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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Era escusado

unagem retirada de zerozero
Sobre o bronze português conquistado na Taça das Confederações apenas me apraz dizer que era escusado ter-se passado por tanto sofrimento. 
 
Esta selecção do México costuma “perder gás” com o avançar da competição. Tal sucedeu nas duas edições anteriores da Copa América e nesta edição da Taça das Confederações, pelo que se exigia da parte da nossa equipa um outro tipo de comportamento. Hoje era jogo para Portugal dominar e vencer sem o menor dos problemas. Mas não. Portugal tinha de fazer o triste espectáculo do costume e sofrer até ao fim pela vitória final que lhe deu direito ao terceiro lugar do pódio desta prova. 
 
Tal era escusado dado que o México não fez um jogo por aí além. Bastava que os comandados de Fernando Santos tivessem feito o sue trabalho de casa e teriam vencido o jogo com maior ou menor dificuldade. A prova de tal foi a forma como entraram na partida e a dominaram até ao estapafúrdio golo mexicano. Golo mexicano que, diga-se desde já, é fruto de um péssimo desempenho de Nélson Semedo. Alias, tanto Semedo como Eliseu estiveram muito abaixo do exigido para um defesa lateral da selecção nacional. E não, a expulsão justíssima de Semedo em nada tem a ver com a sua péssima exibição. É antes o resultado da impunidade caseira a que os atletas do Sport Lisboa e Benfica estão – mal - habituados. 
 
Mas pronto, tudo acabou em bem e Portugal trouxe o bronze da Rússia. Espero é que no próximo ano a nossa selecção tenha os seus jogadores em melhor forma e que o seleccionador faça o devido trabalho de casa. Isto partindo, obviamente, do princípio de que Portugal consegue o apuramento para o Mundial da Rússia. 
 
MVP (Most Valuable Player): Rui Patrício. O guardião luso esteve impecável na partida de hoje. Com um punhado de defesas impossíveis, Patrício foi o principal responsável pela conquista da medalha de bronze. 
 
Chave do Jogo: Inexistente. Em momento alguma algumas das equipas foi capaz de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor. 
 
Arbitragem: Fahad Al Mirdasi realizou aquilo que se pode apelidar de arbitragem exemplar. Muito bem na decisão das expulsões e excelente na marcação das duas grandes penalidades a favor de Portugal. Para além disto o árbitro saudita soube utilizar na perfeição o ainda muito duvidoso sistema do vídeo-árbitro. 
 
Positivo: Inexistente. 
 
Negativo: André Silva. Hoje foi um dia não para o avançado português. Não pela grande penalidade falhada (Ochoa é um especialista nestes lances), mas sim pelo que não fez em campo.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (02/07/2017)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cair na C(h)ilada

imagem retirada de zerozero
O que dizer sobre esta eliminação de Portugal frente ao Chile? Que o trabalho de casa deveria ter sido feito.

Eu, ao contrário da equipa técnica e jogadores portugueses, fiz o meu trabalho de casa e sabia de antemão o que valia este Chile. Falamos de uma equipa que é sul-americana mas que em campo não se comporta como uma equipa sul-americana. Este Chile de Pizzi (obra de Sampaoli) é uma equipa cínica que sabe gerir os vários momentos do jogo com uma perícia fenomenal. Este Chile joga com três centrais que até são algo baixos, mas estes tem um sentido de posicionamento fabuloso que anula por completo a linha avançada da equipa adversária. Alias, é muito por causa desta fabuloso sentido posicional que a equipa chilena consegue gerir todos os momentos do jogo e fazer o que quer do jogo. A equipa técnica portuguesa – tal como eu - teve duas edições seguidas da Copa América para poder retirar estas notas sobre o seu adversário das meias-finais da Taça das Confederações. Não o fizeram, apostaram na sorte das grandes penalidades e a nossa equipa acabou por ser eliminada por uma equipa que é especialista nas grandes penalidades. Portugal caiu numa C(h)ilada porque quis.

Agora não adianta andar por aí com a conversa do eu teria tirado o André Silva e eu não o teria retirado, etc. Fernando Santos foi muito pouco racional nas substituições é um facto, mas o pecado capital da nossa selecção foi o de ter achado que lhe bastaria levar o jogo até às grandes penalidades para o vencer não querendo, em muitos momentos, resolver a partida nos noventa e poucos minutos. E nem vale a pena dizer mais nada pois tal seria andar a especular sobre o passado, e o futuro não se constrói olhando (exclusivamente) para o passado. Venha daí o honroso 3.º lugar da Taça das Confederações para que este grupo de trabalho ganhe ânimo pois o apuramento para o Mundial do próximo ano está ainda longe de estar garantido.

MVP (Most Valuable Player): André Silva. De todos os sus colegas de selecção, André Silva terá sido aquele que se destacou um bocadinho do mediano. Lutador (como sempre), pecou apenas na finalização mas contra uma equipa como este Chile é compreensível que um jogador em formação como o André Silva tenha tido mais “baixos” do que “altos” durante o jogo.

Chave do Jogo: Inexistente. Em momento alguma algumas das equipas foi capaz de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor.

Arbitragem: Não se pode dizer que o árbitro e restantes auxiliares estiveram mal no jogo. A meu ver o Sr. Alireza Faghani e restante equipa procuraram sempre passar ao lado do jogo, mas bem que poderiam ter evitado alguma polémica se tivessem optado por recorrer ao tal de “vídeo-árbitro” em alguns lances.

Positivo: Inexistente.

Negativo: Fernando Santos. Em completo contraste com a partida anterior, o seleccionador nacional desta vez “mexeu” mal na equipa e terá sido muito por isto que Portugal acabou eliminado pelo chile nas meias-finais da Taça das Confederações.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (28/06/2017

domingo, 25 de junho de 2017

Dominar, relaxar e ganhar

imagem retirada de zerozero
Dominar, relaxar e ganhar. É assim que se pode descrever a vitória de Portugal sobre a Nova Zelândia. É um facto que a FIFA procurou dar oportunidade a outras selecções quando retirou a Austrália da zona de qualificação da Oceânia, mas depois vemos aquilo que esta Nova Zelândia é capaz e rapidamente percebemos que a medida não terá sido assim muito feliz. E nem vale a relembrar a participação do Taiti na Taça das Confederações de há quatro anos…

Ora sendo a equipa neozelandesa um conjunto de “bons rapazes”, nãos erai de esperar outra coisa senão uma vitória portuguesa. Claro que a displicência poderia vir a fazer mossa (o México que o diga), mas para quem viu o jogo rapidamente percebeu que com maior ou menor dificuldade Portugal ia vencer o jogo. Faltava era saber por quanto.

