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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Uma cisma é pior que uma doença

Penso que já não será a primeira vez que trago até aqui esta velha e batida verdade absoluta que vemos no título. Todas as épocas se repete o mesmo. Foi assim com Jesualdo e com Vítor Pereira. Só não foi com André Villas-Boas por ser o Treinador que foi e é.
 
Tenho lido muitos comentários ofensivos para com Lopetegui. Pelo meio muitos insultos mas razões que me pareçam válidas para tamanha crítica ao Homem zero!
Julen chegou em Julho. Começou a montar uma equipa, trouxe os seus modelos de treino, Técnicos da sua confiança e aos poucos está a implementar o seu futebol. Sim o futebol de Julen está ainda a ser criado porque a Vida real não é como o FM, e quando um Treinador chega a uma equipa é natural que esta leve algum tempo até se tornar na sua equipa. Claro que esta tarefa se torna mais fácil e menos visível quando o Treinador que chega dá continuidade ao bom trabalho que foi desenvolvido pelo anterior como foi o caso da sucessão Jesualdo – AVB. Com Julen a coisa é diferente uma vez que o FC Porto de Paulo Fonseca/Luís castro acabou por demonstrar ser um desastre total, o que torna ainda mais complicado a tarefa do Espanhol. Daí que seja de louvar o facto de Lopetegui já ter conseguido melhorar em muito a linha defensiva Azul e Branca, coisa que os cismáticos ignoram como é óbvio.
Depois temos a construção do Plantel. É um facto que o FC Porto sempre teve como política o comprar barato para depois vender caro. Mas também é a mais pura das verdades que quando o Dragão tem uma época menos conseguida, na seguinte dá sempre uma maior margem de escolha ao Treinador e aposta em outro tipo de contratações. Foi assim como André Villas-Boas por exemplo, mas os cismáticos também se esquecem deste facto histórico. Não é que concorde com esta “enxurrada” de Jogadores emprestados, mas a coisa em termos de finanças a SAD Azul e Branca não está nada famosa e não há como contornar a história da manta que se puxada para cima destapa os pés e se puxada para baixo destapa a cabeça.
Relativamente a Rúben Neves, é um facto que o Atleta parece ter vindo parar à equipa principal por obra e graça do destino. Mas atribuir esta responsabilidade somente ao Basco que treina o Porto é, no mínimo, redutor e mal-intencionado. Ora todos sabemos que os Dragões têm um Departamento de Formação que tem o dever de manter o Treinador da equipa principal devidamente informado sobre os Jovens Atletas que estão a “crescer” no ninho do Dragão. Treinador que esteja há algum tempo à frente dos destinos da equipa principal terá com toda a certeza um melhor entrosamento com este Departamento que um que tenha chegado há coisa de 3 meses como é o caso de Lopetegui. Daí o “milagre” Rúben.
Quanto a Ricardo Quaresma, o gatilho que despertou este vasto rol de críticas e de perseguição ao Treinador do FC Porto, quem não tiver memória selectiva rapidamente se recordará que Quaresma é um excelente Jogador quando está em boa forma. Quando não está é um autêntico “embrulho” em campo que “entope” todo o jogo da equipa com as suas fintas e malabarismo. Para mais estamos a falar de um extremo que já não tem a velocidade de ponta que tinha aquando da sua primeira passagem pelo Dragão, o que torna natural a sua rotação no onze inicial. A braçadeira de Capitão apenas lhe foi retirada por causa desta mesma rotação. Só não percebe tal quem maliciosamente não quer perceber.
Por último, o FC Porto deu a conhecer a sua lista de Jogadores para a Champions e nesta ficaram alguns dos reforços de fora. Logo surgiram um vasto rol de críticas ao suspeito do costume, esquecendo-se, mais uma vez, de que a UEFA obriga a que haja no plantel oito jogadores formados localmente. As coisas não acontecem por acaso e se formos a ver Luís castro tentou, com os resultados que todos vimos, apostar em alguns Jogadores da formação que rapidamente voltaram para a equipa B e não foi pela sua aparência física. Para além disto nunca é demais repetir que esta temporada é decisiva para o futuro financeiro do Clube Azul e Branco, e como tal não há tempo para se fazer experiências na Liga dos Campeões.
 
Muito mais havia para dizer, mas isto já vai longo e torna-se aborrecido para quem escreve e lê. Quero apenas concluir dizendo que não estou aqui a defender Julen Lopetegui. Apenas estou a colocar factos na mesa e a denunciar a má-fé que por aí anda para com alguém que chegou ao clube há coisa de três meses.

domingo, 8 de dezembro de 2013

E aí está a vitória!

Numa noite gelada na Invicta, os adeptos Portistas voltaram a brindar uma vitória com "dois Martínez". O Colombiano bisou na partida e carimbou os três pontos para os Tricampeões Nacionais, que estão agora colados ao Benfica no topo da tabela.
FC Porto e SC Braga procuravam somar três pontos para sair da crise de resultados, onde se viram envolvidos nas últimas rondas. Se os Minhotos até tinham vencido na semana passada, os Portistas, por seu lado, chegavam a este jogo vindos de uma derrota por 1 x 0 com a Académica, em Coimbra.
Depois do empate a duas bolas do Benfica com o Arouca, o FC Porto sabia que só os três pontos permitiam uma "colagem" aos Encarnados no topo da classificação. Já o SC Braga tentava subir na tabela classificativa e, desse modo, ficar mais perto dos lugares da luta pela Europa.
Sem Fernando, Paulo Fonseca colocou em campo Defour ao lado de Lucho e Héctor Herrera. Na frente, os Dragões continuaram com Josué e Varela no apoio a Jackson Martínez. Do outro lado, Jesualdo Ferreira apostou num onze onde se destacou a presença de Felipe Pardo.
A entrada em campo deu-se com sinal mais para os Minhotos que tentaram ameaçar, desde cedo, as redes de Helton. A primeira ocasião de perigo pertenceu a Pardo. O Colombiano rematou à entrada da área, mas valeu um corte de um defesa do FC Porto.
Numa primeira parte que se desenrolou com equilíbrio de parte a parte, não foram muitas as ocasiões de golo.
O FC Porto foi mostrando muito pouco do que pode (e deve) dar e foram, por isso, vários os passes falhados por parte dos Tricampeões Nacionais. Por sua vez, o SC Braga alinhou com a defesa muito subida no terreno e isso foi provocando imensas dificuldades nos Dragões.
Ainda assim, a melhor ocasião de golo no primeiro tempo pertenceu aos homens da casa. Aos 34 minutos, Josué, com um remate à entrada da área, obrigou Eduardo a defesa apertada.
Ao intervalo as equipas baixaram para os balneários empatadas sem golos. No regresso para o segundo tempo, Paulo Fonseca trocou Lucho e fez entrar Carlos Eduardo no FC Porto.
A verdade é que os Dragões entraram com uma atitude mais ofensiva e criaram mais problemas aos defesas do SC Braga. Danilo, por exemplo, aos 47 minutos, deixou uma ameaça. O Brasileiro rematou forte mas por cima.
No entanto, os31.129 espectadores que marcaram presença na fria noite da Invicta só tiveram que esperar mais um minuto para verem um golo.
Aos 48', Jackson Martínez abriu o marcador. Cha Cha Cha, após cruzamento de Alex Sandro, disparou para o fundo das redes Bracarenses; ainda assim, a bola quando saiu dos pés do Colombiano bateu em Nuno André Coelho e acabou por trair Eduardo.
O golo animou o FC Porto e a equipa transformou-se para melhor. Os Dragões viviam, por esta altura, uma boa fase no jogo, por oposição ao adversário.
A equipa de Jesualdo Ferreira parecia perdida na partida mas tentava a todo o custo não sofrer um segundo golo e, desse modo, continuar "agarrada" ao jogo. Mas Josué, Herrera, Jackson e companhia bem tentaram de várias formas e feitios para chegar ao segundo golo.
E, efectivamente, ele acabou por acontecer. Jackson Martínez, ao minuto 79, selou a vitória Azul e Branca. O Colombiano, ao segundo poste, após cruzamento de Varela, carimbou o triunfo dos Tricampeões Nacionais. Destaque, ainda assim, para o começo da jogada que teve muito de Carlos Eduardo; o ex-Estoril só jogou na segunda parte mas mostrou a Paulo Fonseca que está aí para "as curvas".
O FC Porto regressou aos triunfos e apanhou o Benfica no topo da classificação. Águias e Dragões somam agora 27 pontos. Já o SC Braga continua com 15 pontos. Os Minhotos só venceram por duas vezes nos últimos oito jogos para o Campeonato.
 
Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo: Carlos Eduardo

sábado, 7 de dezembro de 2013

Apenas a vitória interessa



Não me vou alongar muito na antevisão da partida de mais logo porque o vídeo fala por si. Garra e vontade de vencer é o que se pede mesmo que este vencer seja sem convencer. È chegada a altura de se mostrar porquê razão SOMOS PORTO!
 
As chamadas dos avançados Kelvin e Ghilas são as notas de destaque na Lista de Convocados elaborada por Paulo Fonseca para a recepção ao Sporting de Braga, marcada para hoje, às 20h15, e referente à 12.ª jornada da Liga.
 
Os dois jogadores, que já não eram opção para o técnico portista desde o triunfo sobre o Vitória de Guimarães para a Taça de Portugal (2-0), a 10 de Novembro, regressam assim aos eleitos de Paulo Fonseca. Ghilas esteve de resto em recuperação durante esse período, devido a uma lesão contraída ao serviço da selecção da Argélia. Em relação à última convocatória, saem Fernando, a cumprir castigo, e Ricardo.
 
Lista de Convocados: Helton e Fabiano (g.r.); Danilo, Lucho, Maicon, Josué, Jackson Martínez, Quintero, Ghilas, Herrera, Varela, Licá, Carlos Eduardo, Mangala, Alex Sandro, Kelvin, Otamendi e Defour.
 
Onze Provável (4x2x3x1): Helton, Danilo, Maicon, Mangala, Alex Sandro, Defour, Josué, Lucho, Varela, Licá e Ghilas.
 
O jogo entre FC Porto e Sporting Clube de Braga, da 12.ª jornada da Liga, disputa-se hoje, às 20h15, no Estádio de Dragão e poderá ser seguido em directo aqui no Mística dado que vamos tentar disponibilizar alguns streams.

domingo, 28 de julho de 2013

Olhar os Rivais: SC Braga

Visto (dentro dos possíveis dado que os Jogadores ainda são mais que muitos) que está o Sport Lisboa e Benfica eis que vamos descer uma posição na tabela classificativa da Liga Zon Sagres da temporada anterior para observamos agora o Sporting Clube de Braga.
 
Sobre a equipa Minhota a primeira coisa que há a dizer é que finalmente passou a ter um Treinador. Utilizando uma expressão que já esteve em voga no Futebol Tuga, o SC Braga 2012/13 esteve sempre em piloto automático porque José Peseiro nunca foi Treinador de nada e nunca teve jeito nenhum para tal tarefa. Não foi portanto estranha a posição que o Braga obteve no final da época.
Alias até podemos dizer que o maior reforço dos Guerreiros do Minho foi Jesualdo Ferreira. O experiente Treinador já esteve em Braga e há quem diga com muita razão que este foi o “Pai” do actual Sporting de Braga. Depois passou por FC Porto onde foi Campeão por três ocasiões seguidas e teve de enfrentar o período mais nengro da História dos Dragões tendo inclusive vencido uma Taça de Portugal, depois levou a cabo uma incursão pouco feliz por Espanha e Grécia e nos últimos tempos salvou o Sporting Clube de Portugal do descalabro de uma possível descida de divisão.
 
Quanto a Jogadores, Salvador Agra é sem sombra de dúvida aquele que merece maior destaque. O Atleta da Póvoa do Varzim teve uma passagem discreta pelo Bétis Sevilha mas neste seu regresso a Portugal parece estar em grande e para além de ser um extremo muito rápido tem um sentido de baliza muito bom e marca os livres de uma forma impressionante. Resta saber se o jovem Português vai continuar a jogar tão bem como tem jogado nos jogos de preparação do SC Braga, porque se o fizer será sem sombra de dúvida a figura de destaque deste novo Braga de Jesualdo.
De resto foi notório e meritório o grande esforço da Direcção Bracarense presidida por António Salvador para manter algumas das joias do SC Braga. Douglão, o central goleador, continua em Braga, Elderson, Campeão da CAN, também continua na cidade dos Arcebispos, o mesmo sucedendo com Baiano e Vinicius. A maior perda está relacionada com a saída de Hugo Viana o que deixou Jesualdo com menos opções para o meio campo mas por outro lado a nível atacante, para além do já aqui falado salvador Agra, o Braga conta agora com os serviços de Edinho, João Pedro, Yazalde e Éder que bem trabalhados poderão fazer uma frente atacante Bracarense muito temida.
 
