados a empresas do sector público, parte dos quais irão constar nos Orçamentos de 2017 a 2024! Na parte relativa ao Desporto, que é a que nos interessa, o TdC concluiu que, “sob a aparência do contrato-programa de desenvolvimento desportivo, a Região beneficiou das situações de crédito constituídas, garantiu que os capitais da comparticipação financeira pública foram disponibilizados em momento oportuno e aproveitou a dilação temporal por elas permitida”.
Mas não é só na ilhota que o Tio Alberto dirige há dezenas de anos que os “bananeiros” tem lugar. Num dos circos da Segunda Circular, mais precisamente no Zbórden, a Holdimo, uma empresa de um grupo de investidores angolanos, é uma nova acionista do Sporting com uma participação de 26% na SAD leonina. Álvaro Sobrinho, dono da Newshold (acionista da Cofina), é um dos investidores ligados à Holdimo, cujo crédito que a empresa detinha sobre a SAD leonina foi convertido em ações (20 milhões), cada uma no valor de um euro.
O capital social do Sporting subiu, assim, para 59 milhões de euros, sendo que no plano de reestruturação comunicado à CMVM o Conselho de Administração solicita autorização para concretizar um ou mais aumentos de capital, com a "emissão de 18 milhões de novas ações ordinárias, escriturais e nominativas, com o valor nominal de um euro cada". O capital social ascende a 77 milhões de euros.
O plano de reestruturação revela, ainda, que foi constituída uma "hipoteca sobre o direito de superfície do Estádio José Alvalade e do Edifício Multidesportivo" pelos bancos financiadores do Sporting, BES e BCP, como garantia do pagamento da dívida aos credores. Como recordam foi confirmada a fusão por incorporação do Sporting Património e Marketing na SAD, projeto que já tinha sido aprovado ainda durante o mandato de Godinho Lopes em Alvalade.
Até à próxima

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A BENFICATV Mudou De Dono

Há cerca de meio ano fui surpreendido por um lacónico comunicado da SAD do clube da treta para a CMVM dando conta que teria existido uma “transmissão de quota social” do Sport Lisboa e Benfica/Clube relativa à BenficaTV, para a Sociedade que gere o futebol profissional.
Domingo voltei a pensar nisso enquanto via o Benfica x Porto, não obviamente no canal da instituição (só se estivesse maluco) mas num dos streams que transmitem os jogos de borla.

Primeiro vamos ver o que é uma “quota social”. Uma participação social é definida como “um conjunto unitário de direitos e obrigações do sócio, enquanto tal”, conjunto este que é designado como Quota, no caso das sociedades por quotas, e por Ação, no caso das sociedades anónimas. Tanto as Ações como as Quotas podem ser objeto de negócios jurídicos, como por exemplo a transmissão da propriedade/titularidade (compra, dação, doação, venda, etc.) Até aqui tudo bem. A questão que eu coloco é: quem recebe e quem cede.

QUEM RECEBE - É a Benfica/SAD que, estranhamente apenas tem como objeto social de acordo com os seus Estatutos, “a participação nas competições profissionais de futebol, a promoção e a organização de espetáculos desportivos e o fomento ou desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada da modalidade de futebol”. Não me consta que atividade de produção televisiva nomeadamente a transmissão de jogos de futebol se enquadre em nenhum destes itens.

Talvez por isso, a determinada altura, mais precisamente no dia 4 de Agosto de 2008 foi constituída a BenficaTV SA, uma societária da SAD cujo objeto social é, esse sim, “o exercício de todo o tipo de atividades de televisão e de operador televisivo, especificamente vocacionados para os adeptos do SL Benfica e para assuntos do Clube, das suas atividades desportivas e do seu universo empresarial”. A sociedade foi constituída com o capital social de 1 milhão de euros, representado por 200 mil ações, de valor nominal de 5 euros cada, assim distribuídas: o Sport Lisboa e Benfica com 100.004 ações e o Benfica/SAD com 99.996 ações.
QUEM CEDE - Sendo a BenficaTV SA uma Sociedade Anónima, na realidade tratava-se de uma Sociedade Anónima com apenas 2 sócios e bem conhecidos: o Benfica/Clube e o Benfica/SAD. A operação “transmissão da quota” foi o habitual artifício para fazer subir os ativos da SAD. Como vimos acima, o clube era o titular de pleno direito para exercer atividades televisivas e seria lógico ser o próprio a dirigir e beneficiar do mesmo. A criação da BenficaTV apenas serviu para legalizar a questão do objeto social e para entregar o negócio à SAD.