Contudo podemos, e devemos, realçar a displicência e lentidão de processo demonstrado pelo onze escalado por Fernando Santos nos primeiros minutos do jogo. Perante uma equipa que quando confrontada com a técnica da nossa selecção recorria, vezes sem conta, à violência seria de esperar que Portugal tivesse já um score bem volumoso no final da primeira parte, mas tal não sucedeu porque numa primeira fase os lusos andaram “devagar, devagarinho” e Cristiano e/ou Quaresma que resolvessem. Foi nesta mesma fase que reparei (outra vez) que a construção de jogo não pode ser entregue a João Moutinho…Sempre que a bola chegava aos seus pés o jogo ofensivo de Portugal “empanava” quase que por completo. Não fosse Danilo Pereira o jogador que é e acredito que Portugal chegaria ao intervalo a vencer somente por uma bola a zero.

Tirando a fase inicial da partida onde o jogo português pareceu ter andado meio perdido, tudo o resto correu de feição a Fernando Santos que conseguiu conquistar mais um dia de descanso e renovar o físico dos seus comandados. Só é pena que Pepe tenha tido uma entrada estúpida que o impede de disputar a fase seguinte… Mas quando se fala de Pepe já todos sabemos o “que a casa gasta”.

Agora venha Alemanha ou Chile. E não me venham cá com tretas porque tanto uma equipa como a outra equipa são difíceis. Relembro que Portugal vai disputar a meia-final de uma prestigiada competição.

MVP (Most Valuable Player): Eliseu. O açoriano não começou muito bem o jogo (tal como toda equipa portuguesa), mas rapidamente procurou sair do “marasmo” acabando por realizar uma excelente exibição. Especialmente no ataque onde esteve sempre muito perigoso nos cruzamentos para a área neozelandesa.

Chave do Jogo: Apareceu somente no minuto 80´ do jogo para resolver o dito a favor de Portugal. Até esta altura em que André Silva marcou o terceiro golo, a partida esteve longe de ficar resolvida. Não que a Nova Zelândia representasse um perigo real para os portugueses, mas sim porque um golo neozelandês poderia muito bem enervar uma equipa portuguesa que em muitos momentos do jogo revelou algumas dificuldades em impor o seu futebol.

Arbitragem: Não se pode dizer que o árbitro e restantes auxiliares estiveram mal no jogo. A meu ver o Sr. Mark Geiger e restante equipa procuraram sempre passar ao lado do jogo, mas se tivessem começado a sancionar mais cedo a excessiva dureza neozelandesa não teria vindo mal ao mundo.

Positivo: Fernando Santos (mais uma vez). O seleccionador nacional promoveu algumas alterações no onze inicial (especialmente em sectores chave) e deu-se bem com tais “mexidas”. Refrescou a equipa e ganhou o grupo. Muito bem Mister!

Negativo: A insensatez de Pepe. Já todos conhecemos Pepe, mas estando o jogo como esteva (decidido) era escusado o central ter feito o que fez para ver o cartão amarelo. Fica de fora das meias-finais e vai obrigar a que a dupla de centrai tenha de ser refeita.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (24/06/2017)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portugal bom vs Portugal mau

imagem retirada de zerozero
Hoje em Moscovo assistimos às duas facetas da nossa selecção. Na primeira parte tivemos um Portugal autoritário que impôs o seu futebol a uma Rússia que está longe - muito longe mesmo - de ser aquela selecção que dominava o futebol europeu e que “dava cartas” nos Mundiais de futebol. Já na segunda parte os papéis inverteram-se dado que Portugal foi recuando no terreno de jogo e a Rússia aproveitou-se de tal para colocar em prática o seu simples futebol. Felizmente o “fantasma” do tempo de compensação não apareceu para assombrar Portugal, embora o dito até tenha tentado marcar presença.

Ora tudo isto para dizer que Portugal venceu e fez por isto, mas bem que poderia ter evitado a pobrezinha segunda parte com que nos brindou. Até que se compreende que se diga que o jogo não era fácil porque os russos jogaram em casa e tiveram (quase) sempre o apoio incondicional dos seus adeptos, mas tendo em consideração que esta equipa do leste da europa é tão limitada em termos técnicos e que o seu futebol é tão simples seria de esperar que Portugal impusesse o seu futebol com relativa facilidade. Especialmente se tivermos em linha de conta que as alterações que Fernando Santos promoveu foram muito boas. Adrien Silva no lugar de Moutinho era óbvio dado que Moutinho já é aquele “maestro” de outros tempos, contudo eu teria mantido Quaresma no onze inicial e retirado André Gomes para no seu lugar colocar o fabuloso Bernardo Silva, mas não foi isto que aconteceu e terá sido (talvez) muito por isto que Portugal realizou uma segunda parte tão pobrezinha. Muito bem vista foi a troca de Fonte por Bruno Alves tendo em consideração, repito, o futebol directo da equipa da Rússia, se bem que Pepe poderia ter deitado tudo a perder no último minuto de jogo num canto a favor dos russos.

Em suma, não obstante a dupla faceta que a equipa de Todos Nós mostrou hoje Portugal está com um pé e meio na fase seguinte da prova. Convêm é não encher o peito de ar e entrar com tiques de vedeta no próximo jogo diante da Nova Zelândia. O México está neste momento a fazer tal coisa e a pagar um preço bem cario por tal.

MVP (Most Valuable Player): Cédric Soares. O defesa lateral direito português realizou (mais um) excelente jogo. Fantástico na defesa e excelente no apoio ao ataque sempre que para tal era solicitado. Desta vez não marcou, mas Portugal bem que pode estar agradecido a Cédric pelo excelente desempenho em campo. Especialmente na segunda parte onde a “avalanche” ofensiva russa foi grande.

