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segunda-feira, 26 de março de 2018

Carta Aberta aos Pasquineiros

Vou começar como aqueles discursos do senhor Pinto da Costa nos Dragões de Ouro.
 
Exmo. Senhor Vítor Serpa, Diretor do jornal A BOLA, Exmo. Senhor António Magalhães, Diretor do Jornal RECORD. Exmo. Senhor Octávio Ribeiro, Diretor do Correio da Manhã. Exmo. Senhor Dr. Francisco Balsemão, Presidente do Conselho de Administração da SIC, Exmo. Senhor Dr. Miguel Pais do Amaral, Presidente do Conselho de Administração da TVI, Exmo. Senhor Dr. Gonçalo Trigo Reis, Presidente do Conselho de Administração da RTP. Exmo. Senhor Dr. Bagão Félix digníssimo representante do clero. Exmos. Senhores junta-letras dos pasquins. Minhas senhoras e meus senhores.
 
Todos sabemos que Vossas Excelências dominam a arte da contra informação. Relevaram em parangonas um lucro de 19M€ do clube da treta e “esconderam” um Passivo de 385M€.
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Ignoram que o resultado de “exploração corrente sem transferências” deu prejuízo (-25M€) foi um desastre como vem sucedendo há vários anos. Todos sabemos que o “lucro incluindo transferências” foi conseguido à custa da compra de paletes de jogadores dos quais 4 ou 5 que se aproveitaram foram mais tarde vendidos. Escondem que esse erro de gestão vai levar à perda da LIGA este ano. Os 4 ou 5 despachados eram a espinha dorsal da equipa do sonso.
 
Acham normal que o Passivo de 86M€ deixado por Manuel Vilarinho em 2012 tenha aumentado na gestão do Senhor Luís Filipe Vieira até aos 385M€. Esquecem que o Passivo Financeiro remunerado (aquilo que devem à Banca) já vai nos 276M€ e os principais Ativos (estádio, pavilhão, centro de treino) não são vendáveis. Isto sem falar nos 600M€ das empresas falidas do presidente nos ramos da imobiliária e do turismo que jamais serão pagos.
 
Também no caso dos emails, dos empréstimos em dinheiro a vários clubes, e ultimamente no caso das Toupeiras os vossos pasquineiros e escribas oficiosos mais os cartilheiros que albergam nos vossos programas televisivos não tem um pingo de vergonha. Nuno Farinha, benfiquista ferrenho e cartilheiro, foi em boa hora despachado do Record um jornal Sportinguista.
Portugal inteiro sabe das trafulhices do clube da treta. Novos, velhos, assim-assim e também o primeiro-ministro. Interrogado sobre as aldrabices que já correm mundo escudou-se no “segredo de justiça”. Conhecem aquela definição de segredo? O segredo é uma coisa que se diz em voz baixa a toda a gente! Os 6 milhões de aficionados da “instituição” começam a ficar divididos “afinal sempre é verdade”, exceto para os pasquins comprados (ou melhor dizendo “vendidos”) ao clube do regime. António Costa considera que a violação do segredo de justiça é um problema que não pode comentar “por se tratar de um caso judicial”.
 
Informo V. Exas, os vossos acionistas, clientes, anunciantes e a quem possa interessar que deixei de ler, ouvir e ver as tristes figuras dos vossos lacaios nas TV’s. Não queria terminar sem fazer votos para que a Segunda LIGA seja o próximo destino do vosso clube.
Até à próxima aldrabice

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Mais um Recorde

Um Orçamento é uma projeção de Proveitos e Custos. Na Sad do nosso clube é um exercício de adivinhação. Desta vez o maior prejuízo nas Contas desde a sua existência. Na última época foi de 58,4M€ rebentamos com a escala. Gravíssimo porque além de ficarmos debaixo da alçada do Fair Play Financeiro não teremos meios para reforçar o plantel na próxima janela de mercado. A previsão de grandes transferências com um plantel de jogadores “normais” falhou. Por algum motivo essas operações são classificadas nas Contas como Proveitos Extraordinários. São suscetíveis de se verificar ou não.
Vamos ver os principais desvios:

Nos Proveitos tínhamos previsto 85,4M€ só fizemos 75,8. O principal desvio deveu-se à falta das receitas Uefeiras. Nos Custos projetamos 107,7 mas atingimos os 124,4 devido ao aumento nos Fornecimentos e Serviços Externos (de 32,8 para 38,6) e nos Custos com Pessoal (leia-se jogadores, técnicos etc. de 68,9 para75,8). Assim se o compararmos com o Orçamento que apontava para um lucro de 1.8M€ tivemos um resultado liquido negativo de 58,4.