Em boa verdade a “transmissão da quota social” (expressão para Inglês ver) de que falei no início da crónica, consistiu na “venda” de parte da BenficaTv, à SAD. Tal e qual como já tinha acontecido com o estádio. Ou seja: O clube beneficiando da sua condição especial de IPSS a fim de obter benefícios (fiscais e outros) toma as iniciativas e cria os bens. No fim entrega os ativos (tangíveis) de mão-beijada à SAD que é, nem mais nem menos, a responsável pelo passivo galopante que ninguém adivinha onde pode ir parar.
Esta situação era conhecida de toda a gente que se interessa por estas minudências mas, para melhor confirmação, fui descobrir no Relatório e Contas da SAD relativo ao último exercício anual (1 de Julho de 2012 a 30 de Junho de 2013) na página 151 a explicação “oficial”:

“No âmbito da operação, foi obtida uma avaliação por entidade independente dos justos valores dos ativos e passivos da BenficaTV, sendo o valor determinado em linha com os valores pelos quais se realizou a operação de aquisição. Com referência à data de aquisição da BenficaTV pela Benfica/SAD foram definidos os ativos e passivos ao justo valor…”

Não será uma história semelhante à do estádio cujos terrenos eram do Clube, receberam as comparticipações estatais, autárquicas e outras no âmbito do Euro 2004 para viabilizar a sua construção, e passados uns anos seria entregue de mão beijada à SAD para fingir que esta tem grandes ativos?

Pelo andar da carruagem, a SAD e o Clube que têm um Passivo conjunto de 600M€, e cada vez menos Ativos negociáveis vão ambos por um lindo caminho. Olá se vão!

Até à próxima

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Comigo o Benfica voltou aos anos 60/70

Gaba-te cesta! A frase, como não poderia deixar de ser, é do sapateiro que (ainda) treina a “instituição”. A culpa não é dele. Quando um “patrão” numa entrevista convenientemente gravada para evitar as habituais bacoradas, questiona um empregado sobre aspectos que mexem com o património da SAD, das duas, uma: ou entra mosca ou sai asneira.
 
Saiu asneira! À pergunta sobre o comportamento de Cardozo a resposta foi a óbvia: “Não tem justificação, o presidente dará com certeza uma resposta a ela”. “Zás, catrapus”, lá foram 2 ou 3 milhões ao ar na eventual transferência do sonolento “activo”. Cada cavadela cada minhoca. E não se percebe porque foi “o senhor TV” a dirigir a entrevista
 
Mas tem mais. Perguntado se tinham havido eventuais contactos com outros clubes para mudar de ares foi peremptório: “Tive mas foi do estrangeiro, mais concretamente do Brasil”! Ufa! Pensava que ia falar de nós. Ainda bem que o bluff, bem montado para lhe subirem o salário, não passou de um pesadelo…
 
O pior foi quando questionado sobre o patamar a que poderia conduzir a equipa, o homem, possivelmente aconselhado por aqueles filósofos da treta, o Manuel Sérgio ou o terapeuta motivacional que vegetam pela “instituição” disse: “desde que cheguei (ao clube) a equipa joga o dobro, e voltou ao que era nos anos 60/70”. Toma e embrulha!
Confesso que estremeci! Outra vez os tempos do Deus, Pátria, Autoridade. Desta vez com Jesus, a Nação, e o Rei Sol! Antes, a Emissora Nacional, a Rádio Renascença, o Mário Zambujal e o Fernando Correia. Agora, a Ant1 e os mesmos outra vez! No tempo “da outra senhora” o Alder Dante e o Calabote. Agora o Duarte Gomes e o Capela! O homem não se dá conta do ridículo que corre (não há psicólogo que resista) mas os pasquins levam-no ao colo…
 
A procissão já está no adro. Nos tais anos 60/70 só existia a RTP. Agora temos a dita cuja, mais a TVI, a SIC, e a TVBOLHA. Até um pasquim, o correio manhoso, conseguiu lá meter um canal. Isto sem contar com a jóia da coroa da “instituição”: a BenficaTv.
 
