Há algum tempo que não coloco neste blogue análises às Contas do nosso clube e do Benfica. Para que fiquem descansados digo desde já que não diferem muito do habitual, ou seja, são más e com tendência para piorar. Temos que dividir “isto” em vários capítulos, falar o menos possível em percentagens, números a que ninguém liga, e dar apenas uma visão geral sobre o que se passou. Prometo que não falo do Paulo Fonseca, dos atletas, da miserável temporada, nem dos próximos “candidatos” eleitorais. Há alguns nomes “de ir às lágrimas”…
CAPÍTULO I – AS NOSSAS CONTINHAS – Logo à cabeça que notícia para título do CM! 29M€ de prejuízos só num semestre. “Pode lá ser”, bradaram os menos atentos. “Já se estava à espera” rejubilaram outros. Esses outros sabem o que se passou. A colheita deste ano foi fraca. Não tivemos os habituais 2 ou 3 atletas “vendáveis”, não se vendeu nada! Verdade de La Palisse. “Estavam mal habituados” disseram os mais conservadores. “Acabou-se a mama”, gritaram os outros. Explicando melhor, o prejuízo é igualzinho às “não-vendas” previsíveis (cerca de 30 milhões). Por isso se chamam às vendas “proveitos extraordinários”. São como a chuva e o vento, podem vir ou não. Os restantes itens (o que nos devem, o que nós devemos, as quotas, a bilheteira, ou as camisolas) andaram na média, umas vezes mais acima, outras mais abaixo. Não foi por aí que a porca torceu o rabo. O mais chato ainda foi o Capital Próprio a baixar, a baixar… O Passivo também baixou porque como despachámos muitos atletas que andavam a meter nojo pagamos menos ordenados. É aproveitar a onda porque há mais alguns para aviar. Num aninho apenas, lá se foi a euforia, os troféus e as alegrias, de 32 anos sempre a ganhar.

CAPÍTULO II – AS CONTINHAS DA TRETA – Não são comparáveis às nossas. As compras, vendas, e hipotecas, ponta acima, ponta abaixo, são mais ou menos relacionáveis. Apenas se “elevam” (e de que maneira) nos valores dos nossos conhecidos Ativos e Passivos. O Passivo nos últimos 5 anos disparou por aí acima até aos 450 M€. muito por força da incorporação de Ativos artificiais (Estádio, Centro de Treinos, Seixal, etc.) que traziam dívidas (Passivo) acumuladas. Como de costume, para conhecermos o descalabro do chamado Grupo Benfica em toda a sua dimensão, temos que lhe juntar o Passivo do Clube à roda dos 130 Milhões, coisa pouca, mais uns 100 milhões do que o nosso. Contabilisticamente os valores da SAD aparentam equilíbrio mas sabemos que “aqueles” Ativos não são vendáveis. Quem é que vai comprar um estádio com as telhas a voar ou o relvado a desfazer-se?
Por isso o recurso a sucessivos Empréstimos Obrigacionistas (o chamado efeito harmónio) que se prolongam por prazos cada vez mais dilatados, sobem os Custos e aumentam o Passivo, com juros que os “amigos” do BES lhes colocam em cima. Aparece então o efeito dominó, provavelmente uma nova modalidade do clube.
CAPÍTULO III – TEMPOS MODERNOS
Vieira arranjou novos amigos. Um vira casacas, um fantoche, e um cãozinho amestrado, que é como quem diz, desta vez, controla a FPF, a LIGA e a Arbitragem.
Lá vamos nós ter que começar tudo outra vez… Não sei porquê mas palpita-me que está na hora de virar a página. Não vai ser fácil conseguir uma dupla igual a Pedroto/Pinto da Costa, os iniciadores desta caminhada de sucesso. Mas alguma coisa havemos de arranjar.
Até à próxima