Embora o Ativo tivesse subido de 359,2 em 2015 para 375 esta época o Passivo deu um salto de 276,1 em 2015 para 349,2 este ano. Resultado que se refletiu de imediato no Capital Próprio que baixou de 83,1 em 2015 para 25,9 no presente RC, ficando na situação contabilística de falência técnica (sempre que o Capital Próprio seja inferior a 50% do Capital Social). Neste momento o Capital Próprio devia ser, pelo menos, 56,250M€ visto que o Capital Social da SAD é, como sabemos desde a última época, de 112.500M€.

Além disto o reconhecimento nos últimos 3 anos de prejuízos de mais de 5M€/ano em 2 dos 3 anos tem que ser justificados à UEFA para cumprimento de um dos pressupostos do Fair Play Financeiro. A UEFA, depois, pretende explicações sobre como vai ser tratado esse problema que pode ser resolvido de várias formas. Reforço de capital por parte dos acionistas, recurso a um investidor externo, sendo dado um prazo para a sua execução, ou explicações concretas sobre as causas dos prejuízos. Vejamos o gráfico das últimas 10 épocas.
É conhecida a política de Investimentos da Sad em “ter uma posição ativa no mercado de transferências, visando a potenciação do sucesso desportivo e uma equilibrada renovação dos contratos profissionais”. Acredita-se que sim mas infelizmente não é isso que a realidade tem demonstrado nas últimas épocas. Contratações feitas sem nenhum critério de qualidade, subida nos Custos com salários, e falta de receitas nas competições europeias, conduziram a um resultado desastroso de imprevisíveis consequências.

A boa notícia é que em Setembro de 2018 teremos o Estádio do Dragão completamente pago. O plano financeiro da Euro Antas com a Banca continua a processar-se dentro dos parâmetros contratuais.

Até à próxima

domingo, 5 de junho de 2016

Contas à Moda do Porto

Perante os resultados apresentados há uma semana, já era tempo dos sócios começarem a pensar. Se calhar nem reparam como “aquilo” vai subindo… subindo. “Aquilo” é o Passivo claro. Desculpam-se com o Ativo: “estamos safos é maior”. Pois mas não é dinheiro vivo! É “apenas” um valor Contabilístico.
A Televisão das Sopeiras até lhes chama “Dívidas”. Não será bem assim prefiro o termo responsabilidades. Os valores apresentados acima correspondem aos Passivos Totais acumulados até ao 3º Trimestre (1 de Julho de 2015 até 31 de Março de 2016.) Haveria muitas Contas a explorar mas fixemo-nos apenas no Passivo.
 
Vamos explicar devagarinho a ver se os menos habituados a estas andanças entendem. O Passivo engloba várias subcontas como Empréstimos (bancários, ou obrigacionistas); Credores (fornecedores de bens ou serviços); Responsabilidades (aos trabalhadores) pós Emprego; Impostos (diferidos); Provisões (para eventuais encargos judiciais, financeiros, prémios a jogadores, ou eventuais imparidades nos Passes), etc.
 
Conforme os prazos em que esses “compromissos” se venham a verificar estão divididos em dois grandes grupos. O primeiro chama-se Passivo Não Corrente (compromissos a mais de 1 ano por exemplo o que estamos a pagar desde 31 de Março de 2005 até 30 de Setembro de 2018 relativo ao financiamento do Estádio do Dragão); Resgates dos Empréstimos Obrigacionistas na altura do resgate; pagamentos mensais relativos a Empréstimos Bancários; prestações aos Fornecedores pela cedência dos Passes que, normalmente, são diluídos pelo período do contrato, e o segundo grupo, o Passivo Corrente (pagamentos até um 1 ano) que inclui os Empréstimos bancários a Curto Prazo; Empréstimos Obrigacionistas (nas datas de vencimento dos cupões, trimestrais ou semestrais); pequenos Fornecedores e Serviços; Factoring (adiantamento de receitas TV ou dívidas de Clientes); Letras Descontadas, etc.
 