Há dias fui surpreendido por um lacónico comunicado da SAD do clube da treta para a CMVM dando conta que teria existido uma “transmissão de quota social” do Sport Lisboa e Benfica para a SAD, sociedade que gere o futebol profissional.
Como desconfio da “bondade” de tudo o que venha daquele Circo, além da conhecida teoria de gostarem de” fazer a coisa pelo outro lado”, lá deitei pés ao caminho, e fui rever os empoeirados calhamaços de Direito Comercial para “traduzir” o que se teria passado.
 
Primeira contradição – O objecto social da Benfica SAD é de acordo com os seus Estatutos, “a participação nas competições profissionais de futebol, a promoção e a organização de espectáculos desportivos e o fomento ou desenvolvimento de actividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada da modalidade de futebol”.
 
Comentário – Não me consta que o exercício da produção televisiva se enquadre em nenhum destes items e, talvez por isso, a determinada altura, mais precisamente no dia 4 de Agosto de 2008 foi constituída a Benfica TV S.A., cujo objecto social é, esse sim, “o exercício de todo o tipo de actividades de televisão e de operador televisivo, especificamente vocacionados para os adeptos do SL Benfica e para assuntos do Clube (do Clube leram bem?) das suas actividades desportivas e do seu universo empresarial. A sociedade foi constituída com o capital social de 1 milhão de euros, representado por 200 mil acções, de valor nominal de 5 euros cada. Actualmente, o SL Benfica detém 100.004 acções e a Benfica SAD 99.996 acções.”
 
Aquilo que referem no comunicado como “participação social do Sport Lisboa e Benfica” é pois o valor da quota com que o Clube entrou na altura da constituição da sociedade, as 100.004 acções, valendo, 500.020 euros (os 20 são um contrapeso do papagaio falante Sílvio Cervan).
 
Segunda contradição – Sendo a Benfica TV S.A uma Sociedade Anónima (um tipo de Sociedade cujos nomes individuais dos sócios não são conhecidos), na realidade trata-se duma Sociedade por Quotas com apenas 2 sócios e bem conhecidos: o Benfica/Clube e o Benfica/SAD. O termo “transmissão” da quota é para Inglês ver, o habitual artifício (lembram-se do estádio?) para fazer subir os Activos da SAD, quando e se, aquela aventura correr bem. Então, como vimos acima, não era o clube o titular de pleno direito para exercer actividades televisivas? Desfaz-se daquilo em 2 penadas e a outra, a SAD, que nem tem vocação para ser empresária de televisão é que vai negociar com os operadores? Se calhar como tem estatuto de Sociedade Anónima vai meter mais sócios para ajudar a pagar aquele desastre. Lá vem os “anónimos” outra vez com o Jorge Mendes, e a Isabelinha dos Santos à cabeça, como no Benfica Stars Fund.
 
Como todas as Sociedades estas também visam o lucro pelo que a primeira coisa a saber é se as continhas da “transmissora” estão de boa saúde financeira, ou se está falida como a SAD “receptora”. Sabemos que o Clube tem um Passivo de cerca de 100 milhões e que a SAD mais de 400. Pelo CSC (Código das Sociedades Comerciais) no regime geral da cessão de quotas artigo 228º “a transmissão de quotas intervivos deve constar de escritura pública, não produz efeitos para com a sociedade enquanto não for consentida por esta e torna-se eficaz para com a sociedade logo que por ela for reconhecida, expresso ou tacitamente”.
 
Mas vamos considerar que a “operação” foi consentida pela SAD (até pela declaração feita no tal comunicado para a CMVM) e esquecer o Passivo de ambos. O problema é outro. Valendo como vale 500 mil aéreos a quota do Benfica/Clube é entregue (eles dizem “transmitida”) de mão beijada para a Sad? E a “transmissão” foi gratuita ou onerosa? Então a SAD não paga, o fair value (valor justo) ou, pelo menos, o valor nominal da quota? Aquilo teria sido assim:
- Eh pá! Queres 100.004 acções que não tenho espaço em casa?
 