Chave do Jogo: Inexistente. Em momento alguma algumas das equipas foi capaz de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor.

Arbitragem: Quando a equipa de arbitragem tem qualidade o vídeo árbitro torna-se completamente obsoleto. Foi o que aconteceu nesta partida. O único erro que se pode apontar ao árbitro foi o de não ter expulso Georgiy Dzhikiya por agressão a Pepe na segunda parte.

Positivo: Fernando Santos. O seleccionador nacional percebeu o que tinha de fazer após o frustrante empate com o México na jornada inaugural e apostou numa série de mudanças no onze inicial, mudanças estas que fizeram com que Portugal tivesse derrotado a Rússia.

Negativo: Falta de eficácia. Parece que a nossa selecção não se liberta do velho problema da falta de eficácia. Tantas e tantas oportunidades desperdiçadas na segunda parte. Tal poderia ter ditado o desfecho negativo desta partida. Felizmente a sorte protegeu a equipa lusa.

Artigo publicado no blog o gato no telhado (21/06/2017)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lá voltamos às contas

imagem retirada de zerozero
Parece gozo mas não é. Portugal tem mesmo o sádico prazer de andar sempre com a calculadora na mão no que a estas coisas do futebol diz respeito. A nossa Selecção sabia (ou pelo menos deveria saber) que a selecção do México é muito forte no ataque e algo mediano na defesa, mas mesmo assim a nossa equipa entrou em campo algo apática e em muitos momentos da primeira parte pareceu estar perdida em campo e, inclusive, deu-se mal com a pressão que os mexicanos iam fazendo no meio campo.

Obviamente que o facto de os habituais “pastéis de nata” de nome William Carvalho e André Gomes contribuíram, e muito, para o estado de coisas na primeira parte mas não foram os únicos a “ficar mal na fotografia”. A dupla de centrais lusa que no último Europeu deu muito boa conta de si não esteve lá muito bem na partida de hoje. Os dois golos sofridos são disto um bom exemplo. Tivessem Pepe e Fonte feito o seu trabalho como deve ser e pelo menos o último golo dos mexicanos não teria entrado… Tanto Fonte como Pepe tinham a obrigação de saber que o México é muito forte nos lances pelo ar.

Fernando Santos também não esteve nos seus dias. Por perceber fica a razão pela qual André Silva foi relegado para o banco em detrimento de Nani. Ainda se Nani tivesse tudo uma boa época no Valência… E que ideia foi aquela de retirar Quaresma do campo quando este poderia ter sido deveras importante na fixação dos rapidíssimos defesas laterais mexicanos? A única alteração em que Fernando Santos me pareceu ter estado bem foi na entrada de Adrien para o lugar de um fatigado João Moutinho. Em tudo o resto foi de uma nulidade sem sentido.

É verdade que Portugal melhorou muito na segunda parte (William começou - finalmente – a vir buscar bola à defesa e a apoiar os seus colegas da linha defensiva) e que impôs, com alguma dificuldade, o seu futebol perante um México sempre muito combativo e com um Guarda-redes inspirado, mas tivesse o onze luso feito o seu trabalho e não estaríamos agora a dizer que é fundamental vencer a Rússia para não se chegar à última jornada com o raio da calculadora numa mão e com o Terço na outra.

MVP (Most Valuable Player): Cristiano Ronaldo. Jogou e fez jogar. Marcou presença nos dois golos de Portugal e foi de todos os jogadores lusos aquele que pareceu sempre muito mais interessado em “dar o litro” pela nossa Selecção. Merecia uma vitória por tudo o que fez em campo mas, infelizmente, tal não foi possível. Que regresse – mais uma vez - em grande diante da Rússia!

Chave do Jogo: Inexistente. Em momento alguma algumas das equipas foi capaz de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor.

Arbitragem: Para quem diz que o vídeo árbitro é a oitava maravilha do Mundo ficou hoje demonstrado (mais uma vez) que tal não passa de uma tremenda treta facciosa! É incrível que os golos portugueses tenham suscitado sempre dúvidas ao árbitro. Já os golos dos mexicanos eram invariavelmente “claros como água”. Por explicar está a anulação do primeiro golo português… Obra do fabuloso vídeo árbitro! Tirando isto posso dizer que Néstor Pitana levou a cabo uma arbitragem razoável se bem que aqui e acolá tolerou o jogo violento dos mexicanos.

Positivo: Ricardo Quaresma O melhor em campo depois de Cristiano Ronaldo. Jogou, lutou e marcou um golo. Poderia ter marcado outro ainda na primeira parte mas a sorte não quis nada com ele. A manter Quaresma!

Negativo: André Gomes e William Carvalho (mais uma vez). A dupla “pastel de nata” do meio campo de Portugal. André Gomes mostrou – mais uma vez – porque é tão mal amado em Barcelona e William justificou a razão pela qual o Sporting CP teve a época que teve. 

Artigo publicado no blog o gato no telhado (18/06/2017)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

¡¡Hala Madrid!!: ¿Por qué no te callas?

Se há coisa que mais me incomoda é ver um Jogador achar-se o maior do burgo. E mais incomodado fico quando vejo um Jogador da formação a fazer tão triste e caricata figurinha. 
 
Penso que o Jogador de futebol é um profissional que acima de tudo deve procurar sempre honrar a sua entidade patronal sem deixar de lado a sua carreira profissional. Naturalmente que longe vai o tempo em que se jogava por amor á camisola mas isto não implica que os Jogadores possam ter o direito de pressionar Treinadores e Dirigentes do Clube em que trabalham. È anti ético e apenas prejudica a imagem de um Profissional da bola. 
 
Vem isto tudo a respeito da conduta de Jesé Rodríguez Ruiz, Jogador de la Fábrica do real Madrid CF. Nos últimos tempos o ainda muito jovem (tem 20 anos de idade) Jogador dos Merengues tem feito uma tremenda birra para fazer parte do plantel principal da equipa Blanca. Obviamente que o Treinador da equipa B dos Blancos não é alheio a tudo isto ou não fosse este um dos principais interessados na saída de mourinho (saída que acabou por acontecer infelizmente). 
 