É sobre estes que temos que dirigir a nossa atenção. Se não estiverem devidamente orçamentados (previstos), verifica-se desde logo uma quebra de Tesouraria que nos vai obrigar a novos Empréstimos bancários ou ainda pior, Empréstimos Obrigacionistas que nos vão deixar reféns durante vários meses ou anos. O primeiro EO em 2003 destinou-se a fazer face ao financiamento do Dragão. Daí em diante, foi só tapar buracos, e empurrar cada resgate para a frente com um novo Empréstimo. Já houve seis (abaixo em milhões de Euros) e, ou muito me engano, não tardará a aparecer outro.
No 3º Trimestre desde ano verificamos que o Resultado negativo de quase 40M€ deriva dos Proveitos Operacionais (os decorrentes nesse período) terem diminuído; os Custos terem aumentado; as Transferências com Passes terem baixado; e o Ativo também ter diminuído. Este efeito conjugado provocou um desequilíbrio no Capital Próprio (diferença entre o Ativo e o Passivo) que nesta altura está (como aconteceu durante muito tempo) na chamada falência técnica (sempre que não atinge, pelo menos, 50% do Capital Social).
 
Todos sabemos o que falhou: Falharam os resultados desportivos, os prémios da UEFA e, por arrasto, as receitas de bilheteira, e as receitas televisivas. A talhe de foice convém recordar que o anunciado contrato com a MEO só produz efeitos a partir de 2018 e nem sequer podemos confiar nos seus prazos porque anda por aí uma reguladora que não deixa fazer contratos com prazos superiores a 3 anos. Ainda não vimos um tusto!
Resta dizer que (assim) não há dinheiro para grandes voos a menos que se registe mais um milagre. Os habituais lucros com transferências de jogadores podem estar comprometidos pela necessidade que temos de conservar os melhores e adquirir reforços para alguns lugares. Mesmo a verificar-se um equilíbrio entre os valores das entradas e saídas, as perspetivas para o fecho das Contas a 30 de Junho apontam para o maior prejuízo final dos últimos anos.
 
Até à próxima

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Contas da FC PORTO SAD

Publicado que foi o Comunicado/resumo das principais contas da SAD, relativo ao período de 1 de Julho de 2014 a 30 de Junho de 2015 verifica-se com satisfação que conseguimos inverter o resultado do último exercício no que se refere ao Capital Próprio, passando de uma situação negativa de -33M€ para 83M€ positivos. Podemos dizer que a SAD não fugiu muito dos valores que tinha orçamentado, exceção feita ao Resultado Consolidado, que constituiu uma agradável surpresa.
Infografia: NEGÓCIOS

Um fator de relevo foi a apresentação de excelentes resultados operacionais que se conseguiram durante a época, excluindo transações com atletas, em comparação com os resultados negativos da anterior no valor de -25.7M€. As vendas de passes atingiram o excecional valor de 82,5M€, faltando ainda incluir por ter sido feito já fora do período abrangido pelo RC o passe de Alex Sandro no valor de 26M€. Os Custos Operacionais subiram de 95,1M€ para 110,3M€. O Total dos Proveitos Operacionais foi de 93,6M€ ao contrário da época anterior de 72,6M€.
Gráfico: José Lima

O Ativo, com a agregação do Estádio do Dragão cresceu para 359.2M€ o que provocou o aumento do Passivo que aumentou de 233,5 para 276,1M€, justificando-se com o valor do Passivo que o Estádio trazia “dependurado”. Segundo o Dr. Fernando Gomes espera-se que possa ficar pago até 2018. Por fim o Resultado Liquido do exercício foi de 19,4M€ 

Agora (apenas como elemento cómico) vamos ver uma projeção feita por um blogue do clube da treta. Vaticinavam então há uns meses o “NovoGeraçãoBenfica & friends” que em vez de lucro, iriamos ter um prejuízo de 27M€! Para um “especialista” em previsões bem melhor seria analisar os resultados da sua “instituição”.
Vai ver que se somar o Passivo da Sad (430M€) com o do clube (100M€) terá um Passivo maior do que o do FC Porto e Sporting juntos.
Fonte: A BOLHA

Até à próxima. 