- Manda lá essa porcaria, eu guardo-as na garagem ao pé das outras. Mas se “eles” disserem alguma coisa… não sei de nada…
 
E pergunta o macaco: Esta “transferência de propriedade” não será antes “UMA CESSÃO DE QUOTAS? Actualmente o processo de registo até é bem simples, nem precisa de escritura pública. Mas querem lá ver esta SAD, não contente em ter roubado o estádio ao Clube, agora que a BenficaTV presumivelmente terá lucro, vai abichar os resultados de borla? Lá terei que aguardar pelos próximos episódios, que é como quem diz, os Relatório e Contas do Clube e da Sad para deslindar mais esta trapalhada. E a CMVM engole isto?
 
Até à próxima

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Deixa Cá Ver Mais 45 Milhões

Os meus amigos recordam-se de há algum tempo o pasquim do Tio Belmiro agitar o fantasma dos 1.000 milhões de euros de Passivo “dos 3 grandes”, misturando de forma abusiva o Porto, Sporting e Benfica, fazendo supor que haveria um buraco de 333 milhões em cada.
Puro engano. Do clube dos Viscondes tivemos notícias recentes, através de declarações dos 3 candidatos envolvidos na disputa eleitoral que o Passivo dos Calimeros apurado numa Auditoria ultrapassaria os 400 milhões de euros. Do clube da treta chegam agora informações plasmadas num chamado “prospecto informativo” de mais um Empréstimo Obrigacionista, onde no mapa de Demonstração da posição financeira em base consolidada (pág. 52) constam 404 milhões de euros de Passivo à data de 31 de Dezembro de 2012 ou, por outras palavras, até ao final do 1º semestre do exercício da época 2012/2013, o mesmo período do vizinho.
Ora aqui chegados verificamos que pelas contas do senhor Samagaio, o economista autor do bitaite, caberia ao nosso Passivo a módica quantia de uns míseros 196 milhões. Segundo o RC relativo ao mesmo período podemos afirmar que são precisamente 217 milhões. Na próxima vez convém que o economista não misture tudo no mesmo saco.
Bem sei que para a nossa querida televisão, mais a pasquinada que intoxica a opinião pública com a conversa da verdade desportiva, não lhes convém expilicar (como diria o saudoso Badaró) toda a história. Quem deve quanto a quem. Felizmente que para nos ajudar a este raciocínio apareceu agora nas páginas da CMVM o tal “prospecto informativo”. Vão sacar 45 milhões até “aquilo” estourar de vez.
Nas 179 páginas do livrinho, está lá o drama do clube da treta. Obrigado como está pela Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários a contar a vida toda, ficamos a perceber que tal como o companheiro de infortúnio do circo em frente, não tem um tusto para mandar cantar um cego. Receitas de bilheteira, namings, passes de jogadores, receitas actuais e futuras, quotizações, enfim tudo o que os meus amigos consigam imaginar que mexa com fluxos de dinheiro, estão dados de penhor à Banca, aos Fundos com quem negoceiam, ou a alguns credores que continuam a gemer.
E tem muita graça ler as bazófias do director financeiro em entrevista ao pasquim que leva o clube ao colo que “um empréstimo obrigacionista de 45 milhões é suficiente porque o resto está controlado”! Pasme-se a lata deste caramelo que quando há 10 anos aterrou no clube apenas existia um Passivo, digamos “normal” para a sua dimensão, de 80 milhões. O homem, mais o senhor vieira, o gomes da selva e todos os incompetentes que por lá passaram numa década, multiplicaram aquele número por 5 e acham “normal”. Para a pasquinada que leva o andor na procissão, de um lado da 2ª Circular está tudo bem. Do lado em frente está tudo mal! A táctica é continuar a levar o senhor vieira ao colo e enterrar o bruno carvalho quanto mais depressa melhor. Afinal, em questão de Passivos, ele é que lhe pode pedir meças.
Até à próxima

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A saída de Hulk.(parte1)

5ª maior transferência de todos os tempos. Acima apenas CR7, Zidane, Kaká e Ibrahimovic. Falamos de 3 jogadores que já foram considerados os Melhores do Mundo (dois deles que serão considerados já dos melhores de todos os tempos). Pois bem, Hulk sai do Porto, da liga portuguesa (não da inglesa, italiana ou espanhola) por 60 milhões de euros numa época de recessão. Este simples facto, por si só, já deveria valer uma notícia e o elogio inequívoco da qualidade do jogador, da capacidade tremenda da estrutura F. C. Porto na detecção e promoção de talento e ainda uma prova mais da enorme capacidade negocial do F. C. Porto que sempre fez escola.
 