Os pontos mais fracos do SC Braga versão 2014/14 são o seu meio campo devido à falta de opções de qualidade e o Guarda-redes Eduardo que também está de regresso a um Clube onde foi muito feliz. O Internacional Luso é um Guardião corajoso que por norma dá tudo por tudo em cada jogo mas a sua enorme “malapata” continuam a ser os lances de bola parada e cruzamentos para área. E se juntarmos a isto a tendência que Eduardo tem para se achar o “maior da sua rua” então rapidamente nos apercebemos que Jesualdo tem ali um sério problema por resolver…
Apesar de tudo este SC Braga vai com toda a certeza realizar um Campeonato bem melhor que o anterior. É natural que não irá lutar pelo Título de Campeão Nacional mas com toda a certeza a equipa de JF irá dar tudo por tudo pela conquista de um lugar de que lhe garanta ao acesso á Liga dos Campeões.

domingo, 3 de março de 2013

Muita parra e pouca uva

Pólvora seca Portista e muito Coração de Leão redundaram num empate sem golos no Clássico de Alvalade. O FC Porto não vence em casa do Sporting desde 2008 e pode perder a liderança para o Benfica.
Com o País nas ruas a manifestar-se, o Clássico de Alvalade reflectiu a imagem de um estado de coisas que têm marcado a temporada, sobretudo a Verde e Branca; o Sporting estica a “manta” para tapar os buracos que cavaram uma crise sem paralelo, enquanto o FC Porto operou com modos de abastado e desperdiçou o que tinha e o que não tinha. Houve ainda a história de dois regressados; Izmaylov e Liedson não passaram no “Tribunal” de Alvalade, hostil e agressivo para com os ex-Leões; expectável, diga-se.
Jesualdo Ferreira surpreendeu quando escalou o Inglês Eric Dier ao lado de Fito Rinaudo no meio campo Leonino, com Adrien Silva a receber em mãos do Professor a batuta de Maestro. A intenção passava por “secar” a fonte do jogo Azul e Branco – o miolo com Fernando, Lucho e Defour – antes que o carrossel chegasse à zona de decisão. Funcionou mais ou menos, porque mesmo assim o FC Porto chegou mais de uma meia dúzia de vezes com perigo à baliza de Rui Patrício. Só na primeira parte.
Antes do desperdício Portista, o único momento de perigo dos leões nos primeiros 45 minutos… aos 43’. Eric Dier encontrou a brecha na linha defensiva dos Bicampeões Nacionais e serviu Ricky van Wolfswinkel; o Holandês deparou-se perante Helton, tentou o remate em arco mas o guarda-redes Brasileiro dos Portistas sacudiu o perigo com uma defesa em voo. Foi tudo o que o Sporting deu do meio campo para a frente. Adrien falhou a chamada à orquestra, Labyad andou trocado com os próprios pés e Diego Capel fez o seu jogo, esforçado, mas pouco mais. Quanto a Ricky, quase nunca foi servido, mas também pouco fez para se servir.
Pois bem, eis a história de um Líder que desperdiçou balas a mais num dos momentos mais letais da temporada. Só nos primeiros 45 minutos foram sete as ocasiões de golo para o FC Porto, a começar logo aos dois minutos, quando Jackson Martínez perdeu no duelo para Rui Patrício. Depois disso, foi Danilo (5’), num livre directo que passou a rasar o poste direito, outra vez Jackson (15’), mas agora por cima e depois Defour (21’), para nova defesa de Patrício.
Respire, porque isto continua. Minuto 26, Jackson recebe, roda mas um Patrício em voo e destemido tirou a soco o perigo da área Leonina. Um Leão que lutava com o que tinha mas sempre exposto ao susto, como aos 30’, no cabeceamento de Fernando que saiu perto do poste mais afastado da baliza à guarda de Rui Patrício. Por fim, Jackson, o maior “pistoleiro” em seco, aos 38’; a bola, mais uma vez, saiu ao lado. A tudo isto, o FC Porto acrescentou a espaços um futebol movido a petróleo, facilitando aqui e ali a nobre missão Leonina de fechar os (muitos) caminhos para a sua baliza.
Ao contrário de outras noites, este Sporting – feliz q.b na primeira parte – não se partiu em destroços com o avançar do tempo. Manteve a agressividade nos duelos, os posicionamentos tácticos definidos por Jesualdo Ferreira para impedir que Jackson Martínez tivesse jogo do quinteto que puxa as cordas. É certo também que continuou um tanto ou quanto inofensivo na hora de atacar – excepção a um grande remate de Bruma, ao lado (73’) e à lentidão de Ricky (89’), mas é esta a realidade, porque a crise custa mais a uns que a outros e este Leão faz pela vida em sofrimento.
Do FC Porto, com Atsu e James nos lugares de Izmaylov e Varela, subtraiu-se o perigo em quantidade e uma crescente incapacidade para furar a muralha de Leões. A esperança Azul renasceu num vermelho, a Marcos Rojo, aos 77 minutos. O Sporting perdia um homem na linha de “batalha” e Vítor Pereira lançava… Liedson em Alvalade. No entanto, era Bruma a agitar o jogo entre o esforço heróico de Rinaudo.
Tudo somado, o FC Porto falhou quase tudo na primeira parte, o Sporting quase não teve nada para falhar; enfim, uma verdadeira Manifestação antigolo em Alvalade. Será que agradece o Benfica?
 
Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo: Lucgo Gonzalez

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Godinho Lopes e a Banca

Que raio de dirigentes se propõe desta vez para dirigir o Sporting? Dois putos? Já não sobravam os engenheiros, médicos, banqueiros, advogados, juízes e até um negreiro, que desde o consulado iniciado por José Roquette atiraram com o clube de cangalhas, só faltava mesmo agora, aparecerem dois jovens a querer pegar o touro pelos cornos. E desculpem lá os meus amigos sportinguistas: no meio dos seus associados não haverá pelo menos uma pessoa que perceba de futebol?
 Quando a bolha imobiliária rebentou nas mãos do Lehman Brothers e nas ventas do inefável António Borges do Goldman Sachs, por certo nenhum dos notáveis pensadores financeiros que pululam na nossa querida televisão (Medina Carreira incluído), julgaria ser possível que o popular e eclético clube do Visconde de Alvalade viesse a tão curto prazo, a ser gerido pela Banca.
 
Mas o caso não está para graças. Como os meus amigos que acompanham estas crónicas sabem o clube tem vivido pelo menos nos últimos 15 anos acima das suas possibilidades. Os bancos, nomeadamente o BCP/Millenium e o BES afadigam-se a emprestar mais e mais dinheiro (afinal é disso que vivem), que dificilmente terá retorno. Quando muito irão receber de volta 55 milhões de obrigações (carinhosamente tratadas como VMOC), que não são mais do que títulos obrigacionistas a converter obrigatoriamente em acções, e que, em caso de incumprimento desse resgate por parte do Sporting, podem tornar-se mesmo sem querer, os novos donos do clube.
 
E lá que era engraçado era! Já imaginaram uma reunião da Administração com todo aquele formalismo que vemos nos administradores dos Bancos? Os directores, todos de gravatinha e fatos iguais como nas escolas, em vez dos habituais croquetes do Zbórden, a comerem bombons?
Mas para os amigos que se interessam por estas minudências, vamos lá “esmiuçar” um pouco esta história das VMOC. Dos 55 milhões que foram disponibilizados pela banca o Sporting tem que pagar (converter) 60 milhões (55+juros) até 19 de Janeiro. Notáveis comentadores como, por exemplo, o engraçado Eduardo Barroso parece que só agora deram por ela. “Fico aterrorizado com a falta de liquidez no Sporting”, disse.
Para os pasquins, então, tem sido um regabofe. Raro é o dia em que não se anunciam entradas e saídas de jogadores, directores ou simples funcionários. A BOLHA está nas suas sete quintas. O RASCORD, por vocação sportinguista, não sabe o que dizer. Tanto ataca Godinho como o elogia. O outro Circo da Segunda Circular, seu rival de sempre, exulta! Intimamente sente o segundo lugar de acesso à Champions seguro.
 