Adenda - Já depois de enviada a crónica para edição tive conhecimento que o RC completo foi hoje publicado em http://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/PC57328.pdf

domingo, 7 de julho de 2013

Pensamento da Semana: As camisolas e as urtigas

Estas são as camisolas que o Futebol Clube do Porto vai utilizar na próxima época desportiva.
Para ser muito sincero já há muito que tenho saudades das tradicionais camisolas Azuis e Brancas que durante anos a fio tinham no seu dorsal publicidade à Revigres. As actuais, para além de quererem cortar com um passado rico em Troféus e em “Estórias”, só pensam no lucro e descaracterizam por completo o Clube.
Para mais os Estatutos do Clube estabelecem claramente que o equipamento secundário das equipas do FC Porto devem ser sempre de uma das cores da bandeira do Clube. Pelo vistos no que diz respeito á cor das Camisolas os Estatutos são para atirar às urtigas mas quando é para se convocar uma Assembleia Geral de Associados é o aqui-d'el-rei porque os Estatutos isto e os Estatutos aquilo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

II Encontro da Bluegosfera

Realizou-se no passado Sábado em Espinho mais um encontro de bloggers portistas promovido por 3 blogues de referência Reflexão Portista, Porta 19, Bibó Porto Carago, e onde tive o prazer de ser convidado a fazer uma apresentação.
Para aqueles que não puderam ou quiseram estar presentes deixo aqui o Guião da minha apresentação…
“Meus amigos: muito boa tarde. Em primeiro lugar queria agradecer à Organização o amável convite para colaborar neste encontro. É uma honra estar ao lado de tão ilustres portistas, mas fiquei algo indeciso com o tema que me calhou…”
“Como sou Sagitário comecei a ler o título da frente para trás. SUCESSO! Isto deve ser connosco, portistas, pensei. 26 Taças nos últimos 13 anos, 8 nos últimos 10, centenas se lhes somarem os trofeus dos escalões jovens e as conquistas nas modalidades”
“LEVEZA. Bem… leveza é como quem diz… O último Orçamento já orçava em 90 milhões e apesar disso vejam os prejuízos da época 2011/2012…”
“INSUSTENTÁVEL. Nem mais. Gastar 90 milhões para ter 33 de prejuízo…Vamos analisar as suas consequências…

“Desde logo o reflexo que os prejuízos têm no Capital Próprio. Como sabem, o Capital Próprio é a diferença entre o Activo e o Passivo. Comecemos por observar que, dos 3 grandes, TODOS têm Capital Próprio negativo”
“Quanto a nós, que é o que interessa, gostava de dizer que nos metemos em tantas coisas ao mesmo tempo, (Modalidades, Sad, Estádio), que tinha que dar nisto. Nessa altura o Clube entregava 75% do valor das quotas à SAD e não contente com isso, poucos anos mais tarde, resolveu criar outra Sociedade da qual detém 100%, para viabilizar a construção do novo Estádio. Vamos ver como tudo começou…”
“Inicialmente só existia no clube o Futebol. Mais tarde foram aparecendo as restantes modalidades. Em 5 de Agosto de 1987 para lhe conferir maior autonomia, foi entendido ‘separar’ o futebol das restantes Secções, tendo sido criada para o efeito uma sociedade (SAD) para gerir o futebol. Embora esta operação tenha dado excelentes resultados desportivos, no capítulo das contas falhou, como vamos ver a seguir…”
“Como podem verificar tanto o Porto/Sad como as Sociedades nossas concorrentes, têm um Passivo maior do que os Activos. Será que o Benfica tem melhores resultados nas Contas do que nós? Não! Todos sabemos que aquele clube ‘faz as coisas pelo outro lado’. ‘Entregaram’ o estádio à Sad para fingir que têm grandes activos. Mas esqueceram-se de uma coisa: O estádio trazia um enorme Passivo dependurado. Se quiséssemos tínhamos feito o mesmo. Mas não. O Estádio do Dragão não é da Sad, é do Futebol Clube do Porto e continuará a ser…”
“SAD! As receitas baixaram substancialmente (quotas, cadeiras, bilheteira, publicidade) e como está mau para andar a pedir dinheiro emprestado, tenta vender todos os anos 2 ou 3 das nossas pérolas. E não se tem saído mal. Vejam-se os jogadores que conseguimos transaccionar…
“500 milhões. É obra! Só que isto não é bem assim. Quando vendemos, ficamos sem os jogadores e temos que repor o Stock, pagar comissões aos empresários e, como os clubes a quem fornecemos a ‘mercadoria’ (o termo é do Major Valentim Loureiro) também estão mal de dinheiros, demoram a pagar. Basta ver o caso recente de Falcao que foi transaccionado para o Atlético de Madrid, já está noutras paragens e nós continuámos sem receber. Vamos ver o resumo das contas que falámos acima durante os anos de 2001 a 2011…”
“Repare-se que sempre que o valor do plantel (colunas pretas) sobe, logicamente os Activos acompanham a subida (entra ‘mercadoria’) e os Passivos também (ficamos a dever à banca). Depois ficamos com um problema de Tesouraria (temos valores mas não temos dinheiro) e lá vamos fazer outro Empréstimo Obrigacionista para pagar aos nossos ‘fornecedores’ e empurrar o Passivo Financeiro para a frente…”
“É a altura de deixar algumas recomendações para a SAD embora ‘ela’ esteja farta de saber isto…”
“Para finalizar, gostava de agradecer o convite para participar nesta reflexão, deixando ficar um slide de homenagem às nossas claques e aos nossos atletas…”
“Muito obrigado pela vossa atenção…”
E pronto! Depois dei por fim a minha apresentação. Lá gastei os 15 minutos disponíveis que, espero, tenham sido do agrado dos participantes naquele agradável encontro.
Até à próxima