Mas não. Não podia ser assim. Obviamente que teriam que aparecer alguns iluminados a mando de outro clube, tentarem desvirtuar o peso dos factos. A estratégia está gasta, mas parece que ainda serve para vender jornais aos adeptos desse clube que tem um presidente que já um dia disse que Mantorras valia 20 milhões de contos, ou que tinha uma equipa maravilha e que seria campeã da Europa… Um clube que vive de ilusões e de poucos títulos nos últimos 20 ou 30 anos.
Apesar de tudo devo confessar que não pensei que esse clube e a imprensa que trabalha em prol dos interesses desse clube, tivessem os seus adeptos/leitores em tão baixa consideração. Uma primeira página de jornal ao dizer que Witsel rendeu o mesmo que Hulk foi ainda mais ridícula que outra 1ª página anterior em que se dizia que o Benfica rejeitara uma proposta de 90 milhões por 3 jogadores (um deles já vendido, outro que nem convocado é e outro que acaba de ter um concorrente de seu nome Lima).
 
De um momento para o outro descobrimos que afinal as transferências não se medem pelo valor que um clube paga para contratar um jogador… Medem-se pelo valor líquido que entra nos cofres do clube. Assim sendo, nessa lógica retorcida, toda a imprensa mundial está enganada. Hulk não foi vendido por 60 milhões mas sim “apenas” por 40 milhões. Afinal o Porto só tinha 85% do passe…Pois se por 85% do passe o Zenit pagou 40 milhões, então como é que anunciaram a aquisição de 100% do passe do jogador? Melhor ainda, como é que o Porto informa a CMVM que o mecanismo de solidariedade e outros encargos ficarão a cargo do Zenit (algo que horas antes já o empresário de Hulk o havia confirmado). E atenção que não é o F. C. Porto que costuma ser constantemente sancionado pela CMVM por falsas informações…
 
É uma prática comum na imprensa do regime. A de esmiuçar as transferências do F. C. Porto para tenter diminuir os méritos das negociações. Afinal descobriram que os empresários recebem 10% de comissão, que existe uma percentagem que é detida por fundos e investidores que têm direito a receber uma fatia do bolo…É engraçado que tenham descoberto isso tudo, mas que ainda não se tenham apercebido que isso acontece em todos os negócios no mundo do futebol. Ou acham que o Manchester United recebeu na totalidade o valor que o Real Madrid pagou por CR7? E os 10% do Jorge Mendes? E o mecanismo de solidariedade?
Porque é que o mesmo jornal, anunciou a venda de Javi Garcia por 20 milhões mais variáveis? Segundo a nova lógica de que o valor da transferência é o que entra nos cofres do clube e fica lá, então deveriam informar os seus leitores que o Benfica já não detinha há algum tempo os 100% do passe do Javi Garcia e como tal desses tais 20 milhões podem logo tirar fora 20%. Para além disso poderiam informar que, como em todas as transferências, o empresário de Javi tem direito aos seus 10% e esses 10% saem do bolo total da transferência. Ou seja, o Benfica recebe e depois tem que distribuir. O City negoceia com o Benfica, acorda um preço, mas depois cabe ao Benfica distribuir o que se destina a terceiros.
 
Mas podemos falar noutros negócios… Fábio Coentrão. Outro excelente negócio… 30 milhões. Acontece que F. Coentrão foi formado no Rio Ave e como tal o Benfica dos 30 teria sempre que retirar uma parte para o Rio Ave, fora isso o passe de Coentrão também não pertencia na totalidade ao Benfica, já tinham sido alienados 20%. Como tal, os 30 milhões nunca entraram nos cofres da Luz. Porque é que não noticiaram o negócio desta forma? Para o Porto as transacções contam-se de uma forma, para o Benfica é de outra forma.
 