Por coincidência, ou talvez não, Godinho Lopes lançou mais um balão de oxigénio para entreter os sócios. Jesualdo Ferreira passou por ali perto e logo o engenheiro atirou a fateixa: “És o meu salvador, ficas com todos os meus bens, podes andar por todo o lado, do camarote ao balneário, tu é que mandas em tudo. Despedes, contratas jogadores e treinadores, as meninas da secretaria, o homem que marca o campo! Dás o treino, vais para os banhos turcos ou para onde te apetecer mas pelo menos garante-me o 5º lugar”!
 Só resta desejarmos ao nosso amigo boa sorte! Mas olhe que não vai ser fácil…
 
Até à próxima

domingo, 17 de julho de 2011

Déjà vu?

Segundo o Desportivo “OJOGO”, Álvaro Pereira terá manifestado o seu desejo de permanecer no Futebol Clube do Porto. Mas tal vontade do Uruguaio gera aqui uma complicada situação, pois a cara contratação do jovem Brasileiro Alex Sandro terá sido feita com a intenção de ceder o passe do Palito a um qualquer Clube que se mostre interessado nos serviços do Uruguaio e que faça chegar uma boa proposta para o Clube e Atleta. E pelo que se sabe, interessados não faltam.

Surgem assim alguns problemas que a SAD Portista terá de resolver o quanto antes:

- A necessidade que os Dragões tem de vender o passe de um ou de dois Jogadores por Temporada para manter as Contas equilibradas e permitir manter Jogadores como o Falcao ao serviço;

- Alex Sandro foi uma contratação extremamente cara para ser um Jogador de Banco ou para ser emprestado a outro Clube;

- Uma vez que Pereira não quer sair do Clube Azul e Branco, uma das formas que os Dirigentes Azuis e Brancos têm de resolver a questão é transferindo o Rafa. Só que o Português sofreu uma grave lesão na Temporada passada e será com toda a certeza muito difícil arranjar colocação para o Atleta;

- E para piorar o cenário, David (Jogador dos Escalões de Formação do FC Porto) está a realizar uma excelente Pré temporada e a fazer por merecer permanecer no plantel Principal.

Perante este cenário, parece-me que os Dragões irão optar por uma solução parecida, senão igual, á de Lucho Gonzalez. Para quem não se recorda, o Argentino saiu do Futebol Clube do Porto contrariado pois o seu desejo era o de permanecer no Clube, mas as necessidades financeiras dos Portistas e os caprichos dos Dirigentes Azuis e Brancos fizeram com que o El Comandante tivesse de rumar a França para jogar pelo Marselha.

Foi uma situação que não foi nunca muito bem aceite pelos adeptos e que trouxe graves prejuízos á Equipa que ficou órfã de um Médio que era um Comandante no verdadeiro sentido do termo, pois era por ele que passava todo o jogo do FC Porto de Jesualdo Ferreira. E não esquecer que com a saída de Liucho, entrou o 3º Lugar na Liga Portuguesa numa tenmporada em que o SL Benfica foi Campeão Nacional e o SC Braga o Vice Campeão. 

Eu já aqui tinha dito que esta história de contratar Jogadores somente para chatear o Benfica e sem olhar a meios, preços e necessidades do Plantel poderia trazer alguns embaraços e preocupações desnecessárias ao Dragão. Déjà vu?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Olhares ainda mais a norte

Grande Porto o da final da Supertaça no passado sábado! Inesperada a atitude do Porto mostrada frente ao eterno rival! Há muitos anos que não se via o Dragão com esta atitude numa final. Recordem-se as últimas finais a que o Porto chegou, na Taça e na Supertaça.

Finais de fracdo futebol, sem brilho, e frente a rivais como o Sporting, perdidas devido a uim medo que não se percebia. Da final do passado sábado está quase tudo dito. Porém, parece mesmo que a melhor contratação do defeso foi o treinador, André Villas-Boas (AVB). Um treinador sem medo de arriscar, que contra uma equipa de ataque também não tem medo de atacar.

Que diferença com o treinador anterior. AVB mostra que é de uma nova geração de treinadores psicológica e mentalmente melhor preparados para os desafios actuais do futebol. Não parece enganar, apesar de termos que esperar pelo modo como a equipa se vai apresentar ao longo do campeonato. Mas as diferenças estão à vista, e parece haver um muito maior respeito e empatia entre os jogadores e treinador, o que é importante para a equipa.


Estão quase de regresso as competições europeias. Porto defronta o modesto K. R. C. Genk. Não nos parece que o Porto tenha problema em defrontar esta equipa, duas vezes campeã da Liga belga. Mas todo o cuidado é pouco quando vêm de um país que traz más recordações aos azuis e brancos. Desde logo, esta é a quarta equipa belga que o Porto defronta nas competições europeias.

A primeira foi o FC Brugge na época 72/ 73 para a Taça Uefa. Se dessa vez o Porto passou (vitória por 3-0 nas Antas e derrota por 3-2 em Brugge), os encontros seguintes com os belgas nos anos 70 e 80 correriam mal para os portistas. Na Taça das Taças de 77/78 o Porto é eliminado nos quartos-de-final pelo Anderlecht: vence por uma bola nas Antas (o jogo realizara-se debaixo de um tremendo temporal) mas perde em Bruxelas por 3 golos sem resposta. Época de 81/82, mesma competição, mesma eliminatória. Porto encontra Standard Liége e também não consegue passar: derrota por 2 bolas sem resposta em Liége e empate a 2 nas velhas Antas. O início da década de 90, já com o novo figurino da Champions, vê Porto e Anderlecht reencontrarem-se. No grupo B da Liga dos Campeões de 93/94, os portistas e os belgas têm uma vitória para cada lado: 2-0 para o Porto nas Antas (o segundo golo de Secretário) e 1-0 em Bruxelas para o Anderlecht. Última vez que estas duas equipas se reencontraram foi na terceira pré-eliminatória da Champions, em 2000/2001, eliminatória de má memória para os portistas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mais vale cair em graça que ser engraçado (parte 2)

Pois, vistos os jogos da pré época, o que se viu foi um Porto perdido em campo, sem automatismos, que nem sabe pressionar alto, nem dá espectáculo, e que perdeu o que tinha de bom com Jesualdo… Não sabe sair rápido para o ataque, fica sem ideias quando tem a bola e tem que pensar rápido e ao mesmo tempo é frágil defensivamente.

Para além destas falhas, é de salientar que Falcao agora é pior servido neste estilo de jogo, fica mais só, e sem oportunidade de participar no jogo da equipa que não o sabe servir nem jogar para ele como fazia no ano passado. O Porto perdeu organização, perdeu entrosamento e não ganhou nada de novo. Não ganhou, até ver, os tais 10 metros acima que tanto publicitavam, não ganhou em espectáculo, visto que os jogos são feios e dignos de fazer adormecer o mais fiel dos adeptos e, ao mesmo tempo, perdeu a cultura vencedora. Desde Del Neri que não me lembro de uma pré época tão fraca em termos de qualidade de jogo, resultados e sedimentação de uma ideia de jogo.