Inclusive Jesé já chegou mesmo a ameaçar com uma possível saída de Madrid para poder jogar com mais regularidade na equipa principal. Portanto das duas uma; ou o Espanhol tem tiques de vedetismo e deve pouco á inteligência ou então está a ser muito mal aconselhado pelo seu empresário. 
 
Isto porque ainda está para vir o Jogador com 20 anos de idade que tenha “espaço garantido” nas grandes equipas europeias. Isto a não ser que tenham muita sorte e uma qualquer conjugação sobrenatural de acontecimentos o coloquem á frente de Jogadores mais velhos e mais proveitosos para qualquer equipa sénior.
 
Tomemos como exemplo um Jogador jovem que me agradou ver jogar no Mundial de Sub. 20 da Colômbia e na Taça das Confederações do Brasil. 
 
Óscar sagrou-se Campeão do Mundo ao serviço do Brasil no Mundial da Colômbia, saiu das terras de Vera Cruz para Inglaterra para jogar no Chelsea mas ainda está longe de ser um dos indiscutíveis da equipa Londrina. Óscar joga de quando em vez e vai dando nas vistas num e noutro jogo, esforça-se para poder jogar com mais regularidade mas está longe de ser o tal titular que Jesé exige ser. E estamos a falar de um Campeão do Mundo que venceu recentemente a Taça das Confederações ao serviço da Canarinha.
 
Por isto deixo aqui o meu conselho a Jesé: cala-te, cresce, aprende, evolui, trabalha muito e depois, mas só mesmo muito depois poderás abrir a boca para reclamar um lugar na equipa principal do Real Madrid CF. E já agora Jesé, jogar num Mundial de Sub. 20 ou na equipa B do real Madrid CF é muito diferente, mas mesmo muito diferente de jogar ao mais alto nível.
 
Cresce puto e deixa de fazer birras.

domingo, 30 de junho de 2013

Brasil x Espanha – Final da taça das Confederações- Antevisão (parte 2)

Organização ofensiva
Brasil tenta jogar um futebol apoiado, explorando muito os flancos, com bastante largura com as constantes subidas de Dani Alves e Marcelo, descurando um pouco a criação a meio, onde por vezes o ataque brasileiro encrava, por os dois médios defensivos nem sempre se darem para o jogo em termos de construção, por optarem por passes menos arriscados.
Oscar tem estado apagado ao longo da competição por sentir que a sua liberdade é menor para que Neymar possa percorrer todo o ataque, tendo dificuldades Oscar em saber que terrenos pode pisar.
Organização defensiva
 
Uma equipa robusta do ponto de vista físico, pela dupla de centrais, e mesmo pela dupla de “volantes” e ainda Hulk na frente que ajuda nas tarefas defensivas.
 
Uma defesa muito rápida que gosta de jogar no 1x1 por se sentir cómoda nos duelos com os rivais.
 
A equipa defende num 4-4-2, deixando Fred centralizado e Neymar solto à espera do momento de recuperação para poder partir logo para o ataque.
 
Hulk baixa mais vezes no apoio ao lateral, tendencialmente Daniel Alves, na esquerda Marcelo vê-se protegido mais frequentemente ora por Paulinho ora por óscar.
 
Transição defesa- ataque
 
Brasil é uma equipa que tenta ser agressiva no momento da perda da bola, embora se note que o trabalho não é feito por todos os jogadores. Neymar já começa a ser algo agressivo, fazendo inclusive algumas faltas, mas nota-se que o bloco de pressão é médio. Alto apenas nos momentos iniciais dos jogos, em que os brasileiros com a adrenalina que vem do público, realmente entram muito fortes a pressionar logo na 1ª zona de construção dos adversários, tentando asfixiar essa saída e criar situações de desequilíbrio.
Transição ataque- defesa
Um momento algo complicado no jogo brasileiro. Por os laterais subirem muito, fica algum espaço nas costas, bem assim como, pela falta de apoio de Neymar na hora de defender. Por isso o Brasil opta pelo momento da perda da bola, por recuar e fazer jogo posicional, e por moderar os momentos de pressão consoante a zona do campo onde a bola é perdida.
A tendência é para a equipa optar pela reorganização, e pela contemporização, para que os laterais possam recuperar a posição. Daí que a dupla de médios fique muitas vezes mais atrás para não ficar a equipa tão exposta neste momento do jogo, ainda que por vezes se torne invevitável pois coloca por vezes 6 jogadores no momento ofensivo.
Nestes momentos Brasil aposta muito na velocidade e capacidade de antecipação da sua dupla de centrais que ganham vários duelos quando a bola é colocada no espaço. Thiago ou David Luiz saem assim na pressão na zona lateral, cabendo maior parte das vezes a Luis Gustavo ir fazer a cobertura no meio.
Abordagem táctica para o jogo com a Espanha
Muita imprensa brasileira após assistir ao Itália x Espanha está muito confiante na possibilidade do Brasil imitar o comportamento adoptado por Itália para o jogo com a Espanha.
Contudo, trata-se de jogos totalmente diferentes, contextos diferentes e jogadores com características muito distintas das dos italianos.
O Brasil vai jogar num Maracanã cheio e que quer ver o Brasil a atacar, a assumir o jogo, e que não aceitará um jogo de subserviência do Brasil em relação a Espanha. É um público que culturalmente não aceita bem um jogo conservador e mais dado a amarras tácticas.
Por outro lado, ainda que Scolari quisesse imitar o estilo de jogo da Itália, não tem jogadores para o fazer.
 Itália tem uma base da Juventus, e aproveitou o sistema táctico da Juve dos 3 centrais, jogando num 3-5-2, dando o flanco a dois alas com grande capacidade de fazerem o vaivém, mas com um meio campo povoado, capaz de pressionar muito em cima, e de se desdobrar no trabalho defensivo, se necessário com onze jogadores atrás da linha da bola e organização defensiva, pois até o elemento mais avançado, Gillardino, recuava bastante para ocupar o espaço de Busquets.
Brasil não tem essa cultura nem tem jogadores para o fazer, principalmente quando tem Neymar como referência.
O Brasil tem o poderio físico que poderá aproveitar e a velocidade, promovendo duelos directos, no corpo a corpo e querendo promover igualmente situações de 1x1 no ataque.
Tacticamente a abordagem não poderá sair muito do 4-2-3-1. Quanto muito poderia retirar Óscar e troca-lo por Hernanes por ser um médio que em Itália aprendeu a jogar mais atrás e assim dar maior capacidade defensiva, mas ainda assim é pouco crível.
 