O Benfica vive num mundo aparte, um mundo em que não existem mecanismos de solidariedade, comissões de empresários, prémios de assinatura, fundos de investimento etc etc. É quase como jogar um simulador como o Football Manager. O dinheiro entra logo na conta e a pronto. Era tão interessante que se deixassem de hipocrisias. O Porto no negócio de Falcao vendeu o colombiano por 40 milhoes mais variáveis, mas também apenas recebeu líquidos cerca de 20 milhões, um pouco mais. Porque tinha compromissos com terceiros no que diz respeito à realização de uma mais valia e ainda tinha que distribuir as despesas de intermediação e ainda o mecanismo de solidariedade. A diferença é que isso, nós vemos nos jornais, já os do clube da 2ª circular, nada se sabe. E ainda se fala em transparência para aqueles lados…
Por isso não deixa de ter a sua piada, ver o vice-presidente Rui Gomes da Silva tentar colocar em causa o valor da transferência de Hulk quando o F. C. Porto informou de forma clara a CMVM dizendo que apenas detinha 85% do passe e que por isso receberia a verba líquida de 40 milhões de euros e que os restantes encargos ficariam entregues ao Zenit. Já o Benfica informa que recebe o valor da clausula de 40 milhões, mas fica por saber quanto é que detinha do passe do atleta, se tem que pagar algo ao investidor que o auxiliou na aquisição do médio belga e quanto deverá pagar pelo mecanismo de solidariedade. Por estes motivos, de todas as formas, qualquer notícia que tente comparar a venda de Witsel à de Hulk colocando-a no mesmo patamar é mentirosa.
 
Mas entende-se a estratégia. Seria difícil explicar aos benfiquistas que o seu clube ficou com um deserto a meio campo e preferiu gastar 4,5 milhões num avançado de 29 anos em fim de contrato ao invés de contratar um lateral esquerdo…
 
Pior é ver a rede de influência em termos de comunicação que o Benfica tem. Quando vejo a Sic Notícias a colocar imagens de Pinto da Costa a dizer que rejeitou uma proposta de 50 milhões por Hulk e que afinal acabou por vender por 40… Enfim. Ou quem tem o dever de informar é incompetente, ou é mal intencionado e claramente está a dar a notícia que alguém lhe soprou ao ouvido para dar. De qualquer das formas é tratar os telespectadores como burros.
Pinto da Costa em nada se contradisse no que diz respeito à proposta. O F. C. Porto aceitando uma proposta de 50 milhões para o Hulk, tendo em conta que só detém 85% do passe e que 15% do valor seria para o fundo de investimento, ficaria apenas com 30 milhões líquidos. Valor inferior à transferência global de Falcao. Ao vender por 60 milhões, vê entrar o valor líquido de 40 milhões. Pinto da Costa aceitou uma proposta de 60 milhões. O resto terá que ir para quem de direito, mas a proposta aceite é de 60 milhões. Porque caso contrário teria que dizer que LFV também vendeu Witsel por menos que a clausula, porque pelo que já se foi sabendo apenas 26m entrarão nos cofres da Luz, porque tem ainda que pagar o mecanismo de solidariedade e tem ainda mais valia que tem que ser partilhada com o investidor e a percentagem do empresário…Sim porque também já li algures que por ser o valor da clausula o empresário não recebe nada…Lembro apenas quanto ganhou Jose Veiga quando Figo trocou Barcelona por Madrid também pelo valor da multa rescisória…
 
Mas até nisso “A Bola” tentou ser original e inventar uma notícia insólita. É que afinal o Zenit até ia pagar o mecanismo de solidariedade… Como? Então o Zenit não bateu a cláusula segundo informações do Benfica? Se bateu a cláusula não tem que pagar seja o que for a mais ninguém. Isso é problema do Benfica. Seria original um clube bater o valor de uma cláusula mas depois por caridade aceitar ser ele ainda que paga o mecanismo de solidariedade e ainda demais encargos com terceiros Esse jornal já perdeu totalmente a noção do ridículo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Face Oculta da Lua

A habitual imprensa afecta à “instituição” noticiou há dias com grande relevo, a recusa dum contrato de 111 milhões de euros por 5 anos oferecidos pelo empresário Joaquim Oliveira, para a transmissão dos 15 jogos/ano em casa, da equipa principal de futebol. Duas hipóteses para o facto me ocorreram: Ou está cheia de dinheiro ou tem melhor oferta. Para conhecer a resposta, e aproveitando o facto de há 1 semana ter sido publicado o RC da SAD relativo ao 1º semestre da época 2011/2012, lá fui analisar as 108 folhas, (1) da gestão daqueles músicos, onde constatei algumas coisas “estranhas”.