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Relatório e Contas Braga SAD

Não obstante os Proveitos Operacionais terem uma variação negativa de mais de 50% em relação ao exercício anterior, o resultado global total com transferências, permitiu à sociedade obter um lucro de 5M€, e uma razoável performance desportiva.
De salientar os Custos Operacionais, terem baixado cerca de 19% em relação ao ano anterior. Os Resultados Financeiros são também negativos. Nos Capitais Próprios os resultados são excelentes, muito por força dos Resultados Totais Líquidos serem positivos desde há 3 anos, o que lhes permite ficar fora do famoso artigo 35º, o que, como sabemos, não é conseguido por nenhum dos 3 grandes.
Na relação Activo/Passivo, saliente-se que o Passivo contabilístico aumentou para mais do dobro, felizmente sustentado pelo valor dos Activos que acompanhou aquela percentagem. Temos então que para Activos de 38,8M€, o Passivo é de 29,6M€. O rácio Cash Flow/EBIDTA indica-nos que a dívida financeira pode ser amortizada no prazo de 1 ano, o que é excelente.
Nesta breve análise pode concluir-se que tendo uma gestão equilibrada, pode juntar-se aos êxitos desportivos, uma saúde financeira invejável. De relevar ainda que o Relatório e Contas está de acordo com o novo SNC (Sistema de Normalização Contabilística).
Quanto ao Clube gostava de salientar as escolinhas de formação no Futebol.
Nas modalidades, a Natação, com 120 atletas federados, e as Escolas de Natação com cerca de 600 crianças inscritas; o Futsal que, em parceria com a Universidade do Minho, regressou este ano ao escalão principal; o Atletismo com as escolinhas dos 6 aos 12 anos; o Basquetebol (duas centenas de atletas federados); o Voleibol Feminino na divisão principal, Juniores e Juvenis; o Bilhar, Snooker, Pool (nas categorias Masculino, Feminino, e Português); o Desporto Adaptado com títulos Regionais, Nacionais e vários atletas chamados para os trabalhos da selecção; o Taekwondo, integrando os Projecto-guerreiro, Pré competição e Competição com a participação de atletas Olímpicos e no Campeonato do Mundo (19 ouros, 7 pratas, 2 bronzes), vencedor da taça de Portugal, e diversos troféus conquistados na Europa.
Parabéns Braga
Nota – Para aqueles mais interessados por estas minudências, deixo aqui o link para o Relatório: http://www.scbraga.pt/imagens/relatorio-de-contas-sporting-clube-de-braga-futebol-sad-2011-12
Até à próxima

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Temos de alterar o Balanço

A frase pertence ao seráfico presidente de um dos circos da 2ª Circular, referindo-se à aproximação do prazo para a aplicação das medidas de controlo financeiro anunciadas pela UEFA, presumivelmente a serem adoptadas a partir da próxima época.