Depois vamos ao discurso… Jesualdo era criticado pelo seu. Talvez por ser professor, ter um discurso metódico, ser uma pessoa séria e precisa em termos técnicos. Era aborrecido para o adepto que prefere uma boa frase feita de ”bamos comê-los”, ou “vamos golear” etc… Ora com Vilas Boas, nem isso se verifica… Já na Académica teve episódios em que claramente falou demais… Agora, acabado de chegar ao Porto e ainda com muito a provar, e sem conseguir ainda conferir à equipa nada do que prometia… dirige as suas energias para… a bola, o relvado, o árbitro, o calor, o plantel… Quando por acaso é um plantel bem forte por sinal e com o maior reforço do defeso, João Moutinho… Jesualdo não se queixava e fazia o seu trabalho, mesmo quando perdia Luchos e Lisandros e ganhava Tomás Costas e Pelés… Para o professor não havia lugar a tempo ou paciência ou condescendência e desculpas… Chegou com uma época a decorrer e exigiu-se logo vitórias. André Vilas Boas, teve grandes reforços, teve tempo para fazer a pré época que quis, até trouxe um jogador da sua Académica… e agora quando não consegue provar as maravilha que dele se escreveram, e quando a época ainda não começou, já está a inventar desculpas…? E o Jesualdo é que era o medroso…? Como diria o outro é caso para o Jesualdo dizer “E o burro sou eu…?

Villas-Boas, ainda poderá vir a tornar-se um vencedor no Porto. Mas parece-me óbvio que a equipa não cresceu com Vilas Boas nem deu um salto qualitativo, ate ao momento.… Ele é que pelos vistos terá que crescer com a equipa ,como treinador de uma equipa que só sabe jogar para ganhar e sem desculpas de qualquer espécie. Muito menos, quando ele tem todas as condições, visto que não teve os problemas que Jesualdo teve ano passado… Lembro que com Hulk e mesmo com muitas lesões, Jesualdo termina a época no Porto só com vitórias consecutivas, conquistando a taça, e dando um autêntico banho de bola no Benfica mesmo jogando com 10, num jogo que valia o título para o Benfica. Imaginem agora Jesualdo com o mesmo plantel,sem a ausência de Hulk nem aquela onda de lesões e ainda reforçado de João Moutinho para preencher aquele buraco deixado em aberto com a saída de Lucho…

Este Porto claramente se aproximaria do Benfica… Assim, o que vejo é o fosso entre o futebol praticado pelo Benfica e Porto ser ainda maior… Nunca na época passada temi o Benfica... Em todos os jogos senti que o Porto tinha equipa para ganhar ao Benfica e futebol para contrariar o Benfica… E a realidade é que o Benfica na Luz ganha ao Porto com um golo em fora de jogo, num jogo fraco em que as duas equipas se anularam… mas no Dragão levaram um banho de bola e com o Porto a ser prejudicado e a acabar com 10.

Para o jogo de sábado, pela primeira vez em muitos anos, olho para o jogo como se o Porto fosse inferior. O Porto parte claramente sem sequer poder dizer que está numa situação de 50/50. Porque já não se trata do estilo, do jogar bonito ou feio, ou jogar bem ou mal…Com Jesualdo podia-se dizer em determinadas fases que o Porto estava a jogar mal… Porquê? Porque já o tinha visto, dentro daquela ideia e modelo de jogo, jogar bem… sabia a diferença… Actualmente nem se trata de dizer que joga mal… o Porto, pura e simplesmente, não joga. Ainda não é perceptível uma ideia de jogo, parece que os jogadores são desconhecidos em campo. Não há fio de jogo. E o tempo e a adaptação a novos métodos não pode ser desculpa…Principalmente quando vejo um Sporting, que tem um plantel ainda mais fraco que o Braga, a a nos luz do do Porto, que vem de uma época péssima, e que tem igualmente um novo treinador, mas que bem ou mal já deu um rosto à equipa do Sporting. Os sportinguistas já sabem o que é jogar bem ou mal no caso do Sporting. Fizeram jogos bons e jogos maus, mas já jogaram, já se viram em campo e já se sabe quais serão os seus pontos fortes e fracos, sente-se em campo que existe já um modelo de jogo e processos implementados. O Porto ainda não demonstrou nada. Nem uma equipa base, nem uma ideia sequer de base do que a equipa deveria fazer em campo… Apenas ideias vagas e frases feitas sobre alguém que na verdade nunca treinou uma equipa. São mitos que se criam…

Villas-Boas nunca foi um verdadeiro adjunto de Mourinho. Pelo menos não em trabalho de campo. Esse cargo, pertence a Rui Faria, esse sim, de reconhecida competência no plano da preparação de uma equipa e que assume um papel fulcral na equipa técnica de Mourinho. Vilas Boas era quem estudava os adversários e fazia os relatórios para Mourinho… Dúvidas houvesse sobre ele ser ou não o novo Mourinho, o próprio "Especial", as deixou de lado, quando em entrevista tratou de deixar claras as diferenças entre ambos. É que Mourinho quando chegou ao Porto, já havia estado uma série de anos no Barcelona e, na época de Van Gaal, já era ele que orientava os treinos uma série de vezes e podia operacionalizar uma série de conceitos teóricos e ideias que foi acumulando com o passar dos anos trabalhando com grandes treinadores e em grandes clubes com atletas de topo. Mesmo assim, após isso, ele ainda teve a experiência de treinar o Benfica e ainda fez uma grande época no Leiria, ao contrário da meia época perfeitamente banal que Vilas Boas fez na Académica…Mourinho saiu de Leiria com o Leiria a fazer dos seus melhores campeonatos de sempre. Ou seja, Mourinho apesar de ser novo em idade, e inexperiente como treinador principal, quando chegou ao Porto já era treinador há muitos anos e já fazia esse trabalho de campo há muitos anos…

Vilas Boas nunca o fez… A sua 1ª experiência a treinar de facto, foi meia época na Académica…E isso e o facto de ter sido rotulado como o novo Mourinho, chegou para lhe escancarar a oportunidade F.C. Porto. Nem de um adjunto estamos aqui a falar…Aqui entra aquilo que muitos vezes os rótulos e as ideias feitas podem originar…a contradição… Ainda hoje muitos questionam (e não digo que com ou sem razão) a capacidade de Carlos Queiroz para ser treinador de uma equipa. Afirmam que só serve para adjunto e que apenas tendo-se destacado como adjunto não se lhe pode conferir um cargo de excelência… Falamos de alguém que foi bicampeão mundial de sub-20 e que até já treinou o Real Madrid e que sabe efectivamente de treino, caso contrário não seria ele o encarregado pelo treino no Manchester de Ferguson... Queiroz efectivamente não estabelece aquela empatia que Vilas Boas consegue… seja pelo discurso seja por simplesmente não irem com a cara dele…Mas não deixa de ser curioso, que Vilas Boas sendo menos que um adjunto... muitos opinion makers e adeptos do Porto o vêm como alguém perfeitamente capaz e merecedor de assumir um cargo de topo como o é treinar o F. C. Porto.…JáCarlos Queiroz, é até hoje carimbado como um mero adjunto, e isso é visto como sinal de incapacidade de assumir projectos maiores.