1 – COENTRÃO – “a Benfica SAD alienou os direitos desportivos do atleta Fábio Coentrão ao Real Madrid pelo montante de 30 milhões de euros” (pág. 6). É uma afirmação enganosa. Pode parecer que foi o valor encaixado mas, mais à frente, a Sad diz (pág. 12) “os proveitos com transacções de atletas estão essencialmente relacionados com a transferência do Fábio Coentrão para o Real Madrid no início da época, que gerou uma receita líquida de 16,4 milhões de euros”. Claro! Tem que se abater ao montante bruto, 20% que pertence ao Fundo, mais as comissões pagas ao conhecido “agente Fifa” que está sempre pronto para lhes comprar ou vender jogadores.

2 – FUNDO – “a Benfica SAD mantém uma estreita ligação com o Benfica Stars Fund”. Aquele cómico que representa a “instituição” no programa DIA SEGUINTE costuma dizer que o Fundo pertence ao Benfica. É mentira. A SAD é um investidor entre outros, só lá tem uma participação de 15% em 40 milhões pela qual teve que pagar 6M€. (pág. 65) Nem percebo como “entra” na consolidação. Não é a SAD que o controla nem os 15% obrigam a tal, e a gestão é feita pelo Banco BES e não pela SAD como fazem querer aos incautos. É a ESAF quem avalia e aceita os atletas a integrar no Fundo, que não podem ser vendidos sem o seu aval. Nas contas da SAD deveria ser considerado “investimento financeiro” mas enfim, nas continhas chamam-lhe “associação de interesses económicos” (pág. 66). A 31 de Dezembro estavam lá colocados, melhor dizendo, penhorados 24 atletas no valor de 38,2M€ (pág. 7), sendo que revertem para o Fundo as percentagens que foram “adiantadas”, caso haja alguma transferência. Pormenor importante é que os atletas integrados no Fundo que não forem transaccionados até ao fim da vigência dos seus contratos, constituem perdas de imparidade para o Fundo (na percentagem que tiver adquirido); para a SAD (sobre o preço de compra do atleta), e para os seus investidores, entre os quais o inefável Joe Berardo, Isabel dos Santos, e Jorge Mendes que apanham por tabela.

3 – PROVEITOS OPERACIONAIS – “quotizações no semestre: 5M€”. (pág. 10) Continuo sem perceber como 75% (percentagem que fica para a SAD) do valor das quotas, dos proclamados 220 mil sócios só “rendem” 12 ou 13 milhões/ano. A não ser que muitos se esqueçam de as pagar ou a maior parte sejam sócios daqueles kits da treta que só dão direito a ver 1 ou 2 jogos por ano. Por isso lá dizia o outro: ”há sócios que não são sócios e estão sentados… e há sócios que são sócios e estão de pé”.

4 – IMPARIDADES – “a rubrica de depreciações e perdas de imparidade de atletas regista um crescimento de 13,1%”. Atingiram no semestre 14,4M€. (pág. 12). As imparidades representam a diferença entre o valor de compra dos atletas, e o preço pelo qual são transferidos sempre que o preço da venda é inferior.

5 – PASSIVO – As sub contas mais representativas são: Empréstimos: 254M€ (Passivo Financeiro) (pág. 74), Fornecedores: 43M€ e Outros Credores: 38,2M€. (pág. 24). “O passivo total consolidado do Grupo aumentou cerca de 6,3%” (pág. 14). Faltou sublinhar que já vai nos 403,7M€, o maior de sempre, quintuplicou, em contraste com o apresentado no tempo de Manuel Vilarinho que era de 82M€ mas para o mestre em gestão Domingos Oliveira parece ser normal. (Ver também Credores pág. 87 e seguintes). Afinal “investiram” durante 10 anos mas conseguiram, com a ajuda de alguns amigos, grandes conquistas desportivas: Algarvegate; Campeonato dos Túneis e a Taça Lucílio Batista.