Brasil não tem jogadores para jogarem um jogo de paciência esperando pelo que o adversário faz. Com Dunga, tornou-se uma equipa que era fortíssima nos momentos de transição e ganhou muita cultura táctica defensiva. Contudo foi passada uma borracha a esse trabalho por se considerar que deturpava o estilo do futebol brasileiro ( mesmo que em 1994 o Brasil tenha ganho sem esse estilo alegre e de toque de bola, e em 2002 também apostasse numa estrutura mais equilibrada defensivamente)
Brasil deve manter a matriz táctica, e fazer algumas adaptações. Continuar a explorar as laterais, até porque Espanha sofre um pouco quando pressionada e com bola colocada nas laterais após a perda da bola, pois o bloco espanhol joga muito junto e centralizado o que deixa algum espaço nas costas logo no 1º momento da perda de bola.
 
O Brasil deve também jogar com o desgaste físico evidente dos jogadores espanhóis. O segredo do tiki taka, mais do que a posse de bola, está no momento da transição defensiva, na dinâmica e capacidade de pressionar muito alto, no momento de perda de bola. Sem a capacidade física para fazer essa pressão, o jogo espanhol torna-se algo mastigado e vulnerável como provou a Itália, ou como provou o Bayern de Munique este ano com o Barcelona.
O Brasil deve assim pressionar o mais alto possível a saída de bola espanhola, num primeiro momento como sempre tem feito, tentando surpreender a Espanha logo no inicio do jogo.
 
Deve colocar um jogo num ritmo forte, frenético, tentar partir o jogo o mais possível, se necessário com bola colocada no espaço para Neymar e Hulk. O Brasil deve explorar o cansaço espanhol e optar por quando tem a bola, aproveitar muito bem a dinâmica ofensiva com a subida dos laterais e as combinações com Neymar e Hulk.
 
Óscar tem que aparecer mais do que tem aparecido até aqui, para segurar o jogo da equipa e e oferecer saída qualificada para o ataque aquando do momento do Brasil recuperar a bola.
 
Mais que nunca o duplo pivô defensivo terá que ficar mais fixo atrás para poder libertar a subida alternada de Marcelo e Dani Alves.
 
Espanha
Vicente del Bosque herdou uma equipa campeã da Europa de Luis Aragones que deu o primeiro esboço do tiki taka na selecção. Foi Aragonês que deu a batuta ao futebol dos baixinhos e abriu as portas do tiki taka substituindo a tradicional fúria espanhola. Tratou-se de uma mudança de paradigma já cozinhada há alguns anos, mas que ainda não tinha sido assumida totalmente na selecção principal. Aragones deu esse passo.
 
O jogo de Espanha com Aragonês era contudo mais romântico. Mais ofensivo. A posse era sempre com os olhos postos na baliza, com muita verticalidade com jogadores como Villa e Torres no ataque.
Em contraste com a Espanha de hoje em dia, cada vez mais barcelonizada para o bom e para o mau.
Espanha reforçou ainda mais a posse de bola, mas também a tornou uma forma de catenaccio ofensivo, como faz o Barça quando está em vantagem. Trata-se de defender com bola. Não deixar o adversário discutir o jogo escondendo-lhes a bola com passes laterais e atrasados sem qualquer tipo de pudor.
 
Um jogo de paciência. A atacar, não se importam de tocar a bola até à exaustão, neste caso do adversário, esperando que ele se desgaste e tenda a cometer alguma falha de marcação que proporcione o desequilíbrio para aí sim sair um passe de ruptura de Xavi, Iniesta e companhia.
 
Del Bosque retirou profundidade e verticalidade no ataque, e acrescentou mais um médio ao jogo da Espanha. Com Aragonês a Espanha jogava com um único pivô defensivo que era Marcos Senna, libertando assim mais um médio para a criação e jogando com dois jogadores verticais no ataque.
Era um jogo mais atraente. Del Bosque optou por um jogo mais controlado. Menos entusiasmante mas mais dominante e seguro. Juntou Busquets e Xabi Alonso, ainda que isso faça com que o jogo espanhol perca alguma fluidez do ponto de vista ofensivo. Daí que a Espanha tenha sido campeã do Mundo com goleadas de 1x0. Goleava na posse, mas não tanto no marcador ou sequer ocasiões de golo como nos tempos de Aragones.
Tornou-se uma equipa mais fria na abordagem ao jogo. A derradeira alteração de Del Bosque foi abdicar por completo do estilo de jogo mais vertical que servia de complemento ao tiki taka, optando por copiar o modelo do Barça, abdicando de um avançado puro e colocando várias vezes um médio a fazer de falso 9 ( maior parte das vezes Cesc Fabregas).
 
Para isso contribuiu não apenas o facto do Barça que dá grande parte dos jogadores jogar assim , mas também a baixa de forma de Villa e Torres ,figuras fulcrais no esquema de Aragones em 2008.
Contudo nesta Taça das Confederações Del Bosque trocou as voltas. Desde logo porque a lesão de Xabi Alonso desobrigou-o de certa forma a manter o duplo pivô que merece algumas críticas pelo conservadorismo. Poderia mantê-lo optando pela inclusão de Javi Martinez, mas claramente a opção foi por acrescentar um médio de características mais ofensivas, seja ele Cesc Fabregas ou David Silva.
 
Na frente outra semi novidade. A opção por ter um avançado de raiz. No primeiro jogo Soldado, e no 2º e na semi final Fernando Torres com bons resultados, sendo Torres o melhor marcador da prova até ao momento.
Organização ofensiva
 
Espanha joga o futebol envolvente do Barcelona, tentando gerir os ritmos de jogo através da posse. O chamado tiki taka. Uma equipa que gosta de jogar bem subida, com sectores muito próximos, fazendo a bola circular perante todos os elementos. Todos sem excepção participam no processo ofensivo.
 