É que apesar de tudo, Queiroz tem anos e anos de trabalho de campo… Tal como Mourinho já os tinha quando chegou ao Porto… Villas Boas em trabalho de campo, contabiliza meia época na Académica que se saldou com um modesto 11º lugar e um campeonato em que só bastante tarde assegurou a manutentação… Por outro lado, Domingos conseguiu a melhor classificação de sempre da Académica, a melhor classificação de sempre do Braga…mas ainda assim não reuniu (aparentemente a julgar pela escolha da Sad do Porto) as condições para treinar o Porto nem a simpatia na imprensa que reúne Vilas Boas…Pelos vistos em termos de currículo é mais importante ter trabalhado para José Mourinho do que ter demonstrado competências e resultados em todos os clubes por onde se passou…
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Mourinho ao falarem-lhe de Vilas Boas como treinador do Porto, disse que já nada o surpreende no futebol... sintomático… Afinal, não vejo o observador do Real Madrid, do Barcelona, do Inter etc saírem desses clubes e irem treinar grandes clubes europeus, logo de seguida, em trabalho de campo ,e sem trabalho para demonstrar… Até agora, Vilas Boas provou apenas, ter boa imagem junto da crítica e dos adeptos, mas futebolisticamente falando… apenas provou ser um bom observador, capaz de analisar e estudar adversários e fazer bons relatórios… Mas para se ser treinador principal é preciso algo mais que isso ou não…? Até é preciso mais do que saber muito de treino… Carlos Queiroz ou José Peseiro que o digam... que não obstante terem reconhecida competência em termos de treino, não conseguem ter aquela capacidade de liderança e rasgo empírico para serem treinadores de top…Mais difícil e mais dúvidas se levantam, quando falamos de alguém que até ao momento nem um adjunto foi na sua carreira… Queimou etapas, passando de um cargo de observador para técnico de uma equipa que não se pode dar ao luxo de fazer experiências nem de ser o estágio para alguém que se quer iniciar numa profissão… Quem chega ao Porto deve chegar já se não digo com títulos, com pelo menos, trabalho para apresentar enquanto treinador e uma ideia daquilo que pode valer… Mourinho já tinha isso, Jesualdo tinha edificado as bases do Braga vencedor que hoje conhecemos com dois 4º lugares no campeonato consecutivos…E André Vilas Boas…? Ah, trabalhou para José Mourinho… Estranho Mozer não ser o treinador do Benfica e o Sporting não se ter reforçado com Vítor Pontes…

Definitivamente, neste país ,mais vale cair em graça que ser engraçado. Se fosse Jesualdo a ter esta pré época, ou a proferir algumas das frases que Vilas Boas tem proferido, onde já iria a contestação dos adeptos e imprensa… Esperemos que o André Vilas Boas cresça com a equipa ainda a tempo de nos fazer lutar pelo título… Mas já começa com o pé esquerdo quando entra logo cheio de desculpas e a pedir tempo… Já deveria saber que no Porto isso não existe. É um clube que precisa de vitórias como ar para respirar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mais vale cair em graça que ser engraçado. (parte 1)

A 1ª impressão, a empatia que se cria entre uma pessoa e outra ou entre uma pessoa e um grupo, é inexplicável, vem da química, vem daquilo que as pessoas gostam de projectar como devendo ser o bom ou aceitável, vem da imagem mais agradável ou menos agradável, do discurso… Geralmente é muito difícil acabar com uma impressão e com uma imagem pré concebida, principalmente se todos a tentam perpetuar. Jesualdo Ferreira que o diga. Etiquetas que se vão criando, e que mesmo sem ter sempre um fundo de verdade, se colam independentemente do que a realidade demonstre em contrário…

Jesualdo chegou a um Porto com a época já a decorrer, sem pré-época possível para afinar a equipa a seu gosto, tendo que reformular um plantel formatado numa táctica no mínimo pouco convencional para outra que permitisse em tempo útil vitórias quer cá dentro quer na champions… Ninguém o viu a pedinchar tempo, a encontrar desculpas no plantel ( por vezes até mal, visto que trabalhava com tudo o que lhe davam e aceitava pagar a factura pelos erros dos outros que tinham por sua responsabilidade o recrutamento de jogadores)…No entanto, por mais competência que tenha provado, sempre foi e será visto comoo um treinador que era medroso, que não servia para o Porto, e sempre que se diga que ficou na história do clube com os seus títulos, logo dirão que são títulos que não contam…Mesmo que um tenha sido conquistado com quase 20 pontos de vantagem para o 2º, mesmo com outro tenha sido contra um Benfica treinado por Quique Flores que venceu a taça Uefa com o Atlético de Madrid e que já contava com grande base do plantel que é hoje campeão nacional.

De nada valeu, a melhor exibição do F. C. Porto em solo inglês e a mais ousada, com mais posse de bola e mais remates, ter sido com o F. C. Porto de Jesualdo… Criticavam o estilo, que a equipa não jogava bonito…Muitos eram os mesmos que depois elogiavam as equipas de Mourinho e se esqueciam que o Porto de Mourinho em 2004 não jogava para nota artística, mas sim para ganhar. Que fez dois jogos super tácticos com o Depor para chegar na final. Que em Old Trafford teve a estrelinha de campeão após um jogo em que foi dominado pelo Manchester United.

O oposto verifica-se com André Vilas Boas. A ânsia de ver outro Porto era muita. Não é costume em Portugal um treinador durar tanto tempo num clube, ainda para mais no caso do Porto,após o apito dourado, Jesualdo teve que se expor em demasia e dar a cara quando outros não o faziam. A ânsia pela novidade, fez-nos ir em busca de um novo rumo. André Vilas Boas, teve um inicio de carreira algo caricato, enviando relatórios para o correio de Bobby Robson. A partir daí foi integrando equipas técnicas, sempre na vertente do estudo do adversário e de observador e estudioso, nunca no trabalho de campo efectivo. No entanto, após ter trabalhado para Mourinho, criou-se a ideia que pelo simples facto de ter estado perto de Mourinho que isso seria equivalente a ter algo de Mourinho… Como se Mourinho tivesse o toque de midas e tudo o que tocasse fosse transformado em ouro…

Vilas Boas chega a Portugal para treinar a Académica e chega logo reverenciado como um treinador para treinar Sporting ou Porto, como o novo Mourinho, uma lufada de ar fresco no futebol em Portugal… Após ter orientado a Académica em uns 4 jogos, já era convidado para treinar o Sporting… Com base em quê? Nada. Uma vez que nem tempo tinha tido para demonstrar o quer quer fosse… Mas a imprensa e o adepto comum adoram criar rótulos… e se uns são maus como o de Jesualdo e não descolam nem que se ganhe tudo, outros são bons e aparecem sem qualquer fundamento prático aparente. Vilas Boas nunca tinha treinado um clube e já era equacionado para treinar um grande, enquanto técnicos mais experimentados nunca tinham tido uma chance… Casos por exemplo do Jorge Jesus e do próprio Jesualdo Ferreira, que só após vários anos de serviço apresentado em clubes mais pequenos poderam ter a sua oportunidade… Uns têm que trabalhar para ela e mostrar resultados…Outros, basta terem uma imagem e um discurso atraentes para os midia e para os adeptos, terem uma comparação com Mourinho e têm uma carreira feita...