6 – ACTIVO – Vejamos as sub contas mais sonantes do ACTIVO: Activos Tangíveis: 153,7M€ referentes ao valor do Estádio construído com os dinheiros do Euro 2004, e ao Campo de Treinos do Seixal que naturalmente não são vendáveis. Activos Intangíveis: 109,7M€ que representam o valor atribuído ao plantel. Em contraponto acresce que além do plantel do qual poderão vender 2 ou 3 atletas, têm sob contrato mais 41, espalhados aquém e além-mar, que só servem para deitar ao gato, se o gato não for muito exigente. “O valor do activo consolidado da Benfica SAD ascende a 411,3 milhões de euros” (pág. 16). Se “contabilisticamente” existe, na realidade é um número enganador, ninguém vai comprar o estádio ou o campo de treinos, a menos que apareça um Santana Lopes qualquer que lhes “adquira” os terrenos e depois lhos ofereça outra vez, como aconteceu em 2001. Mas isso já é com a CML que como sabemos está falida, com a EPUL, idem, e com o Tribunal de Contas que até já produziu um Acórdão. (2)

Agora o estádio foi “desviado” do clube, para ser “integrado” na SAD, e valorizar artificialmente os activos, a fingir que estão bem de dinheiros! Esta “habilidade” foi muito elogiada pelo associado Bagão Félix considerando “tratar-se de uma solução genial”. Não admira vindo dum colega de MFL a senhora que aceitou como garantia do pagamento de dívidas fiscais e à Segurança Social, uns papéis sem qualquer valor, para evitar que a “instituição” não se pudesse inscrever no campeonato.

7 – OUTROS DEVEDORES – Vejam esta pérola (pág. 74) “o saldo da rubrica de adiantamento a fornecedores de imobilizado está essencialmente influenciado pelos valores adiantados a diversos clubes no âmbito dos contratos celebrados que dão à Benfica SAD um direito de preferência numa futura aquisição de direitos económicos e/ou desportivos de activos intangíveis” (leia-se: de jogadores) Esta “situação” já eu a conhecia (Vitória Guimarães). Daí até imaginar que a colocassem num Relatório e Contas só me sugere um comentário: De facto o clube da treta tem muita lata! Contrata nas vésperas dos encontros, senão no próprio dia, jogadores aos clubes com quem vai jogar, empresta-lhes dinheiro ficando com “preferência” em eventuais contratos, enfim uma situação boa para os amantes da verdade desportiva (ah!ah!ah!) analisar. Isto em Chicago usava-se muito, só falta mesmo “oferecer protecção” para substituir o relvado, limpar os balneários ou aumentar os estádios. Podiam começar pelo Marítimo do senhor Carlos Pereira que parece um campo de concentração

8 – FORNECEDORES – E se vos disser que na sub conta “fornecedores imobilizado títulos a pagar” aparecem lá 5,3M€ em débito ao Atlético de Madrid relativos à compra do Roberto? (pág. 34). O tal que depois, foi vendido a um clube falido, o Saragoça, por 8,5 M€.

9 – GARANTIAS PRESTADAS – Os meus amigos nem imaginam o que por ali vai (pág. 98 a 101). Desde “saldos de contas bancárias” até “penhor sobre todos os bens penhoráveis”, passando por “créditos de contratos com fornecedores”, “patrocínios”, “acções”, “receitas de bilheteira”, “direitos de superfície”, “namimgs”, “bilhetes de época”, “rendas”, “créditos futuros”, “direitos desportivos sobre jogadores”, “quotas”, está tudo hipotecado.

10 – PARECER – Faz parte das Contas, como é normal, o Relatório do Auditor e Revisor Oficial de Contas. A estas entidades compete apenas a “verificação da informação financeira contida nos documentos sobre se é completa, verdadeira, actual, clara, objectiva, lícita e em conformidade com o exigido pela CMVM”. Apenas foi entendido colocarem uma ênfase sobre a não adequação da sociedade ao famoso art. 35 (encontrar-se perdido mais de metade do Capital Social). Mas que diabo! Embora não seja da sua competência, podiam chamar a atenção para os buracos daquelas contas.

É que parecem a face oculta da Lua.

Até para a semana

(1) http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/PCS37795.pdf

(2) http://www.jn.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1480714