A equipa sai sempre a jogar de trás, na primeira fase de construção, através das centrais que raramente optam pelo jogo directo. Um médio baixa para dar linha de passe e passar para o 2º momento de construção, geralmente o cérebro Xavi, ficando Busquets mais para os equilíbrios. Espanha centraliza muito o jogo através das investidas de Iniesta e da incorporação de Fabregas ou Silva também pelo meio.
 
Com Soldado ou Torres na frente, tenta-se criar uma referência na área para possa fixar os centrais e ao mesmo tempo servir para tabelar com os médios.
Pedro é o único extremo para dar alguma largura ao jogo de Espanha. Pedro dá largura à direita, deixando-se depois o flanco esquerdo entregue às incursões do lateral Jordi Alba, com Iniesta a cair algumas vezes também no flanco para tabelar, fazer triangulações ou mesmo para partir da esquerda para o meio, tabelar com Torers ou Xavi e aparecer em zona de finalização.
 
Organização defensiva
É o momento em que a selecção espanhola menos se sente cómoda. Está muito pouco habituada a ter que fazer um jogo de expectativa ou ter que lidar com a posse de bola do adversário. Nestes momentos, é uma equipa que se fecha num 4-4-1, ficando Torres ou Soldado na frente, e baixando Pedro para apoiar o lateral, e o médio mais avançado para auxiliar Busquets e Xavi.
 
A defesa de Espanha é algo lenta, com excepção de Jordi Alba, e demonstra por vezes algumas desconcentrações, por parte da dupla Piqué e Ramos, que por vezes falham o tempo certo de atacarem a bola ou saírem para pressionar o avançado e criam , assim, alguns dissabores à sua defesa. São defesas que sofrem um pouco quando não têm uma referência para marcar. Arbeloa é bastante permeável no flanco direito.
 
Transição ataque- defesa
Porventura o momento mais forte do jogo de Espanha. Muitos falam da organização ofensiva, mas o verdadeiro segredo do sucesso está no momento em que Espanha perde a bola. É aí que a Espanha, tal como o Barça, aliás, é realmente uma equipa que mudou a face do jogo que hoje se joga.
 
Sentido posicional fortíssimo, marcação cerrada, com dois e três jogadores a criarem uma espécie de jaula imaginária sobre o portador da bola e as suas possíveis linhas de passe que repentinamente se encontram fechadas e o deixam muitas vezes sem opção sem ser jogar directo, sem critério, ou perder a bola.
 
Espanha por ter muita posse, não se cansa tanto porque não tem que correr atrás da bola, é a bola que corre de pé para pé. Essa energia que poupam tendo a bola, podem depois usar nos raros momentos em que perdem a bola, pressionando num bloco muito alto, e recuperando a bola no meio campo defensivo adversário.
Quando este momento falha no jogo espanhol, como se viu no jogo com a Itália, todo o resto do jogo de Espanha se desmorona. É um estilo de jogo que necessita de jogadores frescos física e mentalmente. Quando os jogadores se apresentam cansados, e deixam que os adversários consigam sair da pressão a Espanha sofre bastante, com as bolas colocadas nas costas da defesa, principalmente no espaço entre o central e o lateral.
 
Transição defesa- ataque
Espanha não tem pressa em lançar-se em transição no momento da recuperação da bola. Se de imediato vir espaço para o passe de ruptura, até o pode fazer, mas tendencialmente, Espanha quando recupera a bola, opta por jogo posicional, deixar a equipa estender-se novamente no campo, e trocar a bola com paciência, esperando pelo melhor momento para criar o desequilíbrio, sem grandes pressas. Espanha não aposta na transição rápida, opta antes por não se expor logo no momento da recuperação da posse, porque como pressiona muito em cima, uma segunda perda de bola seria sinónimo de criação de perigo pelo adversário por a Espanha se encontrar muito adiantada no terreno.
 
Abordagem táctica para o jogo com o Brasil
Espanha apresentou-se bastante desgastada no jogo com a Itália, demonstrando problemas com o calor e a humidade. Assim, o seu jogo de posse torna-se previsível, porque os jogadores não se movimentam tanto para oferecer duas linhas de passe ao portador da bola como de costume, e falha o momento fulcral do jogo espanhol que é a transição defensiva, no momento da perda da bola em que a Espanha sufoca os adversários com uma pressão colectiva bastante forte.
 
Del Bosque terá que saber jogar com estas condicionantes, e porventura fazer algumas mexidas a contar com um Brasil híper motivado, mais forte fisicamente e muito rápido. Será altura porventura de fazer regressar o duplo pivô defensivo, que caiu com a lesão de Xabi Alonso.
 
Em vez de optar pela inclusão de Cesc Fabregas mais adiantada, ou Silva a jogar na esquerda do ataque a fazer movimentos interiores, será momento talvez de colocar Javi Martinez a jogar ao lado de Busquets.
Desta forma, Espanha ganha maior segurança para poder melhor gerir o momento da organização defensiva quando o Brasil assim o exija, ganhando maior capacidade no choque e criando um tampão maior na cobertura defensiva a meio campo.
 
Por outro lado, no ataque, talvez seja também boa altura para retomar a táctica de Del Bosque em muitos dos jogos do último mundial, abdicando do ponta de lança de raíz e apostando num falso 9 à semelhança do que faz o Barcelona.
 
O Brasil tem uma dupla de centrais muito forte fisicamente e que se sente muito cómoda quando lhe é dada uma referência muito fixa para marcar. Assim se Del Bosque optasse por Torres ou Soldado na frente, a defesa brasileira agradeceria e o mais provável seria Thiago Silva e David Luiz colocarem o avançado espanhol no bolso, retirando assim um elemento ao processo ofensivo de Espanha, não permitindo também que esse elemento pudesse contemporizar para que a equipa de Espanha suba no terreno.
 
Sabendo-se da velocidade e força dos defesas brasileiras nos despiques físicos, o ideal seria retirar-lhes as referências em termos de marcação, situação que os deixa mais desconfortáveis, muito até pela forma algo displicente com que David Luiz por vezes aborda os lances, quer a sair a jogar quer a sair na pressão deixando a sua zona em aberto, o mesmo se aplicando a Marcelo e Dani Alves que também são mais fortes no processo ofensivo que no defensivo onde por vezes demonstram algumas falhas de posicionamento.
 