Rejeitou o Sporting e acabou a época na Académica, com resultados nada superiores aos que por exemplo Domingos havia conseguido com sensivelmente o mesmo plantel. No entanto, Domingos mesmo depois de obter a melhor classificação de sempre na Académica, de ter colocado os estudantes e já antes o Leiria a praticarem o futebol consistente…mesmo assim, chegou a Braga com a etiqueta de que não estaria à altura e que ainda tinha muito a provar… Agora com André Vilas Boas, a época começa e vê-se um Porto sem uma base assente ainda do que quer fazer no jogo. A imprensa que tem que o vender como o novo Mourinho e todos os adeptos que não querem ter que admitir a qualidade de Jesualdo e se recusam a ter saudades dele, afirmam que é normal, que tem que se ter paciência, que é início de época.

Lia nos jornais que este Porto jogaria de forma mais atractiva, que teria mais posse de bola, que jogaria mais apoiado e que faria a tão famosa “pressão alta” ( expressão utilizada uma vez por Mourinho e que depois entrou no léxico de todo o adepto comum como sinónimo de futebol de alta qualidade, mesmo quando Mourinho já nem utiliza essa expressão…). Ora bem, o que eu vi desta equipa até ao momento, e isto é sempre com a margem de erro possível de que a equipa ainda estará a apreender as ideias do novo mister, é uma equipa que corre muito e que realmente tenta pressionar, mas que não o sabe como o fazer e que como tal, resulta numa pressão desorganizada e descoordenada, que faz com que a equipa em termos defensivos se desequilibre com facilidade e que em termos ofensivos tenha perdido a herança que trazia de anos atrás… As tão famosas e criticadas, por alguns, transições rápidas.

Nada contra o futebol apoiado e a pressão alta. O que não me obrigam a acreditar, é que só existe uma forma de se jogar bom futebol e ganhar. Equipas podem jogar muito bem a pressionar alto e a ter mais posse, como faz o Barca, mas também podem jogar muito bem, jogando em transições rápidas, ocupando bem os espaços, sendo organizadas e mais acutilantes no ataque sempre que recuperam a bola. São duas escolas, duas formas de ver o jogo. A escola mais de índole holandesa, hoje transporta para a cantera do Barca e para o estilo de jogar da Espanha, que passa pela ideia que o fundamento base do futebol é o passe, a posse de bola e que se deve tocar várias vezes na bola até fazer um golo.

Mas por antítese a essa escola, temos uma preconizada pelo próprio Mourinho, ainda agora no seu último projecto vencedor,o Inter. A ideia de que, no futebol o objectivo é a baliza. A ideia de que não faz mal não ter mais tempo a bola, que de nada serve ter a posse de bola por ter. O importante é o que se faz com a posse que se tem, a qualidade e capacidade de retirar desses momentos em que se tem a bola, momentos confortáveis para a equipa e que possam fazer dano no adversário. Ambas as escolas são tacticamente ricas, e não creio que uma seja mais ofensiva que outra. Posso ver um jogo em que uma equipa tem mais posse de bola que outra mas a 2ª, quando a tem, cria muito mais ocasiões de perigo e é mais forte. Mourinho provou isso quando venceu em casa 3-1 o Barca e poderia ter vencido por mais, e isto com o Barca a ter mais bola mas a não conseguir criar perigo na maior parte das vezes.

Mas lá está… Jesualdo era criticado por preconizar esse estilo. E criou-se esse mito que jogar assim era jogar mal e feio. Quando eu lembro-me do Porto fazer grandes jogos com transições rápidas graças aos passes de Lucho, do Meireles e da velocidade e criatividade de Quaresma e Lisandro no ataque. Curiosamente o Inter de Mourinho até jogava com um bloco mais baixo que o Porto de Jesualdo, e apostava até num futebol menos plástico, pois geralmente saía muitas vezes a jogar com uma bola directa para o ataque, em vez de sair a jogar apoiado. Mourinho se o faz, é brilhante , se o treinador se chamar Jesualdo chama-se jogar feio, mal e ter medo. Então teríamos que ter um treinador que viesse colocar o Porto como o adepto quer, a ter muita bola, a pressionar alto e a jogar bonito.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Dança dos Treinadores

Nota prévia: Nas últimas horas circularam notícias como dando o treinador Mano Menezes na órbita do FC Porto. Por não conhecer o treinador, nem tão pouco achar que merecem credibilidade as notícias, uma eventual análise a essa possibilidade fica para outra oportunidade.

Haverá por aí, por este mundo fora, outro treinador que, mesmo tendo ganho três campeonatos, uma Taça (e está a caminha de uma segunda), uma Supertaça e consecutivas passagens aos oitavos-de-final da Champions League, seja tão mal amado pelos adeptos? Creio que não. Mas Jesualdo Ferreira vive com esse estigma desde o dia 1.

A dissecação do porquê desta relação do povo portista – ou pelo menos uma parte significativa – será suficientemente complexa para que Freud ganhasse uns cabelos brancos a mais. Efectivamente, não é fácil compreender o porquê de um treinador que ganhou campeonatos consecutivos ser sempre colocado em causa. Claro que uma das razões base relaciona-se com o seu passado benfiquista mas isso não pode ser aceite como justificação. Como dei a entender, mesmo que por palavras oblíquas, eu não compreendo porquê.

Mas também afirmo, sem problemas nenhuns, que já critiquei o Jesualdo, mais noutras alturas do que agora. Em Novembro de 2008, na altura em que o Porto perdeu 2 ou 3 jogos seguidos coloquei em causa o trabalho do Jesualdo. Ele mostrou-me que estava enganado e consegui construir uma equipa vencedora, mesmo tendo perdido jogadores chave. Este ano também perdeu dois jogadores chave e fez o que estava ao seu alcance para fazer deste grupo uma equipa competitiva. Não o conseguiu por vários factores, mas isso já falei noutro dia.

Portanto, o tema de actualidade é… quem sucederá a Jesualdo Ferreira no leme do nau Portista? Pelos blogs de adeptos portistas, blogs como este, vários nomes já foram atirados à mesa. Surpreendentemente, e apesar de alguns nomes já terem sido lançados ao ar, não me lembro de ver a imprensa analisar este assunto. Por enquanto, vão analisando o futuro treinador do Sporting.