Vejamos, em linhas gerais, do que se trata:

Foi criado pela UEFA um Painel de Controlo Financeiro dos Clubes com o intuito de monitorizar e garantir que os clubes seguem as normas do fair play financeiro. Estas medidas estão a ser implementadas ao longo de um período de três anos, com a avaliação do "equilíbrio" a cobrir os resultados finais dos anos financeiros de 2012 e 2013 a ser feita em 2013/14 a começar com a apreciação por parte do Painel de Controlo Financeiro dos Clubes de todas as transferências e folhas salariais desde o Verão de 2011.

Para o efeito, foi reiterada a necessidade de regulamentação dos gastos dos clubes, para fazer face a alguns sinais preocupantes na modalidade, confirmados recentemente pelos números do relatório de avaliação comparativa de licenciamento, que destaca os problemas das dívidas que atingem muitos clubes, com “metade dos principais emblemas europeus a apresentarem despesas e prejuízos crescentes." Através destas medidas, os clubes ficam obrigados a ter as suas contas equilibradas ou positivas – ou seja, não gastar mais do que ganham – e a agir de forma responsável para ajudar a proteger a viabilidade e sustentabilidade do futebol europeu a longo prazo. Repare-se, por exemplo, que neste final de temporada existem na Liga Sagres, clubes com valor orçamentado de receitas extraordinárias (vendas de jogadores) de 50 milhões de euros, enquanto na mesma competição há clubes com 4 e 5 meses de salários em atraso.

“Precisamos de agir com celeridade”, disse Gianni Infantino secretário-geral da UEFA. As receitas totais do futebol europeu profissional de clubes cresceram dos 12 mil milhões de euros (em 2009) para os 12,8 mil milhões de euros (em 2010). Tal mostra que, do ponto de vista da popularidade, o futebol continua extremamente saudável – as receitas continuam a crescer, num período em que se vive uma situação económica muito complicada em todo o Mundo." "O problema que temos", prosseguiu, é que os custos do futebol de clubes também cresceram, de 13,3 mil milhões de euros (em 2009) para 14,4 mil milhões de euros (em 2010). Cerca de 56 por cento dos clubes do escalão principal reportaram perdas líquidas. Esta é, definitivamente, a última chamada de alerta. Esta tendência tem de ser invertida rapidamente, se queremos salvaguardar o futebol europeu. Todos os anos as receitas tem crescido, mas os gastos têm aumentado igualmente.

Já expliquei noutras crónicas as relações Proveitos/Custos e Activos/Passivos mas, há outro factor muito importante que é o “movimento” das Acções e Obrigações. As Acções são partes do Capital duma Sociedade Anónima onde, como por exemplo num Banco, os Accionistas, possuidores das Acções, têm maior ou menor representatividade nessa Sociedade, consoante o número de Acções que detenham da mesma. As Obrigações são títulos de crédito emitidos por uma Sociedade e depois adquiridos por entidades singulares, empresas, particulares, investidores etc. A subscrição das Obrigações, reveste uma forma de empréstimo dos adquirentes à sociedade emitente durante um período de tempo determinado e, mediante o qual, recebem um Juro pré-estabelecido que normalmente lhes é pago semestralmente. No final do prazo, em regra 3 ou 5 anos, a importância que investiram é restituída ao titular das Obrigações.

Enquanto o Capital Social constitui um bem da Sociedade, as Obrigações são dívida. Um Accionista é um co-proprietário, tem direito aos lucros se os houver, enquanto o Obrigacionista é um credor, recebe o Capital investido mais o Juro. Quanto aos riscos, para os seus titulares, naturalmente as Acções andam na corda bamba, flutuam ao sabor das cotações, enquanto as Obrigações são mais seguras, tem reembolso e uma taxa de juro garantida desde que, obviamente, a entidade emissora tenha solvabilidade na data do seu vencimento.

Então, o que vai ser analisado pela UEFA será o “comportamento” do Clube ou SAD durante os 3 anos, imediatamente anteriores a cada época. Naturalmente que não será através duma inspecção do género Troika, resultará da análise dos Balanços e, muito especialmente da Demonstração de Resultados, ou seja o “resultado da exploração do ano em curso”. Isto é: podem não interessar tanto os números que transitam de épocas passadas mas, aqueles que efectivamente ocorrem no último ano, como se a Sociedade tivesse iniciado e terminado a sua actividade nesses 360 dias.