O ideal seria colocar Cesc Fabregas como falso 9 por já conhecer bem a posição, quer por a fazer de vez em quando no Barça quer por já a ter feito várias vezes na Roja.
Espanha assim ganharia mais um elemento para fechar o meio campo, e mais um elemento capaz de elaborar a teia de aranha em torno à área brasileira através da posse de bola.
 
Espanha mesmo que não consiga impor um ritmo forte, terá que gerir o ritmo de jogo, tendo a bola em seu poder, mesmo que não consiga criar perigo com ela. É essencial jogar com paciência e aproveitar a pressão do Brasil a jogar em casa e a juventude de grande parte dos jogadores brasileiros, que sentirão sempre a tentação de cair em cima com tudo, e sabendo-se que não têm uma cultura defensiva forte que os permita respirar bem sem a bola. Espanha deverá congelar o jogo, coloca-lo a um ritmo lento que não interessa ao Brasil e esperar que o passar do tempo, enerve os brasileiros e que os faça cometerem erros que possam permitir a que a Espanha crie um desiquilibrio ofensivo e se coloque em vantagem no marcador para depois gerir o jogo através da posse, mesmo que seja uma posse mais “defensiva” que “ofensiva.”
 
Maracanã estará cheia neste domingo para ver a final que o Mundo queria ver. O peso da história da selecção brasileira contra o legado de uma geração mágica e inesquecível do futebol espanhol. Passado, Presente e Futuro estarão em campo neste domingo numa final muito desejada.
 

sábado, 29 de junho de 2013

Brasil x Espanha – Final da Taça das Confederações- Antevisão (parte 1)

Está a chegar o dia da final da competição oficial entre selecções menos importante de todas, mas que este ano tem uma atenção que esta a desperar o interesse de todos.

Uma taça das confederações que serve como tubo de ensaio para o mundial do ano a seguir, para limar arestas em termos de organização. Geralmente são encaradas pelas grandes selecções como torneios de final de época. Contudo esta final poderá ser diferente por tudo o que simboliza.

Por um lado, um Brasil que joga em casa e que pretende recuperar uma dinâmica de vitória capaz de alimentar a expectativa de um povo naturalmente orgulhoso e que se habituou a ver a sua selecção como a força dominante no futebol.
Esta final poderá ser também o momento de consagrar e celebrar a mais vitoriosa e espectacular geração espanhola de todos os tempos, e colocar o derredeiro carimbo no seu passaporte de títulos que inclui dois europeus consecutivos e um mundial. Para fechar o ciclo com chave de ouro falta apenas o detalhe da Taça das Confederações.
 
Trata-se do duelo entre uma selecção e um país que se habituou a ser tratado com reverência como sendo o melhor, e uma selecção que entrou recentemente para o olimpo futebolístico e que no campo demonstrou ser a sucessora do Brasil no que diz respeito a ser uma força dominante no futebol mundial.
 
Isso tem custado a engolir aos brasileiros, que através da sua imprensa e dos seus adeptos tudo tem feito para diminuir o espaço entretanto conquistado com todo o direito pelo futebol espanhol.
Trata-se de um domínio que os brasileiros não aceitam de ânimo leve, principalmente por custar ainda mais por não se tratar de um domínio partilhado com uma selecção com história como Itália ou Alemanha.
 
De certa forma sentem que se perdeu o respeito ao peso das camisolas brasileiras. Puderam proteger-se de certa forma, afirmando sempre que Espanha havia ganho as grandes competições mas que teria tido a “sorte” de não ter encontrado o Brasil pelo caminho, como se uma selecção que derrota uma Italia numa final por 4-0 ou derrota Alemanha em duas de forma clara, devesse ter alguma espécie de medo cénico em relação ao Brasil…
 Para os espanhois, trata-se também de uma tarefa pendente. Uma selecção que ganhou tudo e que realmente lhe falta poder demonstrar a sua superioridade perante a selecção mais vitoriosa da história do futebol Mundial. Passado e Presente numa luta em que se projecta já o futuro, com Espanha a assumir protagonismo também no domínio do futebol jovem.
  • Estado anímico
Brasil
O Brasil vinha de uma fase de divórcio entre adeptos e selecção, potenciada por uma série de resultados e exibições menos conseguidas contra selecções de topo. O reinado de Mano Menezes sofreu um revês maior quando não logrou conquistar o tão ambicionado ouro olímpico.
 
A selecção brasileira começou a ser vaiada nos jogos disputados em solo brasileiro, ora por sentirem falta de compromisso dos jogadores, ora por ser difícil para os brasileiros admitirem que realmente hoje em dia o Brasil não é mais uma selecção ao nível do top 5 do Mundo, porventura.
 
Que não têm um melhor jogador do Mundo. Daí a urgência da imprensa brasileira em inventarem novos ídolos a cada vez que apareça um jogador que se destaque. Fizeram-no com Robinho há anos atrás com os resultados conhecidos, fazem- no agora com Neymar com resultados que ainda apuraremos no futuro.
 
Curiosamente numa altura em que o Brasil vinha ganhando já alguma dinâmica de vitória e ganhava já uma estrutura após várias experiências, foi justamente quando por questões mais políticas que desportivas, que se deu o despedimento de Mano Menezes e a sua substituição por Scolari, que na verdade sempre tinha desejado o cargo.
 
Scolari trazia a aura de campeão do Mundo em 2002, mas num ano sui generis num Mundial da Coreia com contornos pouco claros, mas em que também contava com uma selecção de maior talento que a actual e com jogadores já consagrados no panorama mundial.
 Os primeiros jogos contra equipas de topo, um choque com a realidade. Brasil a sofrer para se conseguir impor. Chegou com desconfianças à taça das confederações mas conseguiu o pleno de vitórias com adversários como Japão, México e Itália.
 
O povo brasileiro foi aumentando à medida do tempo o seu apoio à selecção, num assomo de apelo patriótico e vontade de demonstrar o orgulho em ser brasileiro a todo o Mundo.
 