Pela blogosfera surgem vários nomes e à cabeça vem o André Villas-Boas. O Villas-Boas que este ano começou a treinar a Académica de Coimbra e cuja estreia foi frente ao FC Porto, facilmente caiu no gosto de toda uma nação de adeptos. Ter conseguido dar trabalho ao Porto nesse jogo no Dragão e de certa forma ter introduzido uma nova mentalidade no trabalho dos estudantes colocou-o de repente num nível que ainda não merecia. Desde a sua estreia à frente da Académica, o AVB já disputou 24 jogos com um saldo de 8 vitórias, 6 empates, 10 derrotas. Claro que venceu o Sporting em Alvalade, e em Coimbra frente ao Guimarães, mas outras vitórias foram contra equipas directamente abaixo na classificação. Não estou aqui a tentar desvalorizar o André Villas-Boas até porque este teve um Professor como muitos poucos podem gabar de ter tido. Portanto, teoria não lhe deve faltar. No entanto, creio que não fez o suficiente até este momento para merecer tanta confiança por parte de tantos adeptos. Ter aprendido com o José Mourinho não significa que este será o próximo Mourinho, nem que este conseguirá construir um grupo como o Mourinho. Se o Villas-Boas for o escolhido… e pelos vistos a sua oficial não ida para o Sporting pode facilitar algum tipo de negócio com o Porto, terá todo o meu apoio e eu serei o primeiro a reconhecer que estive mal em não apoiar a sua vinda.
Mas por falar em Mourinho, e em sucessores de Mourinho, li noutro blog portista um adepto sugerir o nome de Carlos Carvalhal para liderar o projecto do Porto. Carlos Carvalhal, futuro ex-treinador do Sporting foi, também, em tempos definido como o próximo Mourinho. E o que é que eu penso? Porque não? O Carlos Carvalhal merece tanto a minha confiança como o André Villas-Boas sendo que este até leva vantagem, por ter trabalhado num grande e estar a par de um ambiente que dificilmente se vive num clube de menor dimensão. O Carvalhal, apesar de alguns maus resultados, transformou um Sporting à beira da morte num Sporting mais competitivo… e tivesse ele estado lá desde o início da época de certeza que o Sporting não estaria tão longe do primeiro lugar. Não nos podemos esquecer que o Carvalhal já levou um Leixões à final da Taça de Portugal e levantou a primeira Taça da Liga. É, a meu ver, um treinador competente e que merece ser considerado um candidato sério ao lugar. Não porque eu tenho uma admiração especial por ele, mas porque sabemos como é o Presidente do Porto e o seu gosto por mostrar que no Porto qualquer treinador pode ser campeão. E não devemos esquecer que ele próprio disse, na sua última conferência de imprensa, que sente-se preparado para um desafio semelhante e que quer ser campeão em breve. Portanto, chamem-me maluco, mas não descartem a hipótese para já.

E se Carvalhal esteve tempo a menos no Sporting, foi Paulo Bento que esteve tempo a mais. Paulo Bento é claramente outro nome em cima da mesa e que certamente será equacionado pela direcção do Porto. É no entanto, um nome que agrada a poucos portistas. “Todos menos o Paulo Bento” é o que mais se ouve. Apesar de neste blog o ter defendido em relação ao AVB, não sei se o Bento será o meu preferido. No entanto, eu creio que ele tem o tipo de perfil que possa agradar ao Presidente Azul e Branco. É um treinador sem papas na língua e isso, apesar de lhe custar suspensões de vez em quando, é algo que o Presidente gosta. Eu sei que o seu 4-4-2 losango inflexível é algo que assusta muita gente mas não podemos pensar que o treinador em inflexível. Só este ano, por força de múltiplas lesões nas alas, é que o Jesualdo Ferreira decidiu tentar o 4-4-2 em detrimento do seu – pensava ele – infalível 4-3-3. A favor o Paulo Bento tem o facto de não ter medo de apostar em jovens, muito por culpa das condições que apanhou no Sporting. Parece-me que não é um treinador que olhe muito a nomes e se um jovem que ganha 5 mil euros/mês merece a titularidade em detrimento de um que ganha 50 mil, então ele entrará a titular. Tendo em conta as notícias dos últimos dias e semanas que indicam uma mini-revolução no plantel, com a saída de alguns e entrada de jovens como Castro, Ukra, Sérgio Oliveira e Abdoulaye, o Paulo Bento parece ser um treinador com historial para incorporar de forma eficaz jovens numa equipa que luta pelo título. Argumentava o outro dia com outro colaborador deste blog que o Paulo Bento tinha feito um bom trabalho no Sporting. E continuo a defender essa tese. O Paulo Bento apanhou um Sporting fragilizado e conseguiu levar os leões consecutivamente à Champions e pela primeira vez aos oitavos. Ganhou algumas Taças, 2 inclusive ao Porto… Portanto, não vamos descartar essa hipótese.

O Domingos é outro nome que agrada a muitos portistas. É um menino da casa, um treinador que fez um bom trabalho na Académica e que este ano, tivesse o Benfica ao nível das épocas anteriores, seria provavelmente o próximo campeão de Portugal. Tem a seu favor a cor azul e branca, nutra simpatia pelo mundo azul e branco e o trabalho que tem feito este ano é reconhecidamente muito bom. O Braga não pratica o futebol mais bonito em Portugal mas é um futebol eficaz. Pessoalmente não sei se o Domingos estará preparado para o desafio mas, como qualquer outro que possa vir, terá todo o meu apoio.

Jorge Costa também tem merecido algum destaque mas creio que este é dos mais verdes que por aí andam. Creio que o “Bicho” ainda tem muito que rodar antes de poder chegar ao Dragão. Não descarto, no entanto, a inclusão dele na equipa técnica do Domingos caso ele vá para o Dragão.

Estes parecem ser os mais prováveis no próximo ano. Mas não podemos descartar surpresas como Manuel Machado, Paulo Sérgio, Manuel Cajuda, Carlos Queiroz, José Peseiro… alguns mais que outros terão mínimas hipóteses… mas nunca se sabe. Há ainda a possibilidade de um estrangeiro. Suponho que essa hipótese possa ser colocada quando for conhecida a posição final do Porto na Liga. Dificilmente um treinador de nível mundial, que possa estar minimamente interessado em treinar em Portugal, o fará se não tiver uma montra como a Champions.

Para concluir, prevejo que este final de época resulte numa verdadeira dança de treinadores. O Jesualdo está de saída, tal como o Carvalhal. A eventual saída de Domingos para o Dragão pode implicar que talvez vá o Paulo Bento para Braga. O Paulo Sérgio, que é uma hipótese em Alvalade pode dar o seu lugar a Jorge Costa ou a Carvalhal. Jesualdo… esse eventualmente imigrará durante uma ou duas épocas. Será, certamente, uma silly-season não só para os jogadores mas também para os treinadores.

Até uma próxima!