Tenho noção que a tarefa é demasiado complicada para ser avaliada apenas pelos frios números contabilísticos. O historial do Clube, a credibilidade do seu comportamento perante os Fornecedores, o montante do Passivo Financeiro (dividas à Banca) em função dos Proveitos, o rácio Salários/Custos, a observação dum controlo orçamental rigoroso, bem como a sua exequibilidade, deverão ser factores a ter em conta pela UEFA. Uma SAD com um Passivo galopante que aumenta há 10 anos, como por exemplo a do Benfica, terá que puxar muito pela cabeça para “enganar” os auditores, em relação a outra, como o Braga, que tenha as continhas equilibradas.

“Temos de alterar o Balanço”. Confesso que não compreendo, a menos que a frase seja dita em sentido figurado, género “vamos mudar de vida”, ou “a partir de segunda-feira tenho que deixar de fumar”. Há uma outra hipótese. Talvez quisesse dizer: “temos que alterar o Orçamento”. Vinda de onde vem não me admira nada, o Clube tem azar com os seus presidentes. Uns são incompetentes como Santana Lopes, e José Bettencourt. Alguns serão inábeis como Dias da Cunha e Soares Franco. Outros são vendedores da banha da cobra como Jorge Gonçalves e Godinho Lopes.

Até para a semana

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Teatro de Verão

Na recente aquisição do passe de Fábio Coentrão pelo Real de Madrid e, como acontecera já com a transferência de Di Maria, gerou-se a habitual troca de comentários sobre quanto a “instituição”, de facto, teria ganho. Então, nos blogs do clube da 2ª Circular, cerca de 24 horas depois de anunciada a operação, já iam em meia centena os comentários a respeito, com as mais fantasiosas opiniões. Nos pasquins afectos ao Clube, os jornaleiros da BOLHA, órgão oficioso, anunciavam a boa nova: BENFICA ENCAIXA 30 MILHÕES! O senhor Nuno Luz, da SIC, cuja única missão nas últimas semanas parece ter sido o de Director de Marketing do Benfica e não da empresa que lhe paga, nos artigos enviados para a MARCA, fazia os possíveis para que a transacção se efectivasse. Para ele e para as empresas de comunicação social que gravitam à volta da “instituição”, o jogador, e o clube onde joga: “são os mais maiores grandes do Mundo”.

Vamos começar pelo princípio e ver, por ordem de entrada em cena, quem são os personagens:

O “VENDEDOR” – Vieira, patrão duma SAD falida que “vendeu” a um Fundo, parte dos direitos (20%), de dúzia e meia de jogadores (pág. 65 do folheto dum Empréstimo intitulado EO 2013) que rendeu aos cofres da “instituição” 32M€.

O “FUNDO DE INVESTIMENTO” - Um eufemismo que significa em futebolez: um Banco que “empresta dinheiro pela porta do cavalo, quando as torneiras se fecham, por falta de crédito do cliente”. Senão vejamos: O Banco, “fornecedor” habitual do Clube, criou um “mecanismo hipotecário” pomposamente auto-denominado “BENFICA STARS FUND”, através do qual são lá ”depositadas” percentagens de passes de jogadores que, na eventualidade de mais tarde serem negociados, podem proporcionar um retorno/lucro à entidade. Naturalmente que pela sua complexidade, não cabe nesta crónica analisar o Regulamento do Fundo (*) mas, nas suas linhas gerais, sabemos que é controlado pela ESAF uma sociedade do BES com um capital inicial de 40M€ e onde a “instituição” para poder participar teve que adquirir 15%, ou seja “entrar” com 6M€. O Fundo possui uma ENTIDADE GESTORA que selecciona, adquire, gere e administra os seus Activos.

O seu objecto consiste em proporcionar aos participantes a possibilidade de aceder a uma carteira de activos, com o direito a participar em certa percentagem na contrapartida da venda ou da transferência temporária para outra entidade, a título oneroso, dos direitos desportivos relativos a determinados atletas que se encontrem na titularidade da Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD, carteira essa que tem subjacente a valorização desportiva desses mesmos atletas. Os investidores mais conhecidos são: BES (40%), Benfica (15%) Jorge Mendes (10%), Joe Berardo, e a Isabelinha de Angola, não se conhecendo as percentagens destes dois últimos.