Scolari tal como é seu costume, trouxe esse factor psicológico de unir um grupo e chamar o povo para apoiar a selecção. Tacticamente continua a ser um técnico limitado, mas que vai compensando com muita sorte e motivação em torneios curtos. Prova disso foi a vitória sobre a Itália que encheu o ego dos brasileiros mas que foi conquistada sobre uma Itália de rastos, vergastada por lesões, e que jogou sem o cérebro Pirlo e sem o pulmão De Rossi.
Depois o duelo contra o Uruguai nas semi finais, em que o Brasil sofreu perante um Uruguai que tacticamente soube anular o jogo brasileiro, mas que pagou caro a falta de eficácia e ambição.
 
Mais um acrescento no estado anímico brasileiro, esquecendo-se contudo que este Uruguai está a sofrer para se conseguir apurar para o Mundial, estando em posição apenas de play off e atrás de selecções como Chile ou Colombia.
 
Após verem a Itália a conseguir dar tanto trabalho à Espanha, os brasileiros chegam com a moral no topo e a acreditarem que com a força do Maracanã poderão vergar o futebol espanhol, até pela questão de terem menos tempo de descanso, e assim poderem demonstrar que Espanha é a campeã mas que o Brasil continua a reinar.
 
Espanha
 
Animicamente a Espanha apresentou-se com a motivação tradicional neste tipo de torneios. Jogadores desgatados após épocas longas e com alguma vontade de cumprir o serviço mas também com alguma vontade de férias.
 Espanha deu uma demonstração de força logo no 1º jogo com o Uruguai onde se apresentou mais fresca, mas logo baixou o ritmo porque Haiti o permitia, e porque a Nigéria também não conseguia dar grande oposição.
 
A motivação quer dos jogadores quer dos próprios adeptos, tem ido de menos a mais, a partir do momento em que começaram a sentir hostilidade por parte da midia e do público brasileiro.
 
A grande motivação da Espanha era unicamente a final. Carimbar o título, mas acima de tudo que fosse possível acrescentar o histórico Brasil à sua lista de vitimas no caminho para o legado já cimentado na história do futebol.
Sentia-se que uma vitória contra o Brasil era uma falha no currículo desta selecção e que só agora poderia haver oportunidade de suprir, após na anterior taça das confederações Espanha não ter encontrado o Brasil por ter caído para os Estados Unidos na final.
 
Espanha tem sido hostilizada em todos os estádios. Del Bosque como diplomata que é tentou atribuir tal facto à vontade dos brasileiros de torcer pela equipa mais fraca. Mas tal hostilidade atingiu o seu pique no duelo com a Itália com os brasileiros a cantarem por Itália o jogo todo e inclusive gritando olés para a selecção espanhola. Algo que esta geração claramente não está habituada a sentir, estão mais habituados é fazer os olés aos adversários e coloca-los a correr atrás da bola.
 
No final do jogo sentiu-se um misto de cansaço extremo com vontade dos jogadores exeteriorizarem o seu enfado em relação ao público brasileiro, e até à imprensa que os tem perseguido com histórias mal contadas sobre espisódios rocambolescos com prostitutas durante a estadia da Roja no Brasil.
 Ficou clara a impressão que os brasileiros foram cutucar uma geração que já estava com vontade enorme de derrotar o Brasil para efeitos de currículo, mas que agora já é mais que isso. Os brasileiros tornaram isto algo pessoal. Os espanhois claramente querem responder a todas as provocações que têm sido alvo em campo. Em pleno maracanâ a arrebentar pelas costas. Espanha não quer agora apenas vencer uma selecção que cresceu a respeitar. Neste momento quer fazê-la pagar pelo comportamento geral dos adeptos e da imprensa. Quer dar uma prova de força do seu futebol para calar tudo e todos. Os brasileiros incendiaram o ambiente e agora vão ter que lidar com uma geração que se sentiu atingida no seu orgulho.
  • Duelo táctico
Brasil
 
Scolari encontrou finalmente a equipa tipo e a estrutura táctica da mesma. Um 4-2-3-1 bastante europeu e na senda do que já havia feito na selecção portuguesa.
 
Mano Menezes vinha experimentado um meio campo mais móvel e a possibilidade de imitar o modelo Barça / Espanha, e jogar sem avançado de referência, com Neymar fazendo o papel de Messi no Barça. Scolari acabou com essa invenção e recolocou um avançado centro, na equipa, neste caso Fred.
 Neymar passou a jogar numa faixa com liberdade de ir da esquerda para o meio, um pouco à semelhança do que pedia a CR7 na selecção portuguesa. Hulk passou de jogar sobre a esquerda com Menezes, a jogar mais pelo lado direito, onde se sente mais cómodo, pois pode fazer a sua jogada típica de puxar para o meio e soltar o seu remate. Neymar defende menos e cabe a Hulk o papel de se preocupar mais com aspectos defensivos.
 
No meio campo a opção clara por um duplo pivô. Depois de várias experiências a escolha recaiu pela dupla Luis Gustavo (Bayern de Munique)/Paulinho (Corintihians), sendo o 3º médio óscar ( Chelsea), que assim tem maior liberdade de movimentos, até por vezes cair num flanco com trocas com Neymar a aparece mais no meio a armar a jogada ofensiva.
 
O Brasil aposta muito na subida dos seus dois laterais bastante onfensivos, um pouco na senda da tradição da selecção brasileira com laterais como Roberto Carlos e Cafu. Para que eles subam , os dois médios de cariz defensivo ficam mais fixos, permitindo assim a subida dos laterais sem que se perca a segurança no momento da perda da bola. Com essas subidas, pede-se que Hulk e Neymar venham para dentro para poderem tabelar e fazer triangulações com o lateral e um dos médios que se junta no momento ofensivo.
 
Dentro da dupla de médios Paulinho é aquele que aparece mais em zona de finalização, ficando Luiz Gustavo mais fixo atrás dando a segurança.
 
Na defesa uma dupla de centrais muito forte na marcação, com Thiago Silva, porventura o melhor central do Mundo, acompanhado de David Luiz. Uma defesa muito rápida, e que por isso permite que a equipa se estique mais no terreno de jogo.( cont)