O “EMPRESÁRIO DE SUCESSO” – Jorge Mendes que interpreta 2 papeis: Investidor e empresário. Patrocina jogadores de topo ou em inicio de carreira. Também se desfaz de lixo tóxico.

O “CLUBE DE ACOLHIMENTO TEMPORÁRIO” – – Rio Ave que recebe 1 quilo e meio sem saber ler nem escrever. É um dos sortudos deste negócio. Foi lá que Fábio Coentrão se iniciou para a modalidade, e vai receber do Real de Madrid, pela compensação da sua formação (Art. 1º Anexo 5 do Estatuto de Transferência de Jogadores), 5% do valor da transacção, ou seja, 1,5M€.

O “COMPRADOR” – Florentino presidente dum clube de galácticos, o Real Madrid.

Quem ganha quanto?

1 – O “Vendedor” - Vendeu por 24M€ (dos 30M€, 6 são do Fundo) o que lhe tinha custado 1M€ (Rio Ave) e valoriza o seu capital no Fundo (passa dos 6M€ com que entrou para 6.9M€ (os 900 mil euros são 15% na sua participação inicial de 6M€). Tem a pagar a comissão do negócio a Jorge Mendes (entre 900 mil e 1.5M€), taxas e comissões de administração ao Fundo, mais a retenção na fonte, do IRC (a apurar) do seu lucro.

2 - O “Fundo”. Adquiriu 20% do Passe por 3M€ que agora valem 6M€ (20% de 30M€).

3 – O “Atleta promissor” - Segundo consta nos mentideros españoles vai ganhar 3 vezes mais do que no Benfica, desconhecendo-se o prémio de assinatura, vulgarmente conhecido como luvas, mais os prémios por objectivos etç.

4 – O “Empresário” – Melhora a sua posição no Fundo (de 10M€ (25% de 40M€) passa para 11,5M€) e ganha de comissão do Benfica entre 900 mil e 1,5M€).

5 – O “Clube de acolhimento temporário” – Como se disse atrás, vai receber do Real Madrid 1,5M€.
Particularidade que poucos conhecem é o Artigo 16º (Política de Rendimentos do Fundo):

1. O Fundo capitalizará a totalidade dos rendimentos obtidos e, nesse sentido, assume a natureza de Fundo de capitalização pelo que os rendimentos do Fundo não serão distribuídos.

2. Todavia, mediante proposta da Entidade Gestora, a Assembleia de Participantes do Fundo poderá deliberar a distribuição parcial ou total de rendimentos.

Cai assim por terra a teoria dos pasquineiros que dizem, entre outras asneiras, que a SAD “vai buscar” indirectamente, 15% do passe do atleta ao Fundo, por via da sua participação no mesmo. O Fundo não distribui lucros sempre que faça uma venda. O mecanismo da eventual “distribuição de lucros” obriga a uma Assembleia Geral “por proposta do Gestor” (leia-se BES). Não nos podemos esquecer que o Fundo tem despesas próprias, e comprou a tal dúzia e meia que, mesmo de graça, ninguém os quer. Só no fim de cada ano, são apurados os eventuais lucros.

Como se vê pelo exposto, não é fácil encontrar um valor a que poderemos chamar Lucro Liquido nesta transacção. Desportivamente a equipa teve um enorme prejuízo. Ficou sem o melhor jogador e não sabemos como se vai comportar na nova temporada. Basta ver o que aconteceu quando perdeu Di Maria, Ramires e, recentemente David Luiz.

Embora a compra de Garay fosse uma imposição do Real, na minha opinião, não devemos “subtrair” o valor do seu passe (fala-se em 5,5M€) aos 30 milhões. A “instituição”, depois do descalabro que resultou da venda de David Luiz, tinha que adquirir um central, fosse este ou outro qualquer. Como os meus amigos já perceberam, o tal Lucro Líquido para mostrar os sócios, vai depender de quanto custará o jogador que vem substituir Coentrão. Esse sim é que terá que ser abatido ao negócio. Todo o resto é TEATRO DE VERÃO.

Até para a semana.